Crede nos seus profetas e prosperareis: vale tudo para ficar rico?
- universalheresias
- 28 de out. de 2024
- 30 min de leitura
Por todos os lados você vai encontrar a Igreja Universal do Reino de Deus te convidando para participar das suas campanhas de prosperidade. No rádio, na TV, nas redes sociais, na Folha Universal, no carro de som, por meio de um "evangelista" durante a realização de um "Ponto de Oração" ou mesmo por um familiar/amigo. Multidões são atraídas por essa proposta. E a questão é: por que razão? Com qual autoridade eles conseguem fidelizar o povo da IURD às suas práticas?
Em uma matéria do portal Universal.org, do início da pandemia do coronavírus no Brasil, são fornecidas quatro estratégias para vencer em tempos de crise, sendo uma delas a seguinte:
3- Crer no profeta Ouvi-me, ó Judá, e vós, moradores de Jerusalém: Crede no Senhor vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas, e prosperareis; 2 Crônicas 20:20 Você não pode ficar duvidando, questionando ou discutindo opiniões, senão nada vai acontecer. Quando a pessoa não crê, não obedece. Logo, não vence e é derrotada pela crise. Fonte: Quatro estratégias para vencer em tempos de crise
A mensagem é simples: se você crer no que os bispos e pastores da Universal dizem e obedecer a direção que vem do "altar", você vai prosperar. Caso contrário, sua vida financeira será uma derrota. O versículo é muito direto. Será que dessa vez vamos ter que concordar com eles?
Comecemos pelo mesmo ponto de sempre: em que contexto essa passagem bíblica se encontra? Para entender isso, sugiro regredirmos aos tempos do pai do homem que proferiu essas palavras de 2Cr 20.20.
Abias descansou com os seus antepassados e foi sepultado na Cidade de Davi. Seu filho Asa foi o seu sucessor, e em seu reinado o país esteve em paz durante dez anos. Asa fez o que o SENHOR, o seu Deus, aprova. Retirou os altares dos deuses estrangeiros e os altares idólatras que havia nos montes, despedaçou as colunas sagradas e derrubou os postes sagrados. Ordenou ao povo de Judá que buscasse o SENHOR, o Deus dos seus antepassados, e que obedecesse às leis e aos mandamentos dele. Retirou os altares idólatras e os altares de incenso de todas as cidades de Judá, e o reino esteve em paz durante o seu governo. Também construiu cidades fortificadas em Judá, aproveitando esse período de paz. Ninguém entrou em guerra contra ele durante aqueles anos, pois o SENHOR lhe deu descanso. Disse ele ao povo de Judá: "Vamos construir estas cidades com muros ao redor, fortificadas com torres, portas e trancas. A terra ainda é nossa, porque temos buscado o SENHOR, o nosso Deus; nós o buscamos, e ele nos tem concedido paz em nossas fronteiras". Eles então as construíram e prosperaram. (2Cr 14.1-7)
Nessa breve introdução do governo de Asa sobre o reino de Judá, vemos um rei fiel ao Senhor, preocupado com a pureza do povo diante de Deus e que reconhece que a paz lhes era concedida à medida em que buscavam o Altíssimo. Durante esse período de dez anos, foi possível que o povo fortificasse as suas cidades e prosperasse. Contudo, isso não significa que os inimigos não se levantariam contra eles...
Asa tinha um exército de trezentos mil homens de Judá, equipados com escudos grandes e lanças, e duzentos e oitenta mil de Benjamim, armados com escudos pequenos e arcos. Todos eram valentes homens de combate. O etíope Zerá marchou contra eles com um exército de um milhão de soldados e trezentos carros de guerra e chegou a Maressa. Asa saiu para enfrentá-lo, e eles se puseram em posição de combate no vale de Zefatá, perto de Maressa. Então Asa clamou ao SENHOR, o seu Deus: "SENHOR, não há ninguém como tu para ajudar os fracos contra os poderosos. Ajuda-nos, ó SENHOR, é nosso Deus, pois em ti pomos a nossa confiança, e em teu nome viemos contra este imenso exército. Ó SENHOR, tu és o nosso Deus; não deixes o homem prevalecer contra ti". O SENHOR derrotou os etíopes diante de Asa e de Judá. Os etíopes fugiram, e Asa e seu exército os perseguiram até Gerar. Caíram tantos deles que o exército não conseguiu recuperar-se; foram destruídos perante o SENHOR e suas forças. E os homens de Judá saquearam muitos bens. Destruíram todas as cidades ao redor de Gerar, pois o terror do SENHOR havia caído sobre elas. Saquearam todas essas cidades, pois havia nelas muitos despojos. Também atacaram os acampamentos onde havia gado e se apoderaram de muitas ovelhas, cabras e camelos. E, em seguida, voltaram para Jerusalém. (2Cr 14.8-15)
Asa estava governando sobre o reino do Sul com fidelidade e temor diante do Senhor, promovendo importantíssimas reformas religiosas e instruindo o povo a buscar a face de Deus, o que permitiu que eles vivessem um período de paz e pudessem fortificar suas fronteiras e prosperar. Subitamente, surge a informação de que o etíope Zerá está marchando contra o reino de Judá com um exército com praticamente o dobro de homens e com equipamentos de guerra bem mais sofisticados do que os deles.
Diante de uma realidade assombrosa como essa, Asa não se abala e nem deixa de confiar no Senhor. Ao contrário, em posição de batalha, prestes a enfrentar aquele exército gigantesco, o rei se põe a clamar ao Altíssimo, reconhecendo que somente em Deus eles poderiam confiar, pois não havia outro que tivesse o Seu poder, e se humilha declarando que não era o próprio nome deles que estava sendo carregado nessa batalha, mas o nome do Senhor, o qual não poderia ser envergonhado ou profanado. Que bela lição de confiança em Deus e propósito de glorificá-lo! Isso me faz lembrar do jovem Davi quando recebe a notícia de que Golias estava afrontando Israel:
Um guerreiro chamado Golias, que era de Gate, veio do acampamento filisteu. Tinha dois metros e noventa centímetros de altura. Ele usava um capacete de bronze e vestia uma couraça de escamas de bronze que pesava sessenta quilos; nas pernas usava caneleiras de bronze e tinha um dardo de bronze pendurado nas costas. A haste de sua lança era parecida com uma lançadeira de tecelão, e sua ponta de ferro pesava sete quilos e duzentos gramas. [...] Davi era o caçula. [...] Durante quarenta dias o filisteu aproximou-se, de manhã e de tarde, e tomou posição. [...] Golias, o guerreiro filisteu de Gate, avançou e lançou seu desafio habitual; e Davi o ouviu. [...] Davi perguntou aos soldados que estavam ao seu lado: "O que receberá o homem que matar esse filisteu e salvar a honra de Israel? Quem é esse filisteu incircunciso para desafiar os exércitos do Deus vivo? [...] As palavras de Davi chegaram aos ouvidos de Saul, que o mandou chamar. Davi disse a Saul: "Ninguém deve ficar com o coração abatido por causa desse filisteu; teu servo irá e lutará com ele". Respondeu Saul: "Você não tem condições de lutar contra esse filisteu; você é apenas um rapaz, e ele é um guerreiro desde a mocidade". Davi, entretanto, disse a Saul: [...] "Teu servo pôde matar um leão e um urso; esse filisteu incircunciso será como um deles, pois desafiou os exércitos do Deus vivo. O SENHOR que me livrou das garras do leão e das garras do urso me livrará das mãos desse filisteu". Diante disso Saul disse a Davi: "Vá, e que o SENHOR esteja com você". Saul vestiu Davi com sua própria túnica, colocou-lhe uma armadura e lhe pôs um capacete de bronze na cabeça. Davi prendeu sua espada sobre a túnica e tentou andar, pois não estava acostumado com aquilo. E disse a Saul: "Não consigo andar com isto, pois não estou acostumado". Então tirou tudo aquilo e em seguida pegou seu cajado, escolheu no riacho cinco pedras lisas, colocou-as na bolsa, isto é, no seu alforje de pastor, e, com sua atiradeira na mão, aproximou-se do filisteu. Enquanto isso, o filisteu, com seu escudeiro à frente, vinha se aproximando de Davi. Olhou para Davi com desprezo, viu que era só um rapaz, ruivo e de boa aparência, e fez pouco caso dele. [...] Davi, porém, disse ao filisteu: "Você vem contra mim com espada, com lança e com dardos, mas eu vou contra você em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem você desafiou. Hoje mesmo o SENHOR o entregará nas minhas mãos, eu o matarei e cortarei a sua cabeça. Hoje mesmo darei os cadáveres do exército filisteu às aves do céu e aos animais selvagens, e toda a terra saberá que há Deus em Israel. Todos os que estão aqui saberão que não é por espada ou por lança que o SENHOR concede vitória; pois a batalha é do SENHOR, e ele entregará todos vocês em nossas mãos". (1Sm 7.4-7,14,16,23,26,31-34,37-42,45-47)
Davi, assim como Asa, não estava preocupado com a sua grandeza pessoal, mas zelava pelo nome do Senhor que Israel carregava. Ele estava arriscando a própria vida, sem qualquer possibilidade humana de derrotar o gigante, sequer aguentando o peso da armadura, por confiar exclusivamente em Deus e por não aceitar que alguém afrontasse a Sua glória divina. O fim dessa história todos já sabem...
Após essa espetacular vitória sobre os etíopes que o Senhor concedeu à Asa, Ele levanta um homem para profetizar ao rei:
O Espírito de Deus veio sobre Azarias, filho de Odede. Ele saiu para encontrar-se com Asa e lhe disse: "Escutem-me, Asa e todo o povo de Judá e de Benjamim. O SENHOR está com vocês quando vocês estão com ele. Se o buscarem, ele deixará que o encontrem, mas, se o abandonarem, ele os abandonará. Durante muito tempo Israel esteve sem o verdadeiro Deus, sem sacerdote para ensiná-lo e sem a Lei. Mas em sua angústia eles se voltaram para o SENHOR, o Deus de Israel; buscaram-no, e ele deixou que o encontrassem. Naqueles dias não era seguro viajar, pois muitos distúrbios afligiam todos os habitantes do território. Nações e cidades se destruíam umas às outras, pois Deus as estava afligindo com toda espécie de desgraças. Mas, sejam fortes e não desanimem, pois o trabalho de vocês será recompensado". Assim que ouviu as palavras e a profecia do profeta Azarias, filho de Odede, o rei Asa encheu-se de coragem. Retirou os ídolos repugnantes de toda a terra de Judá e de Benjamim e das cidades que havia conquistado nos montes de Efraim, e restaurou o altar do SENHOR que estava em frente do pórtico do templo do SENHOR. Depois reuniu todo o povo de Judá e de Benjamim e convocou também os que pertenciam a Efraim, a Manassés e a Simeão que viviam entre eles, pois muitos de Israel tinham passado para o lado do rei Asa, ao verem que o SENHOR, o seu Deus, estava com ele. Eles se reuniram em Jerusalém no terceiro mês do décimo quinto ano do reinado de Asa. Naquela ocasião sacrificaram ao SENHOR setecentos bois e sete mil ovelhas e cabras, do saque que haviam feito. Fizeram um acordo de todo o coração e de toda a alma de buscar o SENHOR, o Deus dos seus antepassados. Todo aquele que não buscasse o SENHOR, o Deus de Israel, deveria ser morto, gente simples ou importante, homem ou mulher. Fizeram esse juramento ao SENHOR em alta voz, bradando ao som de cornetas e trombetas. Todo o povo de Judá alegrou-se com o juramento, pois o havia feito de todo o coração. Eles buscaram a Deus com a melhor disposição; ele deixou que o encontrassem e lhes concedeu paz em suas fronteiras. O rei Asa chegou até a depor sua avó Maaca da posição de rainha-mãe, pois ela havia feito um poste sagrado repugnante. Asa derrubou o poste, despedaçou-o e queimou-o no vale do Cedrom. Embora os altares idólatras não tivessem sido eliminados de Israel, o coração de Asa foi totalmente dedicado ao SENHOR durante toda a sua vida. Ele trouxe para o templo de Deus a prata, o ouro e os utensílios que ele e seu pai haviam consagrado. E não houve mais nenhuma guerra até o trigésimo quinto ano do seu reinado. (2Cr 15.1-19)
Em primeiro lugar, há uma clara ênfase no fato de que o Espírito de Deus veio sobre Azarias. Portanto, um legítimo profeta não lança profecias por si mesmo, mas apenas transmite a mensagem que Deus determinou por meio do Seu Santo Espírito. Isso é importantíssimo de se ter em mente!
Em segundo lugar, a mensagem de um verdadeiro profeta do Senhor não contradiz a palavra de Deus. O caráter do Altíssimo é imutável (Ml 3.6; Tg 1.17). O que Azarias, inspirado pelo Espírito Santo, profetizou estava em perfeita consonância com o que já havia sido dito há muito tempo por intermédio de Moisés (Dt 4.23-31; 5.32-33), bem como com o que Ele prometeu pessoalmente à Salomão quando da dedicação do Templo (2Cr 7.14).
É curioso notar que, a respeito da vitória sobre o exército de Zerá, a Bíblia não narra nenhuma reação de Asa. Isso não significa que ele não tenha se alegrado, comemorado e se animado com esse êxito militar. Contudo, diante dessa ausência de descrição da reação dele com o fim da guerra contra os etíope, ressoa com muito mais destaque a sua reação diante da profecia de Azarias: imediatamente o rei Asa encheu-se de coragem. Que tremenda lição para nós! A experiência de uma vitória assombrosa e improvável sobre o exército inimigo não despertou no rei uma reação tão encorajadora quanto a profecia vinda da parte do Senhor dos Exércitos. Asa já tinha iniciado o processo de reforma religiosa em Judá e colocado sua confiança no Senhor. Atentemo-nos para o fato de que aquele era um período em que por muito tempo Israel esteve longe do Altíssimo e de sua Lei, imerso na idolatria, no engano e na ruína. Quando o rei Asa recebe aquela palavra profética de Azarias, por meio da qual Deus o anima a continuar nesse caminho de retidão, ele se encoraja sobremaneira e promove mudanças ainda mais profundas e radicais, conclamando o povo a se juntar a ele nessa reforma.
Chama atenção um detalhe no versículo 9: habitantes de terras originalmente pertencentes ao reino do Norte (Israel) conquistadas por Asa veem que o Senhor estava com Asa e decidem se unir a ele nesse propósito. Muitas pessoas procuram se unir a quem tem poder, carisma, riquezas, promessas de dinheiro fácil, armamento pesado, influência política, beleza, entre tantos outros fatores. Aqueles, contudo, que são verdadeiramente povo de Deus procuram se unir a quem, embora possa ser desprovido de todas essas coisas, está buscando o Altíssimo de todo o coração e trabalhando pela expansão do Seu Reino de justiça e santidade. Eles viam a conduta pecaminosa dos reis do Norte Baasa, Elá, Zinri e Onri, que só traziam desgraça para o povo, e percebiam que Asa estava procurando conduzir o reino do Sul em um caminho reto e justo diante do Senhor, razão pela qual decidiram se associar a ele e foram muito bem aceitos.
O ápice desse momento da vida de Asa pode ser resumido em uma única sentença: "o coração de Asa foi totalmente dedicado ao SENHOR durante toda a sua vida" (2Cr 15.17). Mas a história continua:
No trigésimo sexto ano do reino de Asa, Baasa, rei de Israel, invadiu Judá e fortificou Ramá, para que ninguém pudesse entrar no território de Asa, rei de Judá, nem sair de lá. Então Asa ajuntou a prata e o ouro do tesouro do templo do SENHOR e do seu próprio palácio e os enviou a Ben-Hadade, rei da Síria, que governava em Damasco, com uma mensagem que dizia: "Façamos um tratado, como fizeram meu pai e o teu. Estou te enviando prata e ouro. Agora, rompe o tratado que tens com Baasa, rei de Israel, para que ele saia do meu país". Ben-Hadade aceitou a proposta do rei Asa e ordenou aos comandantes das suas forças que atacassem as cidades de Israel. Eles conquistaram Ijom, Dã, Abel-Maim e todas as cidades-armazéns de Naftali. Quando Baasa soube disso, abandonou a construção dos muros de Ramá. Então o rei Asa reuniu todos os homens de Judá, e eles retiraram de Ramá as pedras e a madeira que Baasa estivera usando. Com esse material Asa fortificou Geba e Mispá. Naquela época, o vidente Hanani foi dizer a Asa, rei de Judá: "Por você ter pedido ajuda ao rei da Síria e não ao SENHOR, ao seu Deus, o exército do rei da Síria escapou de suas mãos. Por acaso os etíopes e os líbios não eram um exército poderoso, com uma grande multidão de carros e cavalos? Contudo, quando você pediu ajuda ao SENHOR, ele os entregou em suas mãos. Pois os olhos do SENHOR estão atentos sobre toda a terra para fortalecer aqueles que lhe dedicam totalmente o coração. Nisso você cometeu uma loucura. De agora em diante terá que enfrentar guerras". Asa irritou-se contra o vidente por causa disso; ficou tão indignado que mandou prendê-lo. Nessa época Asa oprimiu brutalmente alguns do povo. [...] No trigésimo nono ano de seu reinado, Asa foi atacado por uma doença nos pés. Embora a sua doença fosse grave, não buscou ajuda do SENHOR, mas só dos médicos. Então no quadragésimo primeiro ano do seu reinado, Asa morreu e descansou com os seus antepassados. (2Cr 16.1-10, 12-13)
Até essa altura, Asa havia sido considerado um bom rei para Judá por fazer o que Deus aprovava (2Cr 14.2), o que podemos sintetizar em três pontos referenciais: (i) buscar o Senhor de todo o coração; (ii) confiar no Altíssimo; e (iii) obedecer a Palavra do Eterno por meio da Lei e dos profetas. O que se vê, contudo, no estágio final da sua vida é o oposto absoluto de todas essas qualidades de outrora.
Anteriormente, quando o rei Asa se viu diante da terrível ameaça de Zerá e seu exército, sua atitude foi de confiar no Senhor, clamando ao Todo-Poderoso Deus, dizendo: "SENHOR, não há ninguém como tu para ajudar os fracos contra os poderosos" (2Cr 14.11). Agora, porém, diante da ameaça de Baasa, Asa tomou a iniciativa de confiar em um homem, recorrendo a Ben-Hadade, que, além de ser rei de um povo estrangeiro, era um inimigo comum do povo de Deus.
Asa havia se distinguido dos caminhos de seu pai, rei Abias, filhos de Roboão, que "cometeu todos os pecados que o seu pai tinha cometido; seu coração não era inteiramente consagrado ao Senhor" (1Rs 15.3). Contudo, agora ele estava imitando o mau exemplo de seu pai com essa aliança com o rei da Síria.
Durante sua reforma religiosa, o rei Asa, ao restaurar a pureza ritual do Templo, dedicou a prata, o ouro e os utensílios sagrados para o seu tesouro (2Cr 15.18). Todavia, para convencer o rei da Síria a aceitar essa aliança insana sobre a qual ele estava apoiando a sua confiança, ele não somente ajuntou a prata e o ouro do tesouro do seu próprio palácio, como também "saqueou" o tesouro do Templo que ele mesmo havia dedicado para o serviço sagrado para entregá-lo a Ben-Hadade.
Um dos fatos mais emblemáticos do período positivo da vida de Asa foi a sua reação maravilhosa diante da profecia de Azarias (2Cr 15.8) e os desdobramentos práticos desse encorajamento na expansão da reforma religiosa de Judá. Agora, porém, quando advertido por Hanani por ter pecado ao confiar em um homem depois de tudo o que Deus já havia feito por ele durante a guerra contra Zerá, o rei Asa reagiu negativamente à palavra profética, irritando-se contra o profeta e prendendo-o, ao invés de se arrepender e se converter do seu mau caminho.
A obstinação de Asa foi tão grande no fim da sua vida, que lhe rendeu uma trágica morte. Ao contrair uma grave doença nos pés, insistiu em buscar ajuda do Senhor, confiando apenas nos médicos, isto é, no homem. Assim morreu Asa e em seu lugar reinou Josafá, seu filho.
O SENHOR esteve com Josafá porque, em seus primeiros anos, ele andou nos caminhos que seu predecessor Davi tinha seguido. Não consultou os baalins, mas buscou o Deus de seu pai e obedeceu aos seus mandamentos, e não imitou as práticas de Israel. O SENHOR firmou o reino de Josafá, e todo o Judá lhe trazia presentes, de maneira que teve grande riqueza e honra. Ele seguiu corajosamente os caminhos do SENHOR, além disso, retirou de Judá os altares idólatras e os postes sagrados. [...] Eles percorreram todas as cidades do reino de Judá, levando consigo o Livro da Lei do SENHOR e ensinando o povo. O temor do SENHOR caiu sobre todos os reinos ao redor de Judá, de forma que não entraram em guerra contra Josafá. (2Cr 17.3-6, 9-10)
Vê-se que Josafá começou seu reinado seguindo os passos de Davi e o exemplo inicial de Asa. Da mesma forma como as Escrituras descrevem que seu pai foi encorajado pela profecia de Azarias a expandir a reforma religiosa de Judá, elas relatam que Josafá também seguiu os caminhos do Senhor corajosamente. Os efeitos desse procedimento reto do rei diante de Deus eram tão intensos que até sobre os reinos ao redor de Judá caiu o temo do Senhor, trazendo paz às relações entre eles. Contudo, uma reviravolta acontece no decurso da história:
Josafá tinha grande riqueza e honra e aliou-se a Acabe por laços de casamento. Alguns anos depois, ele foi visitar Acabe em Samaria. Acabe abateu muitas ovelhas e bois, para receber Josafá e sua comitiva, e insistiu que atacasse Ramote-Gileade. Acabe, rei de Israel, perguntou a Josafá, rei de Judá: "Irás comigo lutar contra Ramote-Gileade?" Josafá respondeu: "Sou como tu, e meu povo é como o teu povo; estaremos contigo na guerra". Mas acrescentou: "Peço-te que busques primeiro o conselho do SENHOR". Então o rei de Israel reuniu quatrocentos profetas e lhes perguntou: "Devemos ir à guerra contra Ramote-Gileade, ou não?" Eles responderam: "Sim, pois Deus a entregará nas mãos do rei". Josafá, porém, perguntou: "Não existe aqui mais nenhum profeta do SENHOR, a quem possamos consultar?" O rei de Israel respondeu a Josafá: "Ainda há um homem por meio de quem podemos consultar o SENHOR, porém eu o odeio, porque nunca profetiza coisas boas a meu respeito, mas sempre coisas ruins. É Micaías, filho de Inlá". "O rei não deveria dizer isso", Josafá respondeu. Então o rei de Israel chamou um dos seus oficiais e disse: "Traga imediatamente Micaías, filho de Inlá". Usando vestes reais, o rei de Israel e Josafá, rei de Judá, estavam sentados em seus tronos, na eira, junto à porta de Samaria, e todos os profetas estavam profetizando em transe diante deles. E Zedequias filho de Quenaaná, tinha feito chifres de ferro e declarou: "Assim diz o SENHOR: 'Com estes chifres tu ferirás os arameus até que sejam destruídos'". Todos os outros profetas estavam profetizando a mesma coisa, dizendo: "Ataca Ramote-Gileade, e serás vitorioso, pois o SENHOR a entregará nas mãos do rei". O mensageiro que tinha ido chamar Micaías lhe disse: "Vê, todos os outros profetas estão predizendo que o rei terá sucesso. Tua palavra também deve ser favorável". Micaías, porém, disse: "Juro pelo nome do SENHOR que direi o que o meu Deus mandar". Quando ele chegou, o rei lhe perguntou: Micaías, devemos ir à guerra contra Ramote-Gileade, ou não?" Ele respondeu: "Ataquem, e serão vitoriosos, pois eles serão entregues em suas mãos". O rei lhe disse: "Quantas vezes devo fazer-te jurar que me irás dizer somente a verdade em nome do SENHOR?" Então Micaías respondeu: "Vi todo o Israel espalhado pelas colinas, como ovelhas sem pastor, e ouvi o SENHOR dizer: 'Estes não têm dono. Cada um volte para casa em paz'". O rei de Israel disse a Josafá: "Não disse a você que ele nunca profetiza nada de bom a meu respeito, mas apenas coisas ruins?" Micaías prosseguiu: "Ouçam a palavra do SENHOR: Vi o SENHOR assentado em seu trono, com todo o exército dos céus à sua direita e à sua esquerda. E o SENHOR disse: 'Quem enganará Acabe, rei de Israel, para que ataque Ramote-Gileade e morra lá?' E um sugeria uma coisa, outro sugeria outra, até que, finalmente, um espírito colocou-se diante do SENHOR e disse: 'Eu o enganarei'. 'De que maneira?', perguntou o SENHOR. Ele respondeu: 'Irei e serei um espírito mentiroso na boca de todos os profetas do rei'. Disse o SENHOR: 'Você conseguirá enganá-lo; vá e engane-o'. E o SENHOR pôs um espírito mentiroso na boca destes seus profetas. O SENHOR decretou a sua desgraça". Então Zedequias, filho de Quenaaná, aproximou-se, deu um tapa no rosto de Micaías e perguntou: "Por qual caminho foi o espírito da parte do SENHOR, quando saiu de mim para falar a você?" Micaías respondeu: "Você descobrirá no dia em que estiver se escondendo de quarto em quarto". O rei de Israel então ordenou: "Enviem Micaías de volta a Amom, o governador da cidade, e a Joás, filho do rei, e digam que assim diz o rei: Ponham este homem na prisão a pão e água, até que eu volte em segurança". Micaías declarou: "Se você de fato voltar em segurança, o SENHOR não falou por meu intermédio". E acrescentou: "Ouçam o que estou dizendo, todos vocês!" Então o rei de Israel e Josafá, rei de Judá, foram atacar Ramote-Gileade. E o rei de Israel disse a Josafá: "Entrarei disfarçado em combate, mas tu, usa as tuas vestes reais". O rei de Israel disfarçou-se, e ambos foram para o combate. O rei da Síria havia ordenado a seus chefes dos carros de guerra: "Não lutem contra ninguém, seja soldado seja oficial, senão contra o rei de Israel". Quando os chefes dos carros viram Josafá, pensaram: "É o rei de Israel", e o cercaram para atacá-lo, mas Josafá clamou, e o SENHOR o ajudou. Deus os afastou dele, pois, quando os comandantes dos carros viram que não era o rei de Israel, deixaram de persegui-lo. De repente, um soldado disparou seu arco ao acaso e atingiu o rei de Israel entre os encaixes da sua armadura. Então o rei disse ao condutor do seu carro: "Tire-me do combate. Fui ferido!" A batalha foi violenta durante todo o dia, e assim, o rei de Israel teve que enfrentar os arameus em pé no seu carro, até a tarde. E, ao pôr do sol, ele morreu. Quando Josafá, rei de Judá, voltou em segurança ao seu palácio em Jerusalém, o vidente Jeú, filho de Hanani, saiu ao seu encontro e lhe disse: "Será que você devia ajudar os ímpios e amar aqueles que odeiam o SENHOR? Por causa disso, a ira do SENHOR está sobre você. Contudo, existe em você algo de bom, pois você livrou a terra dos postes sagrados e buscou a Deus de todo o seu coração". (2Cr 18.1-34; 19.1-3)
Era um costume dos reis que, por meio de matrimônios entre integrantes de diferentes famílias reais, fossem estabelecidas alianças políticas. Definitivamente, Josafá não necessitava disso, uma vez que seu reinado estava sendo muito bem-sucedido, tendo paz até mesmo com reinos vizinhos. Ainda, mesmo que a intenção de Josafá fosse de tentar promover a união dos reinos de Israel e Judá, isto deveria ser feito em torno do retorno do coração do povo ao Senhor, e não de um simples arranjo político com um rei tão desprezível aos olhos de Deus quanto Acabe. Josafá, assim, estava se aproximando do exemplo deu seu pai, Asa, que confiou em uma aliança política com um inimigo do seu Deus.
Apesar disso, Josafá, embora disposto a honrar a aliança que fizera com Acabe, ainda se mostrava inclinado ao Senhor. O rei de Israel queria tomar de volta dos sírios Ramote-Gileade, uma cidade bastante estratégica, e o rei de Judá o orienta a consultar a Deus antes de ir à batalha. Josafá conhecia muito bem a história de seu pai com os profetas e, por seu conselho e sua vida reta diante do Senhor, podemos deduzir que ele tratava as profecias com muita seriedade. Por mais que Acabe tenha reunido seus quatrocentos profetas e estes tenham profetizado sua vitória unanimemente, Josafá não se deu por convencido e, com uma pergunta sugestiva, fez com que o rei de Israel convocasse algum profeta do Senhor que ainda houvesse no reino. A ênfase dada a isso denota que aqueles quatrocentos profetas do rei não eram confiáveis e a insistência do rei de Judá em consultar verdadeiramente a Deus provavelmente indica que ele já tivesse em mente que o Altíssimo não seria favorável ao obstinado Acabe. Por não querer desonrar o acordo, talvez Josafá acreditasse que Acabe recuaria diante da Palavra divina.
É curioso notar que Acabe reconhecia em Micaías um profeta por meio do qual se poderia consultar ao Senhor e expressa o quanto o odeia por sua distinção dos demais profetas: ele só profetizava coisas ruins a respeito do rei de Israel. Josafá novamente demonstra seu temor a Deus ao repreender Acabe por essa fala.
Enquanto aguardavam Micaías, aqueles quatrocentos profetas do rei de Israel estavam profetizando em transe e um deles, Zedequias, fez chifres para profetizar que com eles Acabe destruiria os arameus. Pode-se concluir, diante desses elementos, que muito provavelmente estava ocorrendo ali um culto idólatra, tanto pelo transe dos profetas quanto pelos chifres, uma vez que Baal era bastante associado à figura de um touro. O mensageiro real que foi buscar Micaías tenta coagi-lo a profetizar o bem a respeito do rei, mas o profeta do Senhor se recusa a falar qualquer coisa diferente do que Deus ordenasse.
Ao chegar à presença do rei, o qual o questionou se deveria ir à guerra ou não, Micaías, que já conhecia a dureza do coração do rei, tal qual Elias, e provavelmente a essa altura já estava preso por isso, profetiza de forma sarcástica que o rei será vitorioso na batalha. Acabe, apesar de sua obstinação, sabe que estava em posição de inimizade contra Deus e que Micaías era um profeta do Senhor e jamais falaria algo bom a seu respeito, pois Deus, que põe as palavras na boca do profeta verdadeiro, abominava aquele rei. Então Micaías fala seriamente que Deus já havia decretado a ruína de Acabe nessa guerra e usou aqueles falsos profetas, por meio de um espírito mentiroso, para enganá-lo. Por essa razão, Micaías apanhou de um dos falsos profetas e foi lançado na prisão pelo rei, o qual, debochando do profeta, afirmou que voltaria em segurança da guerra. Contudo, o homem de Deus garantiu que, se isso acontecesse, não era o Senhor quem teria falado por ele. Em outras palavras, Micaías garantiu que Acabe morreria nessa batalha, pois a Palavra do Eterno não falha.
Nesse ponto, observa-se a completa omissão de Josafá. Ele estava presente naquela abominação que os falsos profetas estavam promovendo e não se posicionou. Ele presenciou Micaías sendo esbofeteado e mandado para a prisão por profetizar o que o Senhor havia ordenado e não fez nada em favor do profeta. Por fim, ele preferiu ir à guerra com Acabe, contra o conselho do Altíssimo que ele próprio havia orientado o rei de Israel a buscar, honrando mais a aliança com o ímpio do que a Palavra de Deus pela boca do Seu profeta.
Acabe, covardemente, intentado impedir o cumprimento da profecia do Senhor, disfarçou-se na guerra e apenas Josafá usou trajes reais. Por muito pouco o rei de Judá não foi confundido com o perverso rei de Israel por isso e morto. Foi pela infinita misericórdia de Deus que Josafá foi poupado quando clamou pelo socorro divino. Quanto à Acabe, uma flecha disparada ao acaso o feriu e matou. Ele, de fato, escondeu-se do exército do rei da Síria, mas a mão do Senhor guiou uma flecha ao acaso por entre os encaixes da sua armadura para matá-lo e cumprir o Seu decreto imutável e verdadeiro proferido pelos lábios de Micaías.
Josafá foi, sim, poupado da morte quando clamou pelo socorro do Senhor, mas Deus enviou ao seu encontro Jeú, filho do mesmo profeta que repreendeu a falta de confiança do seu pai, Asa. O profeta o advertiu por ter se associado a um homem que odiava o Eterno, razão pela qual a ira divina estava sobre ele. Contudo, o rei de Judá foi poupado novamente porque buscava a Deus de todo o seu coração, apesar desse erro. Isso é provado porque, ao contrário de reagir negativamente ao profeta como fizera Asa, seu pai, Josafá se empenhou ainda mais em fazer com que toda a nação se voltasse para o Senhor e aprendesse a Sua Lei (2Cr 19.4-11).
Chegamos, então, ao episódio em que Josafá profere as palavras utilizadas pela Universal para convencer seus fiéis de que ficarão ricos se obedecerem os que os bispos e pastores os disserem para fazer.
Depois disso, os moabitas e os amonitas, com alguns dos meunitas, entraram em guerra contra Josafá. Então informaram a Josafá: "Um exército enorme vem contra ti de Edom, do outro lado do mar Morto. Já está em Hazazom-Tamar, isto é, En-Gedi". Alarmado, Josafá decidiu consultar o SENHOR e proclamou um jejum em todo o reino de Judá. Reuniu-se, pois, o povo vindo de todas as cidades de Judá para buscar a ajuda do SENHOR. Josafá levantou-se na assembleia de Judá e de Jerusalém, no templo do SENHOR, na frente do pátio novo, e orou: "SENHOR, Deus dos nossos antepassados, não és tu o Deus que está nos céus? Tu dominas sobre todos os reinos do mundo. Força e poder estão em tudas mãos, e ninguém pode opor-se a ti. Não és tu o nosso Deus, que expulsaste os habitantes desta terra perante Israel, o teu povo, e a deste para sempre aos descendentes do teu amigo Abraão? Eles a têm habitado e nela construíram um santuário em honra ao teu nome, dizendo: 'Se alguma desgraça nos atingir, seja o castigo da espada, seja a peste, seja a fome, nós nos colocaremos em tua presença diante deste templo, pois ele leva o teu nome, e clamaremos a ti em nossa angústia, e tu nos ouvirás e nos salvarás'. Mas agora, aí estão amonitas, moabitas e habitantes dos montes de Seir, cujos territórios não permitiste que Israel invadisse quando vinha do Egito; por isso os israelitas se desviaram deles e não os destruíram. Vê agora como estão nos retribuindo, ao virem expulsar-nos da terra que nos deste por herança. Ó nosso Deus, não irás tu julgá-los? Pois não temos força para enfrentar esse exército imenso que vem nos atacar. Não sabemos o que fazer, mas os nossos olhos se voltam para ti". (2Cr 20.1-12)
O que se vê aqui não é uma tentativa de compor uma aliança política, uma coalizão militar, aquisição de equipamentos bélicos mais sofisticados ou algo semelhante. Não se repete a história de Asa com Ben-Hadade. Josafá está bem ciente de como deve proceder: o rei precisa confiar no Senhor. Ele reúne todo o povo e, em jejum, clamam a Deus reconhecendo a Sua soberania absoluta, a Sua fidelidade para com Seu povo e a incapacidade de Judá vencer essa batalha sem o auxílio divino. O Todo-Poderoso, então, se levanta em favor do povo que O busca de um modo bastante familiar para Josafá:
Então o Espírito do SENHOR veio sobre Jaaziel, filho de Zacarias, neto de Benaia, bisneto de Jeiel e trineto de Matanias, levita e descendente de Asafe, no meio da assembleia. Ele disse: "Escutem, todos os que vivem em Judá e em Jerusalém e o rei Josafá! Assim diz o SENHOR a vocês: 'Não tenham medo nem fiquem desanimados por causa desse exército enorme. Pois a batalha não é de vocês, mas de Deus. Amanhã, desçam contra eles. Eis que virão pela subida de Ziz, e vocês os encontrarão no fim do vale, em frente do deserto de Jeruel. Vocês não precisarão lutar nessa batalha. Tomem suas posições, permaneçam firmes e vejam o livramento que o SENHOR dará, ó Judá, ó Jerusalém. Não tenham medo nem desanimem. Saiam para enfrentá-los amanhã, e o SENHOR estará com vocês'". Josafá prostrou-se com o rosto em terra, e todo o povo de Judá e de Jerusalém prostrou-se em adoração perante o SENHOR. Então os levitas descendentes do coatitas e dos coreítas levantaram-se e louvaram o SENHOR, o Deus de Israel, em alta voz. De madrugada partiram para o deserto de Tecoa. Quando estavam saindo, Josafá lhes disse: "Escutem-me, Judá e povo de Jerusalém! Tenham fé no SENHOR, o seu Deus, e vocês serão sustentados; tenham fé nos profetas do SENHOR, e terão a vitória". Depois de consultar o povo, Josafá nomeou alguns homens para cantarem ao SENHOR e o louvarem pelo esplendor de sua santidade, indo à frente do exército, cantando: "Deem graças ao SENHOR, pois o seu amor dura para sempre". Quando começaram a cantar e a entoar louvores, o SENHOR preparou emboscadas contra os homens de Amom, de Moabe e dos montes de Seir, que estavam invadindo Judá, e eles foram derrotados. Os amonitas e os moabitas atacaram os dos montes de Seir para destruí-los e aniquilá-los. Depois de massacrarem os homens de Seir, destruíram-se uns aos outros. Quando os homens de Judá foram para o lugar de onde se avista o deserto e olharam para o imenso exército, viram somente cadáveres no chão; ninguém havia escapado. Então Josafá e os seus soldados foram saquear os cadáveres e encontraram entre eles grande quantidade de equipamentos e de roupas e também objetos de valor; passaram três dias saqueando, mas havia mais do que eram capazes de levar. No quarto dia, eles se reuniram no vale de Beraca, onde louvaram o SENHOR. Por isso até hoje esse lugar é chamado vale de Beraca. Depois, sob a liderança de Josafá, todos os homens de Judá e de Jerusalém voltaram alegres para Jerusalém, pois o SENHOR os enchera de alegria, dando-lhes vitória sobre os seus inimigos. Entraram em Jerusalém e foram ao templo do SENHOR, ao som de liras, harpas e cornetas. O temor de Deus veio sobre todas as nações, quando souberam como o SENHOR havia lutado contra os inimigos de Israel. E o reino de Josafá manteve-se em paz, pois o seu Deus lhe concedeu paz em todas as suas fronteiras. (2Cr 20.14-30)
Da mesmíssima forma como o Espírito do Senhor veio sobre Azarias para profetizar ao rei Asa, encorajando-o a expandir sua reforma religiosa em Judá, Ele também desceu sobre Jaaziel para profetizar ao rei Josafá, filho de Asa, que o Senhor dos Exércitos estaria com os homens de Judá nessa peleja. Josafá confiou em Deus, ao invés de apoiar na força e no poder político do homem, reunindo todo o povo em torno do propósito de buscar o auxílio divino. Em resposta ao seu clamor, Deus levantou um profeta no meio deles para lhes transmitir a Sua Palavra santa e imutável.
É dentro desse contexto que o rei Josafá afirma que, se o povo cresse nos profetas do Senhor, venceria aquela batalha. Ele conhecia a história de seu pai Asa. Quando este creu na profecia de Azarias, foi encorajado pela Palavra de Deus a expandir a reforma religiosa e obteve grande êxito com isso. Posteriormente, entretanto, deixou de confiar no Senhor e não creu no profeta Hanani, razão pela qual pereceu. Josafá também acompanhou de perto a ruína de Acabe por não ter crido no profeta Micaías, mas sim nos falsos profetas guiados pelo espírito mentiroso.
Josafá verdadeiramente aprendeu a lição de que a segurança não está no poder econômico, na força bélica ou nas alianças políticas. Somente estará seguro aquele que confia no Senhor, conforme o profeta Jeremias anunciaria a Judá em tempos futuros:
Assim diz o SENHOR: "Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do SENHOR. Ele será como um arbusto no deserto; não verá quando vier algum bem. Habitará nos lugares áridos do deserto, numa terra salgada onde não vive ninguém. Mas bendito é o homem cuja confiança está no SENHOR, cuja confiança nele está. Ele será como uma árvore plantada junto às águas e que estende as suas raízes para o ribeiro. Ela não temerá quando chegar o calor, porque as suas folhas estão sempre verdes; não ficará ansiosa no ano da seca nem deixará de dar fruto". (Jr 17.5-8)
Essa verdade também foi inspiração para o rei Davi:
Agora sei que o SENHOR dará vitória ao seu ungido; dos seus santos céus lhe responde com o poder salvador da sua mão direita. Alguns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós confiamos no nome do SENHOR, o nosso Deus. Eles vacilam e caem, mas nós nos erguemos e estamos firmes. [...] O rei se alegra na tua força, ó SENHOR! Como é grande a sua exultação pelas vitórias que lhe dás! [...] O rei confia no SENHOR: por causa da fidelidade do Altíssimo ele não será abalado. Tua mão alcançará todos os teus inimigos; tua mão direita atingirá todos os que te odeiam. [...] Sê exaltado, SENHOR, na tua força! Cantaremos e louvaremos o teu poder. (Sl 20.6-8; 21.1,7-8,13)
Josafá também aprendeu que a Palavra de Deus, por intermédio dos seu profetas, não falha. Assim como quem crê no Senhor está seguro, quem crê nos Seus profetas vai ter êxito naquilo que Deus prometeu, uma vez que a Sua Palavra certamente se cumprirá. É o que Ele diria através de Isaías posteriormente:
Assim como a chuva e a neve descem dos céus e não voltam para eles sem regarem a terra e fazerem-na brotar e florescer, para ela produzir semente para o semeador e pão para o que come, assim também ocorre com a palavra que sai da minha boca: ela não voltará para mim vazia, mas fará o que desejo e atingirá o propósito para o qual a enviei. (Is 55.10-11)
Exposto o contexto dessa fala do rei Josafá, cumpre-nos ainda impugnar a assimilação dos bispos e pastores da Universal como profetas. Por que eles não são profetas em que se deve crer para prosperar? Deixemos a Bíblia falar por ela mesma:
Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo. O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, ele se assentou à direita da Majestade nas alturas, tornando-se tão superior aos anjos quanto o nome que herdou é superior ao deles. (Hb 1.1-4)
No passado, Deus falou com o povo de Israel de várias maneiras por meio dos profetas. MAS (conjunção adversativa, indicando oposição de ideias) agora Ele fala conosco por meio do Filho, o Qual utiliza apenas uma maneira: o evangelho. As bases da doutrina cristã já foram consolidadas pelos apóstolos designados por Cristo e não há nada a ser acrescentado, pois Cristo é a expressão exata de Deus e sustenta todas as coisas por sua palavra poderosa, sendo superior a todos os anjos e muito mais o é em relação aos profetas.
O que não faltam são alertas bíblicos para que tomemos cuidado com os falsos profetas:
Tratando-se de profetas, falem dois ou três, e os outros julguem cuidadosamente o que foi dito. (1Co 14.29)
Não tratem com desprezo as profecias, mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom. (1Ts 5.20-21)
Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. Vocês podem reconhecer o Espírito de Deus deste modo: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne procede de Deus; mas todo espírito que não confessa Jesus não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo. Filhinhos, vocês são de Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que está no mundo. Eles vêm do mundo. Por isso, o que falam procede do mundo, e o mundo os ouve. Nós viemos de Deus, e todo aquele que conhece a Deus nos ouve; mas quem não vem de Deus não nos ouve. Dessa forma reconhecemos o Espírito da verdade e o espírito do erro. (1Jo 4.1-6)
Os três verbos utilizados são bastante precisos: julgar, pôr à prova e examinar. E o apóstolo João fornece uma excelente forma de julgar as profecias, em perfeita sintonia com o que o autor de Hebreus diz: se não confessa Jesus, não procede de Deus.
Confessar Jesus não significa uma simples menção à Bíblia ou aparência de cristianismo. Em 1Tm 1.20, por exemplo, o apóstolo Paulo afirma que entregou Himeneu e Alexandre à Satanás para que aprendam a não blasfemar. Contudo, não há um indício sequer de que eles tenham blasfemas literalmente. Himeneu é mencionado em 2Tm 2.16-18 por perverter a fé de alguns com conversas inúteis e profanas, dizendo que a ressureição dos mortos já havia acontecido. Alexandre é mencionado em 2Tm 4.14-15 por se opor fortemente às palavras dos apóstolos. Portanto, deturpar o evangelho equivale a blasfemar e, por analogia, não confessar Jesus, tornando quem pratica isso um falso profeta e maldito, conforme Paulo anunciou aos gálatas:
Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou um anjo dos céus pregue um evangelho diferente daquele que pregamos a vocês, que seja amaldiçoado! Como já dissemos, agora repito: Se alguém anuncia a vocês um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado! (Gl 1.6-8)
Como temos exposto incessantemente em nosso artigos com farta fundamentação bíblica, os bispos e pastores da Igreja Universal do Reino de Deus são falsos profetas, que ensinam um evangelho diferente, que visa apenas ao lucro da cúpula dessa instituição, utilizando-se de textos bíblicos descontextualizados para enganar o povo e convencê-los a darem cada vez mais dinheiro para o império de Edir Macedo esperando receber bênçãos materiais de Deus em troca. Anátema!
Não sejamos loucos como Acabe, que deu ouvidos aos seus falsos profetas. Eles eram quatrocentos, uma multidão, mas apenas Micaías estava com a palavra do Senhor. Como o apóstolo João avisou, "muitos falsos profetas têm saído pelo mundo" (1Jo 4.1). Essa realidade tem se proliferado exponencialmente no Brasil, sendo a IURD um dos principais sistemas heréticos em nosso país atualmente. Estão pregando prosperidade financeira, saúde perfeita, riquezas, honra, poder, dinheiro... Isso não foi falado pelo Filho a nós, embora eles tentem fingir uma aparência de cristianismo. Esse materialismo vem do mundo. Nós que somos de Deus ouvimos o que procede de Deus, o que é falado pelo Espírito do Senhor.
Sigamos o exemplo de Josafá. Creiamos no Senhor, e estaremos seguros. Creiamos no Filho, e alcançaremos a vitória sobre a morte e a condenação eterna no grande dia em que Ele voltar para nos ressuscitar e levar para junto de si com corpos glorificados!
Nota: transcrições bíblicas extraídas da Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional ®, NVI ® Copyright © 1993, 2000, 2011 by Biblica, Inc., exceto aquelas cujas descrições indiquem versão diversa.
REFERÊNCIAS OFICIAIS DA UNIVERSAL:
1. O Vale da Decisão, publicado em 30/05/2018.
2. Quatro estratégias para vencer em tempos de crise, publicado em 09/04/2020.
3. A nova Bíblia do Pacto para afirmar a sua aliança com Deus, publicado em 06/02/2021.
4. Nação, publicado em 28/02/2022.
5. A primeira ação da Fé Sábia é eliminar os medos - Meditação Matinal 05/10/22, publicado em 05/10/2022.
6. O jejum do raiar de Deus, publicado em 25/12/2022.
7. Crê nestas Profecias?, publicado em 15/05/2024.




Comentários