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Sacrifícios como sombra de Cristo: principais argumentos da Carta aos Hebreus

Atualizado: 23 de dez. de 2024


Creio que um eficiente ponto de partida para entendermos a relação entre Cristo e os sacrifícios da Antiga Aliança é a Epístola aos Hebreus. Ninguém sabe ao certo quem a escreveu, mas, pelo contexto e referências nela contidas, entende-se que foi destinada a judeus que creram em Cristo e que, devido à perseguição, estavam sendo tentados a retornar ao judaísmo. Muito provavelmente essa carta foi escrita por volta de 60 d.C., anteriormente à destruição do Segundo Templo. Trata-se de um livro recheado de referências à Lei e aos Profetas, apresentando uma profunda e clara argumentação a respeito da superioridade de Cristo sobre todo o sistema mosaico. 

Assim introduz o autor:

Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo. O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, ele se assentou à direita da Majestade nas alturas, tornando-se tão superior aos anjos quanto o nome que herdou é superior ao deles. (Hb 1.1-4)

Essa frase inicial é a síntese de toda a epístola. É o contraste entre a Antiga Aliança, na qual Deus se comunicou com os patriarcas por meio dos profetas e de várias formas diferentes, e a Nova Aliança, na qual Ele se comunica com a humanidade de forma única, por meio do Filho, que é Deus junto ao Pai. O Filho resplandece perfeitamente a glória do Pai, e não de forma gradual e limitada como os símbolos do Velho Testamento, além de ter realizado a purificação dos pecados. Ora, na perspectiva que estamos assumindo acerca dos sacrifícios, qual a necessidade destes agora na Nova Aliança, se a sua função era justamente a expiação dos pecados?

Vemos, todavia, aquele que por um pouco foi feito menor do que os anjos, Jesus, coroado de honra e de glória por ter sofrido a morte, para que, pela graça de Deus, em favor de todos, experimentasse a morte. Ao levar muitos filhos à glória, convinha que Deus, por causa de quem e por meio de quem tudo existe, tornasse perfeito, mediante o sofrimento, o autor da salvação deles. Ora, tanto o que santifica quanto os que são santificados provêm de um só. Por isso Jesus não se envergonha de chamá-los irmãos. [...] Portanto, visto que os filhos são pessoas de carne e sangue, ele também participou dessa condição humana, para que, por sua morte, derrotasse aquele que tem o poder da morte, isto é, o Diabo, e libertasse aqueles que durante toda a vida estiveram escravizados pelo medo da morte. [...] Por essa razão era necessário que ele se tornasse semelhante a seus irmãos em todos os aspectos, para se tornar sumo sacerdote misericordioso e fiel com relação a Deus e fazer propiciação pelos pecados do povo. Porque, tendo em vista o que ele mesmo sofreu quando tentado, ele é capaz de socorrer aqueles que também estão sendo tentados. (Hb 2.9-11,14-15,17-18)

Cristo é o autor da nossa salvação. Salvação de que? Da morte, cujo medo nos escraviza, consequência do nosso pecado. Como Ele nos salva? Participando da nossa condição humana e morrendo em nosso favor. Qual a garantia de que isso foi válido? Ele foi aperfeiçoado por meio do sofrimento e jamais pecou, sendo, portanto, inocente. Qual a imagem por detrás de tudo isso? Sacrifício. 

Contudo, não para por aí. Não é só expiação que vemos na obra de Cristo. Vemos também comunhão: Cristo nos santifica para nos tornamos filhos de Deus e, portanto, Seus irmãos. Ainda, Ele, não sendo somente o sacrifício, mas também o mediador entre Deus e a humanidade, torna-se, pois, nosso sumo sacerdote, sendo, em razão de ter sido também tentado, extremamente misericordioso.

Ele foi fiel àquele que o havia constituído, assim como Moisés foi fiel em toda a casa de Deus. Jesus foi considerado digno de maior glória do que Moisés, da mesma forma que o construtor de uma casa tem mais honra do que a própria casa. Pois toda casa é construída por alguém, mas Deus é o edificador de tudo. Moisés foi fiel como servo em toda a casa de Deus, dando testemunho do que haveria de ser dito no futuro, mas Cristo é fiel como Filho sobre a casa de Deus; e essa casa somos nós, se é que nos apegamos firmemente à confiança e à esperança da qual nos gloriamos. (Hb 3.2-6)

O Senhor Jesus não é um personagem novo na História querendo usurpar o lugar de honra de alguém. Na verdade, Ele é o Filho, é um só Deus com o Pai. Moisés serviu como servo na casa (povo) que Deus edificou para Si. Contudo, Cristo é participante de todas as coisas do Pai, herdeiro legítimo, e por meio dEle tudo foi criado. Portanto, Cristo é superior a Moisés e à Lei.

Visto que nos foi deixada a promessa de entrarmos no descanso de Deus, que nenhum de vocês pense que falhou. Pois as boas-novas foram pregadas também a nós, tanto quanto a eles; mas a mensagem que eles ouviram de nada lhes valeu, pois não foi acompanhada da fé por aqueles que a ouviram. Pois nós, os que cremos, é que entraremos naquele descanso, conforme Deus disse: “Assim jurei na minha ira: Jamais entrarão no meu descanso”; embora as suas obras estivessem concluídas desde a criação do mundo. Pois em certo lugar ele falou sobre o sétimo dia, nestas palavras: “No sétimo dia Deus descansou de toda obra que realizara’. E de novo, na passagem citada há pouco, diz: “Jamais entrarão no meu descanso”. Portanto, restam entrar alguns naquele descanso, e aqueles a quem anteriormente as boas-novas foram pregadas não entraram, por causa da desobediência. Por isso Deus estabelece outra vez um determinado dia, chamando-o “hoje”, ao declarar muito tempo depois, por meio de Davi, de acordo com o que fora dito antes: “Se hoje vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração”. Porque, se Josué lhes tivesse dado descanso, Deus não teria falado posteriormente a respeito de outro dia. Assim, ainda resta um descanso sabático para o povo de Deus; pois todo aquele que entra no descanso de Deus também descansa das suas obras, como Deus descansou das suas. Portanto, esforcemo-nos por entrar nesse descanso, para que ninguém venha a cair, seguindo aquele exemplo de desobediência. (Hb 4.1-11)

O autor da epístola aos hebreus segue sua linha argumentativa tratando sobre a promessa do Senhor ao povo de Israel de entrar em Seu descanso. Sabemos que Deus descansou de todas as suas obras no sétimo dia, após a criação (Gn 2.2-3). Ele, inclusive, determinou que os israelitas santificassem o sábado para também descansarem de suas obras, sob esse princípio (Ex 20.8-11). 

Aos patriarcas fora prometido que a sua descendência herdaria a terra de Canaã. Quando chamou a Moisés, Deus reiterou Sua promessa de, ao livrá-los da opressão egípcia, levá-los a tomar possa dessa terra prometida, terra que mana leite e mel (Ex 3.7-8). Contudo, pela incredulidade daquele povo, o Eterno os impediu de entrar no Seu descanso. Após terem sido poderosamente libertos das mãos de Faraó e conduzidos pelo Senhor no deserto com grande poder, quando foi finalmente realizada a espionagem da terra prometida, eles, ao invés de se animarem ao ser confirmado que a terra era realmente muito boa, responderam com incredulidade diante do poderio humano dos povos que habitavam aquela região, por mais que já tivessem tido provas suficientes da infinita superioridade do poder do Deus que os chamou para adentrar aquela terra. Todo o povo começou a chorar em alta voz, murmurando contra Moisés e Arão, desejando que tivessem sido deixados para morrer no Egito ou no deserto, o que seria preferível a morrer pela espada na tentativa de tomar posse da terra prometida, chegando a cogitarem escolher um outro chefe que os conduzisse de volta ao Egito (Nm 14.1-3). Por mais que Josué e Calebe tentassem convencer a comunidade de quão boa era a terra e do poder de Deus para entregá-la nas mãos do Seu povo, eles permaneceram na incredulidade, intentando, inclusive, apedrejá-los (Nm 14.5-10). 

Diante de tamanha disposição incrédula do povo, o restante do décimo quarto capítulo de Números relata que o Senhor decretou que nenhum deles entraria na terra prometida, senão Josué e Calebe, os únicos espias que trouxeram o relatório com otimismo. Os demais espias morreram subitamente de praga e todo o restante do povo que saiu do Egito morreu no deserto, sobrando apenas a nova geração, a qual o Senhor garantiu que entraria na terra prometida. 

O autor, diante de toda essa conjuntura, sustenta que, da mesma forma como o descanso foi prometido aos hebreus no passado, ele também se nos apresenta hoje, sob a forma do evangelho, pois essa promessa nunca falhou. A falha, na verdade, estava na incredulidade de muitos que a ouviram no passado, sem que isso fosse acompanhado de fé. Podemos ver o exemplo de Josué e Calebe: creram e tomaram posse da terra prometida. 

Contudo, o descanso do Senhor não se limita à terra de Canaã. Se assim o fosse, Davi, séculos depois, quando a terra já havia sido ocupada há muito por Israel, não teria composto o salmo citado ao fim do terceiro capítulo da epístola:

Hoje, se vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração, como na rebelião, durante o tempo da provação no deserto, onde os seus antepassados me tentaram, pondo-me à prova, apesar de, durante quarenta anos, terem visto o que eu fiz. (Hb 3.7-9)

A acertada indagação é: se o descanso estivesse limitado à posse da terra prometida, por que Davi teria usado o advérbio “hoje”, séculos depois da posse da terra prometida? A reposta é que ainda resta um descanso sabático para o povo de Deus: um descanso espiritual e definitivo. Da mesma forma que Deus descansou da sua obra criadora, nós, se crermos no evangelho de Cristo, poderemos descansar também de todo sofrimento, opressão e condenação que o pecado nos trouxe, à semelhança de Israel que foi liberto da opressão egípcia para desfrutar da terra que mana leite e mel.

Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda a firmeza à fé que professamos, pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade. Todo sumo sacerdote é escolhido dentre os homens e designado para representá-los em questões relacionadas com Deus e apresentar ofertas e sacrifícios pelos pecados. Ele é capaz de se compadecer dos que não têm conhecimento e se desviam, visto que ele próprio está sujeito à fraqueza. Por isso ele precisa oferecer sacrifícios por seus próprios pecados, bem como pelos pecados do povo. Ninguém toma essa honra para si mesmo, mas deve ser chamado por Deus, como de fato o foi Arão. Da mesma forma, Cristo não tomou para si a glória de se tornar sumo sacerdote, mas Deus lhe disse: ‘‘Tu és meu Filho; eu hoje te gerei’’. E diz noutro lugar: ‘‘Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque’’. Durante os seus dias de vida na terra, Jesus ofereceu orações e súplicas, em alta voz e com lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, sendo ouvido por causa da sua reverente submissão. Embora sendo Filho, ele aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu; e, uma vez aperfeiçoado, tornou-se a fonte da salvação eterna para todos os que lhe obedecem, sendo designado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque. (Hb 4.14-16; 5.1-10)

A primeira coisa que se destaca nesse trecho é que Cristo é um grande sumo sacerdote que temos. Ele, à diferença dos demais sumo sacerdotes, não adentrou o Lugar Santíssimo da Tenda do Encontro ou do Templo de Salomão, mas, sim, os céus, isto é, o Santuário Celestial. Cristo está à direita do próprio Pai intercedendo por nós, conforme a lição do apóstolo Paulo:

Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? Foi Cristo que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós. (Rm 8.33-34)

Por essa razão, o autor da epístola aos hebreus encoraja os cristãos a se apegarem com firmeza a essa fé e se aproximar do trono da graça com toda a confiança. Não devemos mais ter o receio de nos aproximarmos de Deus, como tinham os israelitas, tanto no Sinai, quanto no sistema sacrificial do Tabernáculo/Templo. Temos um sumo sacerdote muito superior, Jesus Cristo, que em tudo foi tentado, mas sem pecado, e foi aperfeiçoado pelo Pai no sofrimento, tornando-se fonte da salvação eterna para todos os que ouvem a Sua Palavra, creem e a praticam. Ele não se autodesignou, mas foi o próprio Deus que O fez, segundo a ordem de Melquisedeque, o sacerdote a quem Abraão honrou dando-lhe o dízimo de tudo, participando com ele do pão e do vinho e sendo por ele abençoado. Quando Israel e todo o sistema mosaico ainda eram semente de Abraão, a ordem sacerdotal de Cristo já era vigente e apontava para Ele, sendo muito superior à ordem mosaica.

Temos essa esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu, onde Jesus, que nos precedeu, entrou em nosso lugar, tornando-se sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. Esse Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, encontrou-se com Abraão quando este voltava, depois de derrotar os reis, e o abençoou; e Abraão lhe deu o dízimo de tudo. Em primeiro lugar, seu nome significa “rei de justiça”; depois, “rei de Salém”, que quer dizer “rei de paz”. Sem pai, sem mão, sem genealogia, sem princípio de dias nem fim de vida, feito semelhante ao Filho de Deus, ele permanece sacerdote para sempre. Considerem a grandeza desse homem: até mesmo o patriarca Abraão lhe deu o dízimo dos despojos! A Lei requer dos sacerdotes entre os descendentes de Levi que recebam o dízimo do povo, isto é, dos seus irmãos, embora estes sejam descendentes de Abraão. Este homem, porém, que não pertencia à linhagem de Levi, recebeu os dízimos de Abraão e abençoou aquele que tinha as promessas. Sem dúvida alguma, o inferior é abençoado pelo superior. No primeiro caso, quem recebe o dízimo são homens mortais; no outro caso, é aquele de quem se declara que vive. Pode-se até dizer que Levi, que recebe os dízimos, entregou-os por meio de Abraão, pois, quando Melquisedeque se encontrou com Abraão, Levi ainda não havia sido gerado. (Hb 6.19-20; 7.1-10)

Melquisedeque era um tipo de Cristo, era um homem de Deus que apontava profeticamente para o que viria a ser o sacerdócio do Senhor Jesus. Seu nome significa “rei de justiça”, e Cristo é o rei da justiça (Sl 45.6-7; Is 32.1). Sua designação significa “rei de paz”, e Cristo é o rei da paz (Is 9.6-7; 2Ts 3.16). O fato de as Escrituras não apresentarem sua genealogia, ao contrário do que era ordinariamente feito em Gênesis, demonstra que esse sacerdócio nunca teve fim, é eterno e independe de filiação sanguínea. Ainda, no que tange ao sacerdócio levítico, a ordem de Melquisedeque é superior porque a própria ordem de Levi, por meio de Abraão, reconheceu a sua superioridade.

Se fosse possível alcançar a perfeição por meio do sacerdócio levítico (visto que em sua vigência o povo recebeu a Lei), por que haveria ainda necessidade de se levantar outro sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque e não de Arão? Certo é que, quando há mudança de sacerdócio, é necessário que haja mudança de lei. Ora, aquele de que se dizem essas coisas pertencia a outra tribo, da qual ninguém jamais havia servido diante do altar, pois é bem conhecido que o nosso Senhor descende de Judá, tribo da qual Moisés nada fala quanto a sacerdócio. O que acabamos de dizer fica ainda mais claro quando aparece outro sacerdote semelhante a Melquisedeque, alguém que se tornou sacerdote, não por regras relativas à linhagem, mas segundo o poder de uma vida indestrutível. Porquanto sobre ele é afirmado: “Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”. A ordenança anterior é revogada, porque era fraca e inútil (pois a Lei não havia aperfeiçoado coisa alguma), sendo introduzida uma esperança superior, pela qual nos aproximamos de Deus. E isso não aconteceu sem juramento! Outros se tornaram sacerdotes sem qualquer juramento, mas ele se tornou sacerdote com juramento, quando Deus lhe disse: “O Senhor jurou e não se arrependerá: ‘Tu és sacerdote para sempre’”. Jesus tornou-se, por isso mesmo, a garantia de uma aliança superior.  (Hb 7.11-22)

O autor da carta agora começa a introduzir a natureza transitória e incompleta do sistema mosaico, assunto bastante tratado em vários dos outros artigos que compõem este projeto, especialmente o artigo “‘A letra mata’: a falácia que tem permitido a sobrevivência de uma multidão de analfabetos da fé”. Se o sistema levítico fosse suficiente para aperfeiçoar o homem, não seria necessário que se profetizasse o estabelecimento de um sacerdote de ordem diversa da de Levi, qual seja, de Melquisedeque (Sl 110.4), sacerdote esse não ordenado por linhagem, mas por juramento do Senhor. Cristo se tornou sacerdote por meio da Sua ressureição, de modo que Sua vida não pode ser destruída e nunca terá fim. Seu sacerdócio, portanto, é eterno. É justamente aí que reside a prova de que seu sacerdócio é superior ao de Levi e também o é a Nova Aliança da qual Ele é o garantidor.

Ora, daqueles sacerdotes tem havido muitos, porque a morte os impede de continuar em seu ofício; mas, visto que vive para sempre, Jesus tem um sacerdócio permanente. Portanto, ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, se aproximam de Deus, pois vive sempre para interceder por eles. É de um sumo sacerdote como esse que precisávamos: santo, inculpável, puro, separado dos pecadores, exaltado acima dos céus. Ao contrário dos outros sumos sacerdotes, ele não tem necessidade de oferecer sacrifícios dia após dia, primeiro por seus próprios pecados e, depois, pelos pecados do povo. E ele o fez uma vez por todas quando a si mesmo se ofereceu. Pois a Lei constituiu sumos sacerdotes a homens que têm fraquezas; mas o juramento, que veio depois da Lei, constitui o Filho perfeito para sempre. O mais importante do que estamos tratando é que temos um sumo sacerdote como esse, o qual se assentou à direita do trono da Majestade nos céus e serve no santuário, no verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, e não o homem. Todo sumo sacerdote é constituído para apresentar ofertas e sacrifícios; por isso, era necessário que também este tivesse algo a oferecer. Se ele estivesse na terra, nem seria sumo sacerdote, visto que já existem aqueles que apresentam as ofertas prescritas pela Lei. Eles servem num santuário que é cópia e sombra daquele que está nos céus, já que Moisés foi avisado quando estava para construir o tabernáculo: “Tenha o cuidado de fazer tudo segundo o modelo que lhe foi mostrado no monte”. Agora, porém, o ministério que Jesus recebeu é superior ao deles, assim como também a aliança da qual ele é mediado é superior à antiga, sendo baseada em promessas superiores. (Hb 7.23-28; 8.1-6)

Nesse ponto, é importante bastante atenção para o que o capítulo se propõe a defender. A conclusão de toda a linha argumentativa até aqui é esta: Cristo tem um sacerdócio PERMANENTE, é capaz de salvar DEFINITIVAMENTE os que creem Nele e sacrificou UNICAMENTE quando Se ofereceu a Si mesmo. Já vimos no capítulo anterior que a noção geral de sacrifício, qualquer que seja ele, envolve no fim das contas a expiação dos pecados para aceitação do homem diante de Deus. Jesus Cristo, nosso Senhor, realizou o ÚLTIMO e DEFINITIVO sacrifício na cruz do Calvário. Já não há mais sacrifícios a serem aceitos por Deus. Todos eles eram apenas sombra do verdadeiro sacrifício que haveria de ser feito pelo Messias. Cristo não tem pecados e não necessita apresentar continuamente sacrifícios pelos pecados. O Filho perfeito foi sacrificado, ressuscitou e adentrou o verdadeiro Lugar Santíssimo, o Santuário Celestial, e está à direita do Pai intercedendo por nós. É um ministério muito superior ao levítico e uma aliança não baseada em promessas terrenas, mas celestiais. 

Diante disso, o autor cita a profecia do trigésimo primeiro capítulo de Jeremias:

Pois, se aquela primeira aliança fosse perfeita, não seria necessário procurar lugar para outra. Deus, porém, achou o povo em falta e disse: ‘‘Estão chegando os dias, declara o Senhor, quando farei uma nova aliança com a comunidade de Israel e com a comunidade de Judá. Não será como a aliança que fiz com os seus antepassados, quando os tomei pela mão para tirá-los do Egito; visto que eles não permaneceram fiéis à minha aliança, eu me afastei deles’’, diz o Senhor. ‘‘Esta é a aliança que farei com a comunidade de Israel depois daqueles dias’’, declara o Senhor. ‘Porei minhas leis em sua mente e as escreverei em seu coração. Serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Ninguém mais ensinará o seu próximo nem o seu irmão, dizendo: ‘Conheça o Senhor’, porque todos eles me conhecerão, desde o menor até o maior. Porque eu lhes perdoarei a maldade e não me lembrarei mais dos seus pecados’’. Chamando ‘‘nova’’ essa aliança, ele tornou antiquada a primeira; e o que se torna antiquado e envelhecido está a ponto de desaparecer. (Hb 8.7-13)

A Nova Aliança, ao invés de agir externamente, como a Antiga Aliança, promove a mudança interior do homem, por meio da obra de Cristo e da santificação que o Seu Espírito realiza na vida dos que creem. Em vez de o homem tentar se moldar pela Lei Mosaica, externa, sendo controlado, contudo, por um coração corrupto, agora o seu coração é transformado e tem nele inscritas as leis divinas, sendo habilitado a viver de acordo com elas. Essa Aliança, portanto, torna desnecessária a anterior.

Ora, a primeira aliança tinha regras para a adoração e também um santuário terreno. [...] Estando tudo assim preparado, os sacerdotes entravam regularmente no Lugar Santo do tabernáculo, para exercer o seu ministério. No entanto, somente o sumo sacerdote entrava no Lugar Santíssimo, apenas uma vez por ano, e nunca sem apresentar o sangue do sacrifício, que ele oferecia por si mesmo e pelos pecados que o povo havia cometido por ignorância. Dessa forma, o Espírito Santo estava mostrando que ainda não havia sido manifestado o caminho para o Lugar Santíssimo enquanto permanecia o primeiro tabernáculo. Isso é uma ilustração para os nossos dias, indicando que as ofertas e os sacrifícios não podiam dar ao adorador uma consciência perfeitamente limpa. Eram apenas prescrições que tratavam de comida e bebida e de várias cerimônias de purificação com água; essas ordenanças exteriores foram impostas até o tempo da nova ordem. Quando Cristo veio como sumo sacerdote dos benefícios agora presentes, ele adentrou o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito pelo homem, isto é, não pertencente a esta criação. Não por meio de sangue de bodes e novilhos, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Lugar Santíssimo, de uma vez por todas, e obteve eterna redenção. Ora, se o sangue dos bodes e touros e as cinzas de uma novilha espalhadas sobre os que estão cerimonialmente impuros os santificam, de forma que se tornam exteriormente puros, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de forma imaculada a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte, para que sirvamos ao Deus vivo! (Hb 9.1,6-10)

Aqui está uma comparação detalhada, demonstrando-se a superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio levítico. Novamente: Cristo entrou no Lugar Santíssimo de uma vez por todas. Não há continuidade dos sacrifícios a partir da morte e ressureição do nosso Senhor.

Por essa razão, Cristo é o mediador de uma nova aliança para que os que são chamados recebam a promessa da herança eterna, visto que ele morreu como resgate pelas transgressões cometidas sob a primeira aliança. No caso de um testamento, é necessário que se comprove a morte daquele que o fez; pois um testamento só é validado no caso de morte, uma vez que nunca vigora enquanto está vivo quem o fez. Por isso, nem a primeira aliança foi sancionada sem sangue. Quando Moisés terminou de proclamar todos os mandamentos da Lei a todo o povo, levou sangue de novilhos e de bodes, e também água, lã vermelha e ramos de hissopo, e aspergiu o próprio livro e todo o povo, dizendo: ‘Este é o sangue da aliança que Deus ordenou que vocês obedeçam’. Da mesma forma, aspergiu com o sangue o tabernáculo e todos os utensílios das suas cerimônias. De fato, segundo a Lei, quase todas as coisas são purificadas com sangue, e sem derramamento de sangue não há perdão. Portanto, era necessário que as cópias das coisas que estão nos céus fossem purificadas com esses sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios superiores. Pois Cristo não entrou em santuário feito por homens, uma simples representação do verdadeiro; ele entrou nos céus, para agora se apresentar diante de Deus em nosso favor; não, porém, para se oferecer repetidas vezes, à semelhança do sumo sacerdote que entra no Lugar Santíssimo todos os anos, com sangue alheio. Se assim fosse, Cristo precisaria sofrer muitas vezes, desde o começo do mundo. Mas agora ele apareceu uma vez por todas no fim dos tempos, para aniquilar o pecado mediante o sacrifício de si mesmo. Da mesma forma, como o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo, assim também Cristo foi oferecido em sacrifício uma única vez, para tirar os pecados de muitos; e aparecerá segunda vez, não para tirar o pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam. (Hb 9.15-28)

Do mesmo modo como o sangue dos animais sacrificados validava a Antiga Aliança, o sangue de Cristo validou o Novo Testamento. Foi com o sangue do Filho de Deus que pudemos ser resgatados da condenação que nos estava sentenciada em razão das nossas transgressões. É curioso notar que, apesar do simbolismo dos sacrifícios da Lei, eles não tinham o poder de cancelar os pecados. O ritual realizado com o sangue dos animais cobria as transgressões do homem, mas não era capaz de transformar o seu interior corrompido e aperfeiçoá-lo segundo a vontade de Deus. Por isso, os sacrifícios eram contínuos, devido à sua insuficiência nesse aspecto. Cristo, ao contrário, validou a Nova Aliança por meio de um sacrifício único, superior e capaz não só de cobrir, mas também de tirar os pecados de quem nEle crê.

A Lei traz apenas uma sombra dos benefícios que hão de vir, e não a sua realidade. Por isso ela nunca consegue, mediante os mesmos sacrifícios repetidos ano após ano, aperfeiçoar os que se aproximam para adorar. Se pudesse fazê-lo, não deixariam de ser oferecidos? Pois os adoradores, tendo sido purificados uma vez por todas, não mais se sentiriam culpados de seus pecados. Contudo, esses sacrifícios são uma recordação anual dos pecados, pois é impossível que o sangue de touros e bodes tire pecados. Por isso, quando Cristo veio ao mundo, disse: ‘‘Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste; de holocaustos e ofertas pelo pecado não te agradaste. Então eu disse: Aqui estou, no livro está escrito a meu respeito; vim para fazer a tua vontade, ó Deus’’. Primeiro ele disse: ‘‘Sacrifícios, ofertas, holocaustos e ofertas pelo pecado não quiseste nem deles te agradaste’’ (os quais eram feitos conforme a Lei). Então acrescentou: ‘‘Aqui estou; vim para fazer a tua vontade’’. Ele cancela o primeiro para estabelecer o segundo. Pelo cumprimento dessa vontade fomos santificados, por meio do sacrifício do corpo de Jesus Cristo, oferecido uma vez por todas. Dia após dia, todo sacerdote apresenta-se e exerce os seus deveres religiosos; repetidamente oferece os mesmos sacrifícios, que nunca podem remover os pecados. Mas, quando esse sacerdote acabou de oferecer, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à direita de Deus. Daí em diante, ele está esperando até que os seus inimigos sejam como estrado dos seus pés; porque, por meio de um único sacrifício, ele aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados. O Espírito Santo também nos testifica a esse respeito. Primeiro ele diz: ‘‘Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor. Porei as minhas leis em seu coração e as escreverei em sua mente’’; e acrescenta: ‘‘Dos seus pecados e iniquidades não me lembrarei mais’’. Onde esses pecados foram perdoados, não há mais necessidade de sacrifício por eles. (Hb 10.1-18)

Aqui chegamos no ápice da argumentação do autor da epístola aos hebreus, razão pela qual a escolhi para explicar por si mesma o tema do presente capítulo. Todo o sistema mosaico era apenas uma sombra do que viria no futuro por meio de Cristo. A sombra revela, distorcidamente, os traços e a forma, mas não é capaz de revelar o conteúdo, a cor, a dimensão real. O povo de Israel estava sendo gradativamente instruído, ao longo dos séculos, acerca dos símbolos que apontavam para o significado da obra redentora de Cristo. Eram eles a nação que Deus separou, dentre todos os povos, para anunciar o Seu nome a toda a humanidade. Da raiz judaica, descendência de Abraão, veio a salvação para todas as famílias da terra, na pessoa de Jesus Cristo. Por meio da Lei e dos Profetas, podemos hoje compreender a magnífica redenção que temos por nosso Senhor, pois é dEle que todas as Escrituras Sagradas davam testemunho: eram como uma sombra de Si. 

É excelente a citação que é feita do salmo 40, cujas palavras proféticas de Davi expressavam perfeitamente a obra do Filho de Deus. E não é somente nessa passagem bíblica que o Eterno demonstra a insuficiência dos sacrifícios. Deus não se agradava de sacrifícios ou legalismo, visto que não eram capazes de transformar definitivamente o coração pecaminoso do homem. Mas “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor” (Rm 7.25), que foi o único capaz de nos livrar da servidão do pecado! E isso Ele fez com um perfeito sacrifício, uma única vez, por meio do qual nos aperfeiçoou de forma definitiva segundo a boa vontade do Pai. O Altíssimo, portanto, cancelou a Antiga Aliança, baseada na Lei e nos sacrifícios, e estabeleceu a Nova Aliança, baseada no sangue de Jesus Cristo.

Portanto, irmãos, temos plena confiança para entrar no Lugar Santíssimo pelo sangue de Jesus, por um novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é, do seu corpo. Temos, pois, um grande sacerdote sobre a casa de Deus. Assim, aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os corações aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada e os nossos corpos lavados com água pura. Apeguemo-nos com firmeza à esperança que professamos, pois aquele que prometeu é fiel. E consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês veem que se aproxima o Dia. (Hb 10.19-25)

Diante de todo o exposto, o apelo conclusivo do autor da carta se inicia com a confiança com a qual devemos entrar no Lugar Santíssimo pelo sangue de Jesus. Já vimos anteriormente que, quando entrava no Lugar Santíssimo, o sumo sacerdote da ordem de Levi o fazia com bastante fumaça do incenso por receio de ser morto por contemplar a glória de Deus sobre o propiciatório da arca. Cristo, porém, nos abriu um novo e vivo caminho, por Seu corpo sacrificado em nosso favor, a fim de que possamos ter livre acesso à presença do Pai. Não foi coincidência o véu ter se rasgado quando Ele consumou Seu sacrifício (Mt 27.51; Mc 15.38; Lc 23.45). 

À vista dessa possibilidade de livre acesso à santa presença do Senhor, o cristão deve fazê-lo com um coração sincero e plena convicção de fé na suficiência do sacrifício de Cristo, que o purifica de todo pecado e mácula. Deve também se apegar com firmeza à esperança na redenção plena e definitiva que o Senhor Jesus irá consumar por ocasião de Sua segunda vinda. Deve, ainda, viver em amorosa comunhão com seus irmãos em Cristo, os quais devem se ajudar mutuamente e estar sempre se reunindo em santo ajuntamento, especialmente quando se torna cada vez mais evidente a aproximação do Dia do Senhor.

Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Senhor. Cuidem que ninguém se exclua da graça de Deus; que nenhuma raiz de amargura brote e cause perturbação, contaminando muitos; que não haja nenhum imoral ou profano, como Esaú, que por uma única refeição vendeu os seus direitos de herança como filho mais velho. Como vocês sabem, posteriormente, quando quis herdar a bênção, foi rejeitado; e não teve como alterar a sua decisão, embora buscasse a bênção com lágrimas. Vocês não chegaram ao monte que se podia tocar, e que estava em chamas, nem às trevas, à escuridão, nem à tempestade, ao soar da trombeta e ao som de palavras tais que os ouvintes rogaram que nada mais lhes fosse dito; pois não podiam suportar o que lhe estava sendo ordenado: ‘‘Até um animal, se tocar no monte, deve ser apedrejado’’. O espetáculo era tão terrível que até Moisés disse: ‘‘Estou apavorado e trêmulo!’’ Mas vocês chegaram ao monte Sião, à Jerusalém celestial, à cidade do Deus vivo. Chegaram aos milhares de milhares de anjos em alegre reunião, à igreja dos primogênitos, cujos nomes estão escritos nos céus. Vocês chegaram a Deus, juiz de todos os homens, aos espíritos dos justos aperfeiçoados, a Jesus, mediador de uma nova aliança, e ao sangue aspergido, que fala melhor do que o sangue de Abel. (Hb 12.14-24)

Outra recomendação muito importante constante na epístola em comento é a de que devemos nos esforçar para viver em paz com todos, isto é, a conciliação, pois foi isso o que Cristo estabeleceu pelo Seu sangue derramado na cruz (Cl 1.20), e para sermos santos, o que também só é possível por meio do sangue do nosso Senhor. Sejamos também cuidadosos para que nenhum dos irmãos acabe se afastando da graça de Deus, negligenciando o Seu dom gratuito e voltando à prática do pecado. Não podemos permitir que brote nenhuma raiz de amargura, uma alusão à Dt 29.16-20, que condena o abandono do Todo-Poderoso para seguir outros deuses, bem como não podemos consentir com a imoralidade no nosso meio, com o exemplo de Esaú, o qual, no afã de satisfazer sua fome, se precipitou e trocou irreversivelmente a sua bênção por um prato de lentilhas. 

Os judeus convertidos a Cristo, destinatários primários dessa carta, são advertidos a terem a plena ciência de que, embora tenham sido impedidos pela Lei de se achegarem ao Monte Sinai, representativo da Aliança da Lei, o sacrifício do Senhor Jesus lhes permitiu chegar ao Monte Sião, que em toda a Escritura figura a morada do Altíssimo, por meio da Nova Aliança, não mais da Lei, mas da Graça de Deus. 

Conforme tudo o que fora exposto até aqui, resta evidenciada a descontinuidade das práticas sacrificiais, em virtude do sacrifício único e definitivo de nosso Senhor Jesus Cristo. Procurei ser o mais pontual possível em meus comentários, a fim de que o texto bíblico pudesse falar por si só, dada a clareza argumentativa da carta aos hebreus. Seria possível um maior aprofundamento em muitos tópicos dela, tanto nos trechos citados, quanto nos demais. Todavia, a intenção original é de que as abordagens sejam objetivas ao máximo, a fim de não tornar o estudo tão cansativo e despertar o interesse pela autonomia no exame bíblico e na pesquisa bibliográfica.


Nota: transcrições bíblicas extraídas da Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional ®, NVI ® Copyright © 1993, 2000, 2011 by Biblica, Inc., exceto aquelas cujas descrições indiquem versão diversa.



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