A farsa da Fogueira Santa de Israel: a obsolescência dos sacrifícios pela perpetuidade do sacrifício de Cristo
- universalheresias
- 22 de dez. de 2024
- 66 min de leitura
Atualizado: 23 de dez. de 2024
Este artigo faz parte de um conjunto de exposições em ordem lógica:
Sacrifícios no Antigo Testamento: breve resumo histórico e classificação
Sacrifícios como sombra de Cristo: principais argumentos da Carta aos Hebreus
Breve comparativo entre os sacrifícios do Antigo Testamento e Cristo
Obsolescência dos sacrifícios pela perpetuidade do sacrifício de Cristo
Tendo em vista o panorama bíblico acerca dos sacrifícios no Antigo Testamento e o pleno cumprimento do seu significado em Cristo, cumpre-nos agora identificar se, diante de todo esse arcabouço teológico, há algum fundamento razoável que justifique a prática de sacrifícios de que a Igreja Universal do Reino de Deus tanto fala.
A Fogueira Santa de Israel, segundo a própria IURD, é a maior campanha de mudança de vidas promovida por ela. Portanto, de tudo o que se prega e ensina na Universal, a Fogueira Santa é o que tem destaque principal. Essa campanha acontece semestralmente, em julho e dezembro. Cada "edição" tem um personagem bíblico e um lugar relacionado ao seu sacrifício. Define-se uma data específica em que os fiéis deverão subir ao "altar" com o seu sacrifício.
Antigamente, o período de preparação costumava durar 2 semanas e a data do sacrifício era num domingo. Durante esse tempo, os bispos e pastores pregam sobre a história desse personagem e ensinam que se o fiel oferecer o "perfeito sacrifício" no "altar", vai alcançar os mesmos resultados extraordinários que esse personagem. Atualmente, porém, esse período de preparação já dura um mês ou mais, com um tremendo esforço de espiritualização da campanha, a fim de neutralizar as críticas de materialismo, e o fiel pode subir ao "altar" em algumas outras correntes, como a da "Prosperidade com Deus", na segunda-feira, por exemplo, não mais se restringindo ao domingo. Assim, uma pessoa que está "sacrificando" pela sua vida amorosa pode cumprir seu voto na "Terapia do Amor", na quinta-feira, ao invés de fazê-lo no domingo. Além disso, geralmente está se atrelando o tema da "Consagração dos Dizimistas" com algo relacionado ao personagem da Fogueira Santa, o que implicitamente pode render até mais do que um mês de preparação.
Nas reuniões ao longo do período, tudo gira em torno da Fogueira Santa. De um modo ou de outro, as pregações e as orações vão convergir para o assunto da campanha. Até mesmo as pregações sobre arrependimento e salvação acabam sendo enviesadas. É oportunizado aos fiéis em cada reunião que subam/toquem no "altar" para pegar o seu envelope da campanha de Israel ou reafirmar, caso já o tenham feito. Antigamente quem não pegava era publicamente discriminado. Hoje em dia isso é bem mais sutil. Também não se dá mais um envelope propriamente dito (a menos que tenham voltado com essa prática após o meu desligamento). Agora dão apenas um pedaço de papel personalizado para que a pessoa escreva o seu pedido a Deus. Ela providencia o próprio envelope, coloca o pedido dentro dele junto com o dinheiro e entrega no "altar" na data de cumprimento do voto.
Há, por fim, uma logística de deslocamento dessa arrecadação para a sede estadual ou do bloco, a depender da divisão administrativa da IURD em cada lugar, que vai ser controlada pela área administrativa da instituição. Ao fiel não se dará o direito à transparência financeira, prestação de contas ou algo do tipo.
Mas, afinal, como a própria Igreja Universal define o que seja a Fogueira Santa de Israel? Vejamos:
Esse propósito de fé não se trata de uma mudança ou uma melhora de vida, apenas, mas uma transformação radical em todos os sentidos. Isso porque a pessoa pode chegar aonde jamais imaginou e alcançar a tão esperada realização dos sonhos por meio da fé, determinação e sacrifício. Sacrifício excelente Durante o período da campanha, quem participa concretiza a fé, aplicando toda a força em oferecer a Deus um excelente sacrifício – tanto espiritual como material –, para que, da mesma forma, haja a manifestação das promessas Divinas em sua vida. [...] A Fogueira Santa é para as pessoas dispostas a fazer o verdadeiro sacrifício, entregando a Deus a vida por inteiro. É uma troca. Deus nos dá a Sua plenitude, e nós O entregamos tudo o que somos. Em outras palavras, somos o próprio sacrifício. Fonte: O que é a Fogueira Santa?
Não é de se admirar a existência da Fogueira Santa de Israel: Um propósito de fé, totalmente inspirado na Bíblia, para a transformação completa de vida daquele que crê. Ao lermos a Palavra de Deus nos deparamos com inúmeros exemplos de homens e mulheres de fé que provaram do poder de Deus por meio do sacrifício. [...] Portanto, isso significa que qualquer um que manifestar a mesma fé, a mesma obediência dos heróis da fé do passado obterá os mesmos resultados ou maiores. Ou seja, alcançará a resposta, o milagre, a bênção do Altíssimo. Pois, assim como no passado, Deus continua à procura de pessoas sinceras e imbuídas dessa fé sobrenatural para Se manifestar na vida delas. Fonte: Universal 45 anos: Fogueira Santa, uma revelação do Espírito Santo
É por isso que essa campanha exige um espírito de revolta, fé e sacrifício. Pois, as bênçãos de Deus se manifestam apenas na vida dos que creem. É o tudo de Deus, pelo tudo da pessoa. É uma entrega total de vida. Portanto, depende de como você se apresenta para o Altíssimo. Desse modo, a atitude da pessoa demonstra se ela crê ou não. [...] Geralmente, as pessoas querem conquistar resultados vindos de Deus. No entanto, muitas não estão dispostas a fazer o que Ele pede. Entenda que não é a vontade do Senhor que o Seu povo sofra. Pelo contrário, Ele deseja promover vida em abundância. [...] Fonte: Fogueira Santa de Israel: a verdade sobre a campanha
Edir Macedo, em seu blog, afirma:
A fé sem sacrifício só serve para iludir. Sacrifício é o que identifica, mostra, prova a existência da fé. Sem o sacrifício, a fé é cega. [...] Portanto, a fé bíblica diz respeito à fé sacrificial que a própria fé exige. Fé sem obras, isto é, sem os sacrifícios, é morta, da mesma forma como o corpo sem espírito é morto. E prova disso é o fato de a maioria dos crentes em Jesus viver nos limites da penúria econômica, familiar e, o pior, espiritual. Nenhum milagre de Jesus foi realizado pela fé sem a ação do sacrifício. [...] [...] Sacrifício não trata de quantidade, mas de qualidade. Sacrifício perfeito envolve a alma de cada um. Todos têm condições de subir no Altar e sacrificar. Ainda que a pessoa tenha disponível um centavo, se é o seu tudo, para Deus representa sua alma. Isso é o perfeito sacrifício que o Altar exige. Se não há o perfeito sacrifício, o Altar não recebe e, por conta disso, não responde. Fonte: O Sacrifício
Podemos, a partir dessas publicações da IURD, traçar os elementos mais importantes da sua "teologia do sacrifício":
OBJETIVO | PRINCÍPIOS MOTIVADORES | MÉTODO |
Realização de sonhos; Cumprimento de todas as promessas divinas; Recebimento do "tudo" de Deus; Conquista de algo que se queira muito. | Quem dá tudo a Deus recebe em troca o "tudo" dEle; As promessas divinas se cumprem apenas na vida do que creem; O sacrifício prova a existência da fé; Exemplos de personagens bíblicos que obtiveram resultados após sacrificarem; Deus não mudou e continua agindo como no passado; Uma fé sobrenatural realiza coisas sobrenaturais; Os milagres de Jesus foram realizados com sacrifício; O sacrifício é uma forma de se apresentar a Deus de uma maneira que O agrade. | Excelente sacrifício; Verdadeiro sacrifício; É espiritual e material; É tudo; É a materialização da fé que se tem. |
Júlio Freitas, genro de Edir Macedo, tem uma fala interessante a respeito dessa lógica de materialização da fé por meio de sacrifícios para obtenção das bênçãos divinas:
O que a Fogueira Santa exige, ao contrário do que muitos pensam, é da Fé, e não das pessoas, pois o CdA [Centro de Ajuda - nome que a IURD utiliza em Portugal] não exige nada de ninguém, mas a Fé sim, da própria pessoa! E uma vez a pessoa ouvindo a Palavra e absorvendo o espírito, vai exigir de si mesma uma entrega, o assumir, a materialização da sua crença, e é aí que acontece o maior de todos os milagres, que é a Salvação, a libertação, a conversão, o Batismo com o Espírito Santo… [...] E isto só acontece com uma coisa: a FÉ associada à REVOLTA! Uma sem a outra não realiza a transformação, pois, isoladas, são insuficientes. Independentemente da Fogueira Santa, se a pessoa Sacrifica, se entrega por completo, ela terá sempre uma experiência com o Poder de Deus, pois: • o Sacrifício materializa a sua entrega, a sua dependência, confiança; • o Dízimo materializa a sua fidelidade, a honra, o empenho da sua palavra; • a Oferta voluntária materializa o nosso amor, a gratidão, consideração. ESTA É A TRINDADE DA FÉ BÍBLICA, INTELIGENTE E VERDADEIRA! Fonte: Por quê a Fogueira Santa?
Segundo ele, portanto, as bênçãos celestiais, inclusive a salvação, estão condicionadas à materialização da crença da pessoa. Nesse ponto, a fé, além de só ser eficaz quando materializada, depende da associação à revolta para realizar a transformação na vida de alguém. Por fim, a forma de materializar essa fé é por meio da seguinte trindade: sacrifício + dízimo + oferta voluntária.
Em outro post, comparando o sacrifício de Cristo com o sacrifício da Fogueira Santa, ele diz:
– Não existe coroAÇÃO sem provAÇÃO!!! – Não existe coroa sem antes passar pelo Altar do sacrifício! Fonte: O que acontece durante e após a Fogueira Santa?
Sabemos que, nas Escrituras, a coroa é uma representação da salvação. Então, mais do que prosperidade financeira, fica implícito no texto que não há sequer salvação sem sacrifício.
Nessa lógica universalesca, nem o "ganho de almas" tão repetido como jargão na instituição escapa da necessidade de sacrificar na Fogueira Santa. No blog dos obreiros, assistentes voluntários da IURD, afirma-se que para que eles possam ganhar almas para Cristo é necessário que apresentem sacrifícios contínuos, pois não há outro caminho:
Aqueles que realmente estão querendo ganhar almas para o Senhor Jesus devem se conscientizar da necessidade dos sacrifícios contínuos que terão que oferecer em favor daqueles a quem desejam salvar. [...] O sacrifício se caracteriza pela dor da perda de alguma coisa objetivando outra coisa ainda maior [...]. [...] [...] Quer dizer: a lei do sacrifício teve início com o próprio Deus! Ora, se queremos conquistar também alguma coisa, especialmente almas para o Reino de Deus, não há outro caminho a não ser o do sacrifício, que é a menor distância entre o querer e o realizar! Quem quer ganhar almas precisa aprender a sacrificar, do contrário, nunca vai conseguir fazê-lo! Quando se determina fazer um sacrifício é porque todas as tentativas para alcançar o objetivo falharam, então o sacrificante se lança num último e derradeiro ataque ao seu objetivo determinando o tudo ou nada! Fonte: Fé e Sacrifício
Mas por que outras igrejas nunca fizeram algo parecido ao longo da História? Como surge essa fé da Fogueira Santa nos corações dos líderes e fiéis da Universal? Edir Macedo explica que se trata de uma revelação do próprio Espírito Santo àqueles que participam da campanha de Israel:
O fato é: as promessas Divinas são para todos os povos e nações. Porém, nem todos creem. E é justamente aí que há a separação. O profeta Isaías pergunta: “Quem creu em nossa pregação?”. Em outras palavras: Quem crê que as promessas feitas no Monte Sinai são para hoje também? Quem crê que o sacrifício da fé funciona? “E a QUEM FOI REVELADO o braço do Senhor?” Isaías 53.1 Participam da Fogueira Santa apenas os revelados. Isto é, os revelados pelo Espírito Santo. Fonte: Fogueira Santa
E se a pessoa participou da Fogueira Santa e não obteve o resultado pretendido? Clodomir Santos espiritualiza a resposta, mas no final dá um tiro certeiro: a culpa é dela, jamais da Universal. Deve continuar sacrificando, apesar disso.
O problema é que muitas pessoas têm pressa em ver o resultado de seus sacrifícios e, por isso, acabam desistindo de perseverar com Deus. [...] [...] Isso não quer dizer que você possa se acomodar. Ao contrário, Deus quer vê-lo se sacrificando o tempo todo, tendo a atitude de se entregar a Ele diariamente. É preciso continuar lutando. “Se você plantou, agora tem que cuidar. Não se pode esfriar na fé, tampouco esperar que Deus faça uma mágica para responder”, disse o bispo Clodomir. [...] “Tem coisas que Deus ainda não respondeu, porque não compete a Ele que aconteçam, mas a nós mesmos”, apontou o bispo Clodomir. [...] Então, depois de ter feito o sacrifício no Altar, avalie se ainda há algo que precisa ser corrigido para que seja feita a vontade de Deus em sua totalidade. Por exemplo, se ainda precisa perdoar alguém, faça isso. Se tiver que largar um pecado, não perca tempo e tenha essa atitude, para que se conserte com Deus. [...] Você poderá notar que as adversidades continuarão ou até aumentarão depois do sacrifício. Mas não permita que elas lhe façam duvidar da resposta de Deus. “O diabo não está preocupado com sua vida física, financeira, familiar. Ele usa meios, cria situações e problemas para diminuir a nossa fé. Então, tem que estar com a fé em desenvolvimento e não ficar duvidando, caído, prostrado, desesperado”, comentou o bispo Clodomir. Se você der atenção aos problemas, tiver qualquer receio ou sentir o peso do sacrifício, certamente colocará em risco o cumprimento das promessas dEle, como aconteceu no passado com o povo de Israel no deserto. [...] O mais importante, agora, é continuar com o mesmo espírito do sacrifício e seguir obedecendo à Voz de Deus e aos Seus ensinamentos. Fonte: Você sacrificou no Altar. E agora?
No mesmo estilo do Júlio Freitas, Sergio Corrêa improvisa uma assimilação entre o sacrifício de Cristo e o sacrifício da Fogueira Santa, substituindo "Jesus" por "Sacrifício" nos seguintes textos bíblicos:
Disse o Sacrifício: “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.” João 10.10 “…Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao pai senão por Mim.” João 14.6 “E tudo quanto pedirdes em Meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Sacrifício.” João 14.13 “…Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.” João 8.12 O diabo disse para o Sacrifício: “Que temos nós contigo, ó Sacrifício! Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?” Mateus 8.29 “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros me odiou a Mim.” João 15.18 Lendo esse último versículo, entendo por que muitos dos que estiveram conosco, e se afastaram, odeiam tanto o sacrifício, é porque se tornaram amigos do mundo. [...] E você? Também vai seguir o caminho do sacrifício para ter uma vida em abundância, ser atendido em todos os pedidos, ter a luz da vida, atormentar o diabo e ser odiado pelo mundo por seguir a fé no Sacrifício, que é Jesus? Fonte: O Sacrifício fala
Quem saiu da IURD e não sacrifica mais na Fogueira Santa, portanto, é amigo do mundo, não terá vida em abundância, não será atendido em todos os pedidos, não terá luz na vida e não atormentará o diabo. Baita maldição paira sobre os ex-Universal!
A primeira coisa que precisa ser notada é a carência de textos bíblicos que deem suporte à Fogueira Santa. É uma ponderação muito simples de ser realizada. Suponha que a tabela abaixo seja uma balança com os fundamentos de ambas as posições:
CESSAÇÃO DOS SACRIFÍCIOS | CONTINUIDADE DOS SACRIFÍCIOS |
Textos bíblicos claros sobre os sacrifícios do Antigo Testamento serem sombras do sacrifício de Cristo; Textos bíblicos claros sobre o sacrifício de Cristo ter sido perpétuo e definitivo; Textos bíblicos claros que comprovam que os significados dos sacrifícios do Antigo Testamento se cumpriram todos no sacrifício de Cristo; Ausência absoluta de textos bíblicos sobre cristãos realizando qualquer tipo de sacrifício material; Ausência absoluta de textos bíblicos condicionando as bênçãos do Senhor à realização de sacrifícios por parte dos cristãos; | Transposição alegórica de relatos de sacrifícios do Antigo Testamento para a Era Cristã sem fundamentação contextualizada no Novo Testamento; Teses contraditórias ao que Cristo e os apóstolos disseram (exemplo: necessidade de sacrifício para salvação, quando Paulo afirma que somos salvos pela graça, mediante a fé, e não por obras); Tendência materialista tanto nos fins (bênçãos materiais) quanto nos meios (materialização da fé por meio do dinheiro); Invenção da modalidade financeira de sacrifícios animais sem nenhuma fundamentação bíblica. |
Qual doutrina possui maior respaldo bíblico? Qual delas apresenta maior clareza teológica? Não é difícil perceber. Contudo, cientes da irresignação de muitos, cumpre-nos rebater ponto a ponto.
Em primeiro lugar, Deus não se comprometeu a realizar nossos sonhos. A Bíblia é clara:
Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do SENHOR. (Pv 19.21)
O cristão pode sonhar o quanto quiser, pode realizar planejamentos detalhados, pode espernear à vontade... Pode até mesmo dar todo o seu dinheiro e patrimônio para a Universal na Fogueira Santa. O que prevalece é o propósito de Deus. Se estiver fora do propósito dEle, a pessoa vai morrer de fome e toda endividada de tanto participar de Fogueira Santa e nunca vai ter o seu sonho realizado. A menos que o objetivo seja realizar o sonho do Edir Macedo de ficar rico à custa da exploração da fé alheia. Nesse caso, o objetivo está sendo alcançado com sucesso a cada 6 meses.
O salmista Davi diz:
Deleite-se no SENHOR, e ele atenderá aos desejos do seu coração. Entregue o seu caminho ao SENHOR; confie nele e ele agirá... (Sl 37.4-5)
Portanto, Deus realizará, sim, os desejos do seu coração, mas isto SE E SOMENTE SE você se deleitar nEle. Aquele que se agrada do Senhor, que O ama de todo o coração, que confia nEle, que se preocupa em glorificá-Lo em tudo na sua vida, terá seus sonhos realizados, pois o seu coração está alinhado com o propósito de Deus: a Sua glória. Não interessa o lugar onde ela vai morar, quando ela vai encontrar seu cônjuge, o meio de transporte que ela vai utilizar, se ela vai ocupar o posto de patrão ou de empregado... O que ela quer é ser um vaso de glória para o Senhor.
Paulo vai além:
Àquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós... (Ef 3.20)
Cristo é capaz de fazer até mais do que o nosso coração deleitoso no Senhor deseja! Contudo, isso Ele faz de acordo com o Seu poder que atua em nós, por meio do Espírito Santo. Paulo profere essas palavras no fim de uma oração. Não está pedindo carro, casa, bens, riquezas, cura, empresa, esposa. Não! Ele está rogando ao Pai que fortaleça os irmãos da igreja de Éfeso, dando-lhes o poder do Espírito e o entendimento do amor de Cristo, a fim de que eles fossem cheios da plenitude de Deus.
Em ambos os casos, destaque-se, não há qualquer condicionamento da realização do que se deseja/pede a um sacrifício.
A manifestação das promessas divinas não exige sacrifício. Os benefícios divinos são derramados sobre os crentes segundo a Sua graça e misericórdia. Conforme o salmista disse, tudo o que o Senhor faz por nós é "por amor do seu nome" (Sl 23.3).
Nesse sentido, quais são as promessas que Cristo fez, afinal? Riquezas? Prata e ouro? Carro 0km? Apartamentos de luxo? Negócios milionários? Casamentos perfeitos? Saúde inabalável? Não! O Senhor Jesus prometeu apenas uma coisa:
Quanto a vocês, cuidem para que aquilo que ouviram desde o princípio permaneça em vocês. Se o que ouviram desde o princípio permanecer em vocês, vocês também permanecerão no Filho e no Pai. E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna. Escrevo estas coisas a respeito daqueles que os querem enganar. (1Jo 2.25)
O engano não começou com a Universal. Já é de longa data, desde a época dos apóstolos. Ela apenas reproduz o mesmo método de Satanás, com uma roupagem mais moderna. A promessa que temos é apenas uma: vida eterna. Tudo o que Cristo fez e continua fazendo por nós tem um único propósito: vida eterna. A fé cristã produz a esperança de vida eterna. Quem já tem a vida eterna não desperdiça sua vida atrás de tesouros terrenos (Mt 6.19-21). Aquele que já tem a vida eterna possui a mesma convicção de Paulo a respeito da sua vida terrena: "não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão somente puder terminar a corrida" (At 20.24). Todo aquele que crê verdadeiramente em Jesus Cristo já está crucificado com ele e agora vive pela fé uma nova vida (Gl 2.20), e essa vida é abundante, isto é, eterna, infinita, para todo o sempre (Jo 10.10). Portanto, um cristão não vive a cobiçar coisas terrenas.
Portanto, já que vocês ressuscitaram com Cristo, procurem as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus. Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas. Pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a sua vida, for manifestado, então vocês também serão manifestados com ele em glória. Assim, façam morrer tudo o que pertence à natureza terrena de vocês: imoralidade sexual, impureza, paixão, desejos maus e a ganância, que é idolatria. (Cl 3.1-5)
Não é à toa que nosso Senhor alertou que ninguém poderia servir a Deus e a Mamom, o deus do dinheiro. Ganância é idolatria. O que leva uma pessoa a se desfazer dos seus bens e patrimônio para dar à Universal sob a premissa de realizar seus sonhos? Ganância! O coração dela está nas riquezas e nos bens de que deseja usufruir. O coração dela está na solução de um problema que a incomoda. Essa pessoa só está pensando nas coisas terrenas. Os objetos da sua cobiça são os seus ídolos. Para satisfazer seu coração idólatra, são capazes de comprometer loucamente seu orçamento familiar para conquistarem o que tanto desejam. Suas vidas em função dessas conquistas terrenas. Idolatria!
Reitere-se: a única coisa que Cristo prometeu foi a vida eterna. Todas as suas promessas se resumem a isso.
[...] pois quantas forem as promessas feitas por Deus, tantas têm em Cristo o "sim". Por isso, por meio dele, o "Amém" é pronunciado por nós para a glória de Deus. (2Co 1.20)
Tem como ser mais claro do que isso? Todas as promessas feitas por Deus se cumprem em Cristo! Não é pelo sacrifício financeiro na Fogueira Santa. É pelo sacrifício de Cristo. É por meio dEle que podemos pronunciar o "Amém". Somente por meio dEle! E pela fidelidade do Senhor podemos nos apegar com firmeza à esperança da vida eterna prometida por Ele (Hb 10.23).
Note-se o que o apóstolo Pedro falou a respeito das promessas divinas:
Dessa maneira, ele nos deu as suas grandiosas e preciosas promessas, para que por elas vocês se tornassem participantes da natureza divina e fugissem da corrupção que há no mundo, causada pela cobiça. (2Pe 1.4)
A finalidade das promessas do Senhor é completamente contrária ao que a Igreja Universal promove com a Fogueira Santa. As promessas de Deus servem para que nos tornemos participante da natureza divina (nova vida, abundante, isto é, eterna) e fujamos da corrupção que a cobiça causa no mundo. Contudo, a Fogueira Santa de Israel apenas promove cobiça. Em termos simplórios, poderíamos definir o seguinte slogan para ela: "Seu coração está cobiçando algo? Troque seu dinheiro por isso no 'altar' da Fogueira Santa". Isso não é cumprimento das promessas divinas. É cobiça! É corrupção mundana! É paganismo! Veja as palavras do próprio Senhor Jesus:
Portanto eu digo: Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir. [...] Portanto, não se preocupem, dizendo: 'Que vamos comer?' ou 'Que vamos beber?' ou 'Que vamos vestir?' Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas; mas o Pai celestial sabe que vocês precisam delas. Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas serão acrescentadas a vocês. (Mt 6.25-33)
Sabe-se que na Universal se prega muito sobre isso, mas não passa de teoria. Na prática, o que se promove nessa seita é paganismo. A todo momento a cobiça dos fiéis é instigada. "Você tem que comer o melhor dessa terra!" "Você tem que ser cabeça e não cauda!" "Você tem que conquistar seu carro, sua casa própria, sua empresa!" "Você não pode aceitar a miséria, o fracasso, a derrota!" Essas falas são repetidas reunião após reunião. Isso é o que os pagãos fazem!
"Ah! Mas o que importa é buscar em primeiro lugar o Reino de Deus, priorizar a salvação, o Espírito Santo", alguém poderia objetar. Uma pessoa preocupada com a realização dos desejos materialistas do seu coração corrompido pela cobiça está buscando em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça? Não! Se você participa da Fogueira Santa, pare e reflita nas seguintes indagações:
Você seria capaz de usar o dinheiro da sua poupança para ajudar uma família que perdeu tudo em uma enchente a reconstruir sua casa e comprar os móveis básicos?
Você seria capaz de se desfazer do seu imóvel para financiar a confecção de bíblias traduzidas para o dialeto específico de uma tribo ainda não alcançada pelo evangelho na Tanzânia?
Você seria capaz de repartir o seu 13º salário entre famílias carentes da sua igreja que não têm condições de montar uma ceia de Natal?
Você seria capaz de se desfazer do seu carro para suprir temporariamente as necessidades da família de um irmão da igreja que é trabalhador informal e se acidentou sem direito ao seguro-invalidez ou outra fonte de renda?
Você seria capaz de ofertar o lucro da sua empresa a cada seis meses para apoiar missionários que estão atuando clandestinamente em lugares onde cristãos são condenados à morte?
Você não seria capaz de nenhuma dessas coisas. Para essas coisas você não tem condições. Se você fizer isso, vai fazer falta para a sua família. Todavia, para ficar rico e realizar seu sonhos egoístas você é capaz de tirar até o leite dos seus filhos para sacrificar no "altar" da Fogueira Santa de Israel.
Veja em que consiste o Reino de Deus e a sua justiça:
A religião que Deus, o nosso Pai, aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo. (Tg 1.27)
Para o Reino de Deus você não faz, mas para satisfazer sua ganância vale tudo. E ainda tem a coragem de dizer que busca em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça. Cobiça! Idolatria! Paganismo! A religião da Fogueira Santa de Israel Deus não aceita. É reprovável aos Seus olhos.
Novamente, em nenhum momento o cumprimento das promessas divinas está sendo condicionado a um sacrifício financeiro. Ao contrário do que se diz na Universal, Deus não faz troca com ninguém. Paulo foi enfático ao afirmar que "Ele não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego e as demais coisas" (At 17.25). Tudo o que Deus faz é pela Sua maravilhosa graça. Nós nunca poderemos merecer a Sua bondade, mas o amor dEle por nós não está condicionado aos nossos méritos. Essa ideia de que é possível barganhar com Deus, trocar o seu tudo pelo tudo dEle, que a bênção depende de como a pessoa se apresenta diante do Senhor (se faz o perfeito sacrifício ou não)... Isso é doutrina de demônios! Quem é o homem para negociar bênçãos com Deus? O que um maldito pecador, pó da terra, mero mortal, pode oferecer ao Criador, ao Santíssimo, Eterno e Todo-Poderoso Deus para O convencer a abençoá-lo?
Eis o significado de graça: favor imerecido. Não é por méritos. Não é por obras. É por graça! Não só a salvação, mas todas as demais coisas são dádivas com que o Senhor nos presenteia exclusivamente por Sua graça, por iniciativa própria, porque nos ama de modo inexplicável. Nada é porque merecemos. Tudo o que merecemos é a morte, a condenação eterna. Mas Ele nos trata graciosamente, apesar disso.
Graças ao grande amor do SENHOR é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis. (Lm 3.22)
Paulo disse aos efésios:
Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida com Cristo quando ainda estávamos mortos em transgressões - pela graça vocês são salvos. Deus nos ressuscitou com Cristo e com ele nos fez assentar nas regiões celestiais em Cristo Jesus, para mostrar, nas eras que hão de vir, a incomparável riqueza de sua graça, demonstrada em sua bondade para conosco em Cristo Jesus. (Ef 2.4-7)
Deus não é um ídolo pagão que precisa ser provocado com sacrifícios e rituais para agir em favor dos seus adoradores. Deus é o Senhor da História, o Criador, o Soberano. Cristo é o princípio determinante de todas as coisas. O homem não é nada. É apenas criatura, um simples receptor da Sua graça.
Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito sobre toda a criação, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos sejam soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas e nele tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, que é a igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a supremacia. Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude e por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto as que estão nos céus, estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz. (Cl 1.15-20)
Seja a glória a Jesus Cristo por toda a eternidade! Quem somos nós, Senhor tremendo e maravilhoso, para supormos que podemos comprar bênçãos de Ti quando tudo já foi reconciliado pelo Teu sangue derramado na cruz? O que mais podemos querer além da vida eterna? Por que perseguir bênçãos pelos nosso próprios méritos quando podemos descansar na graça de Deus pelos méritos de Cristo? Que em todas as vezes que alguém nos disser que podemos trocar nosso dinheiro para alcançar uma bênção divina possamos nos lembrar das palavras de Pedro a Simão, o mago:
Pereça com você o seu dinheiro! Você pensa que pode comprar o dom de Deus com dinheiro? (At 8.20)
Outro argumento bastante utilizado pela Universal para justificar a Fogueira Santa é o texto que diz: "a fé sem obras está morta" (Tg 2.26). Segundo os bispos e pastores da IURD, se a pessoa tiver fé, mas não sacrificar, ela viverá nos limites da penúria. Como refutá-los se isso realmente está escrito? O contexto... Sempre o contexto!
Tiago escreveu uma epístola para judeus que haviam se convertido a Cristo e estavam dispersos entre as nações, muito provavelmente em virtude de perseguições. Ele inicia seu argumento da seguinte forma:
Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem que falte a vocês coisas alguma. (Tg 1.2-4)
Mas de que prova, afinal, Tiago está falando? Sacrifícios financeiros? Não, de maneira alguma. Ele está tratando sobre:
Necessidade de sabedoria (Tg 1.5-8);
Contentamento na riqueza ou na pobreza (Tg 1.9-11);
Perseverança nas provações (Tg 1.12), como as tentações nascem da nossa própria cobiça (Tg 1.13-15) e como em todas essas situações o propósito do Senhor é o fortalecimento da nossa fé no evangelho que nos fez nascer de novo (Tg 1.16-18);
O domínio dos impulsos de intemperança e ira em sujeição ao evangelho (Tg 1.19-21);
A prática da Palavra de Deus e não somente o ouvir (Tg 1.22-25);
O controle da própria língua (Tg 1.26);
A assistência aos necessitados e a santidade (Tg 1.27);
O tratamento imparcial entre ricos e pobres e a misericórdia para com todos (Tg 2.1-13).
É sobre esse tipo de prova da fé que Tiago fala. O comportamento do cristão deve corresponder à fé que ele professa na Palavra do Senhor. As obras de que Tiago trata não são sacrifícios financeiros. São atitudes que condizem com a doutrina de Jesus Cristo. Assim, diante de todo o exposto, ele conclui essa seção da sua carta:
De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo? Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: "Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se", sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta. Mas alguém dirá: "Você tem fé; eu tenho obras". Mostre-me a sua fé sem obras, e eu mostrarei a minha fé pelas obras. Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios creem - e tremem! Insensato! Quer certificar-se de que a fé sem obras é inútil? Não foi Abraão, nosso antepassado, justificado por obras, quando ofereceu seu filho Isaque sobre o altar? Você pode ver que tanto a fé como as obras estavam atuando juntas, e a fé foi aperfeiçoada pelas obras. Cumpriu-se assim a Escritura que diz: "Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça", e ele foi chamado amigo de Deus. Vejam que uma pessoa é justificado por obras, e não apenas pela fé. Caso semelhante é o de Raabe, a prostituta: não foi ela justificada pelas obras, quando acolheu os espias e os fez sair por outro caminho? Assim como o corpo sem espírito está morto, também a fé sem obras está morta. (Tg 2.14-26)
Em momento algum Tiago está contradizendo a tese de que somos salvos pela graça, e não por obras. O que ele está afirmando é que uma mera profissão de fé não salva ninguém, se não for acompanhada por obras. Veja que em momento algum as obras antecedem a fé, mas, em verdade, dela decorrem. "Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam" (Hb 11.6). A fé, portanto, antecede as boas obras. Se alguém professa fé em Cristo, mas apresenta uma conduta incompatível com os ensinos do Senhor, a fé dessa pessoa é morta, ou seja, não passa de um mero ato de acreditar na Sua existência. A fé viva tem efeitos práticos. Veja que o que Paulo diz em sua carta aos efésios:
Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados, nos quais costumavam viver, quando seguiam a presente ordem deste mundo e o príncipe do poder do ar, o espírito que agora está atuando nos que vivem na desobediência. Anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne, seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira. Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida com Cristo quando ainda estávamos mortos em transgressões - pela graça vocês são salvos. [...] Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos. (Ef 2.1-10)
Perceba-se como o ensino dos apóstolos é perfeitamente correspondente. Nós somos salvos por meio da fé em Cristo e esta fé nos move a praticarmos as boas obras que Deus já nos havia preparado desde a eternidade.
No exemplo de Abraão, a fé dele foi provada pela sua obediência a Deus acima do seu amor por Isaque. Não é porque se tratou de um sacrifício. Nesse caso o sacrifício foi a obra, pois foi isso que Deus pediu pessoalmente a Abraão. O ato de obediência decorreu da sua fé. Se ele cresse e não obedecesse, sua fé seria morta. Ele foi justificado por sua fé, isto é, por haver crido, e dessa fé decorreu a sua obediência à ordem do Senhor.
No caso de Raabe, não foi um sacrifício, não havia altar. A obra decorrente de sua fé foi ter acolhido os espias e os ajudado a sair de Jericó em segurança. A sua fé no Deus de Israel resultou em sua atitude de proteger os Seus servos. Se ela apenas cresse e não tivesse agido de acordo com essa crença, sua fé seria morta.
Portanto, quando a Bíblia fala que a fé sem obras é morta, não está se referindo a sacrifícios financeiros na Fogueira Santa. Na verdade, o ensino de Tiago é que essa fé deve nos levar a uma mudança prática. A mera profissão de fé apartada de uma conduta santa e reta diante de Deus é como um corpo sem espírito, não serve de nada, é morta.
Nesse sentido, é uma grande tolice a Universal afirmar que Deus está procurando no presente homens e mulheres que, como no passado, estejam dispostos a fazer grandes sacrifícios para obter grandes resultados. A revelação de Deus é progressiva na História e tudo culmina em Jesus Cristo, o Salvador. Toda a experiência de formação e expansão do povo de Israel serviu como sombra, preparando o mundo para a encarnação do Filho de Deus. Ele próprio afirmou aos judeus, povo da Torá, que corresponde ao que os cristãos conhecem como Antigo Testamento: "são as Escrituras que testemunham a meu respeito" (Jo 5.39).
Portanto, não se deixe enganar pelo discurso da IURD de que Deus está procurando quem queira sacrificar na Fogueira Santa para manifestar o Seu poder de forma sobrenatural na vida dessas pessoas. O plano de Deus é a salvação do homem por meio da fé em Cristo. Esta é a promessa dEle para nós. Não tem nada a ver com riquezas, bens e status social. "O meu Reino não é deste mundo" (Jo 18.36), disse o Senhor Jesus. E o que Deus requer de nós é apenas uma coisa, conforme o próprio Filho ensinou aos que O estavam seguindo por interesses mundanos e materialistas, tais quais muitos na Universal:
Jesus respondeu: "A verdade é que vocês estão me procurando, não porque viram os sinais milagrosos, mas porque comeram os pães e ficaram satisfeitos. Não trabalhem pela comida que se estraga, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem dará a vocês. Deus, o Pai, nele colocou o seu selo de aprovação". Então perguntaram-lhe: "O que precisamos fazer para realizar as obras que Deus requer?" Jesus respondeu: "A obra de Deus é esta: crer naquele que ele enviou". (Jo 6.25-29)
Deus não requer sacrifícios materiais de nós. Não! O que Ele requer é justamente que creiamos no sacrifício perfeito, perpétuo e definitivo dAquele que Ele enviou, a saber, Seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. É apenas isso que o Pai requer de nós. As boas obras Ele já preparou de antemão para andarmos nelas. Isso decorre da transformação que a verdadeira fé em Cristo promove em nós. Não precisamos dar dinheiro na Igreja Universal para nos aproximarmos de deus de uma maneira que O agrade. Não! Precisamos apenas crer nAquele que Ele enviou para dar a vida por nós e nos salvar da condenação eterna e nos dar vida eterna com Deus.
O desespero para encontrar fundamentos bíblicos para a Fogueira Santa é tão grande que o herege Edir Macedo afirma que "nenhum milagre de Jesus foi realizado pela fé sem a ação do sacrifício". Ora, quem precisou dar dinheiro para provocar um milagre do Senhor Jesus? Quem precisou oferecer um animal no Templo? Vamos forçar o significado disso e considerar que o sacrifício seria algum esforço necessário para realizar o milagre. Qual foi o esforço do oficial do rei para que seu filho fosse curado (Jo 4.46-53)? O homem simplesmente pediu e Jesus disse que ele poderia ir, pois seu filho não morreria. Qual foi o esforço do paralítico do tanque de Betesda (Jo 5.5-9)? Esse homem não pediu a cura a Jesus e sequer respondeu que queria ser curado, quando questionado pelo Senhor. Cristo simplesmente foi até ele, sem ser chamado, provocado, convidado, e mandou-o levantar. Depois desse exemplo, nem é preciso falar mais nada para provar que essa afirmação mentirosa do líder da Universal é uma heresia descarada!
Finalizada a refutação dos principais pontos dos primeiros artigos selecionados, sigamos agora com a análise do post de Júlio Freitas. Esse falso profeta consegue superar o limite da bizarrice em suas afirmações, inventando heresias a torto e a direito sem ninguém que o freie. Dessa vez, ele está afirmando que a "a Salvação, a libertação, a conversão, o Batismo com o Espírito Santo" acontecem com a materialização da crença por meio da Fogueira Santa. Já tratamos sobre a fundamentação bíblica da salvação EXCLUSIVAMENTE pela graça. Nada de sacrifícios.
Não satisfeito, o genro de Edir Macedo diz que a fé tem que estar associada à revolta. De onde ele tirou essa maluquice? Da Bíblia eu garanto que não foi! É somente pela fé! Essa insistência em revolta é apenas uma forma de manipulação psicológica, instigando o inconformismo e insatisfação do fiel com a sua pobreza para que ele fique irado com isso e se torne mais suscetível a sacrificar um valor maior do que faria se não estivesse inflamado de raiva. Não se trata nem de descontextualização nesse caso, mas de uma invenção mesmo. Absurdo!
Mas Júlio Freitas sempre prova que limites para ele não existem. Sua criatividade é invejável! Ele inventa, por fim, a trindade da fé bíblica: (i) sacrifício para demonstrar a confiança e dependência de Deus; (ii) dízimo para demonstrar a fidelidade e a honra a Deus; e (iii) oferta voluntária para demonstrar a gratidão e consideração a Deus. Eu traduzo: Deus se compra com dinheiro. É isso o que esse mercenário religioso está dizendo. Para ele, fé é dar dinheiro para a Igreja Universal. Anátema!
Nem mesmo os obreiros escapam dessa trágica realidade. A IURD ensina que eles precisam sacrificar na Fogueira Santa até mesmo para conseguirem ganhar almas. Pregar o evangelho não é o suficiente. Até para ganhar almas tem que dar dinheiro. Tudo se compra! O sacrifício de Cristo e o poder de convencimento do Espírito Santo não significam literalmente nada para a liderança da Universal.
Isso fica evidente, por exemplo, quando Edir Macedo afirma, com base em Is 53.1, que apenas os revelados pelo Espírito Santo participam da Fogueira Santa de Israel. O versículo é o seguinte:
Quem creu em nossa mensagem? E a quem foi revelado o braço do SENHOR? (Is 53.1)
Eu dou graças a Deus por ter me revelado o braço do SENHOR! E não, esse braço não é a Fogueira Santa. O braço do Senhor foi revelado no Seu Filho, Jesus Cristo! Essa profecia está apontando claramente para Ele. Basta lê-la por inteiro. Para esses lobos devoradores da Universal essa verdade está encoberta. Para Edir Macedo isso é sobre sacrifício financeiro na IURD para encher o bolso dele. Que seu dinheiro sujo seja perdição para si, mas que sejam benditos todos aqueles a quem foi revelado verdadeiramente o braço do Senhor, que consiste no seguinte:
Depois do sofrimento de sua alma, ele verá a luz e ficará satisfeito; pelo seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos e levará a iniquidade deles. (Is 53.11)
Como são felizes aqueles que confiam na justificação pela fé em Cristo, sem necessidade de sacrifícios e barganhas com Deus, sendo salvos pela Sua maravilhosa graça! Como são felizes os que creram na mensagem do evangelho genuíno e a eles foi revelado o braço do Senhor!
Eu achei oportuno separar também algumas referências extraoficiais. Em que consistem? Hoje em dia o Renato Cardoso centraliza mais as coisas para poder controlar as crises de forma mais rápida e eficaz, mas antigamente era muito comum que grupos (especialmente dos jovens) e pastores tivessem seus blogs próprios. Encontramos nesses blogs as explicações das práticas da Universal a partir das perspectivas dos fiéis ou do baixo clero, e não necessariamente da alta cúpula. E, como não há uma doutrina específica, qualquer malabarismo bíblico é válido para justificar as práticas. Portanto, considerei interessante analisarmos também o que fiéis e baixo clero entendem sobre a fundamentação bíblica da Fogueira Santa.
Apenas corrigi os erros ortográficos mais gritantes. Evitei modificar muito os textos, preservando-os conforme fosse possível.
Comecemos por uma publicação no blog da Força Jovem de Santana de Parnaíba, que suponho ter sido escrito por um obreiro que era líder do grupo de jovens dessa unidade da IURD:
Percebi a necessidade de uma matéria sobre a Fogueira Santa aqui no blog. Muitos são os que se dizem cristãos, e criticam a Fogueira Santa, criticam o Sacrifício. São “irmãos”, que ficam tentando tirar as pessoas da Fé sacrificial. Alguns dos argumentos que eles usam é dizer que hoje não precisa sacrificar, pois Jesus teria sacrificado em nosso lugar. Eles dizem que não existe sacrifício no Novo Testamento. Primeiramente, a Bíblia fala sim de Sacrifício no Novo Testamento. Veja Atos 4.34: “Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos.” Esse trecho bíblico fica no Novo Testamento, e fala claramente sobre o sacrifício. No mesmo capítulo, no versículo 36-37, as Escrituras declaram: "Então José, cognominado pelos apóstolos, Barnabé (que, traduzido, é Filho da consolação), levita, natural de Chipre, possuindo uma herdade, vendeu-a, e trouxe o preço, e o depositou aos pés dos apóstolos." Mais uma vez o Novo Testamento fala de Sacrifício. Vamos analisar o próximo capítulo, Atos dos Apóstolos no capítulo 5: “Mas um certo homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade, E reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e, levando uma parte, a depositou aos pés dos apóstolos. Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus. E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu e expirou. E um grande temor veio sobre todos os que isto ouviram.” Fonte: Fogueira Santa é bíblica
Para desconstituir o argumento de que Cristo ofereceu o último e definitivo sacrifício, o autor do post tenta provar que existe, sim, sacrifício no Novo Testamento. Leiamos atentamente o texto bíblico apresentado por ele:
Da multidão dos que creram, uma era a mente e um o coração. Ninguém considerava unicamente sua coisa alguma que possuísse, mas compartilhavam tudo o que tinham. [...] Não havia pessoas necessitadas entre eles, pois os que possuíam terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro da venda e o colocavam aos pés dos apóstolos, que o distribuíam segundo a necessidade de cada um. José, um levita de Chipre a quem os apóstolos deram o nome de Barnabé, que significa encorajador, vendeu um campo que possuía, trouxe o dinheiro e o colocou as pés dos apóstolos. Um homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, também vendeu uma propriedade. Ele reteve parte do dinheiro para si, sabendo disso também sua mulher; e o restante levou e colocou aos pés dos apóstolos. Então perguntou Pedro: "Ananias, como você permitiu que Satanás enchesse o seu coração, a ponto de você mentir ao Espírito Santo e guardar para você uma parte do dinheiro que recebeu pela propriedade? Ela não pertencia a você? E, depois de vendida, o dinheiro não estava em seu poder? O que o levou a pensar em fazer tal coisa? Você não mentiu aos homens, mas sim a Deus". Ouvindo isso, Ananias caiu morto. Grande temor apoderou-se de todos os que ouviram o que tinha acontecido. (At 4.32-37; 5.1-5)
Em primeiro lugar, observa-se que não se trata de uma campanha de arrecadação promovida pelos apóstolos para que as pessoas sacrificassem seus bens em prol de um objetivo pessoal. Os cristãos mais ricos, movidos pela generosidade de seus corações, cheios de compaixão pelos mais necessitados, voluntariamente se dispunham a vender seus bens e entregar o valor da venda para que os apóstolos repartissem entre os irmãos da Igreja conforme a necessidade de cada um, especialmente numa sociedade em que órfãos e viúvas, por exemplo, eram cruelmente marginalizados, sendo estes a maioria na Igreja Primitiva. Era o próprio Espírito Santo que movia os irmãos mais abastados para socorrer os mais pobres em suas necessidades, cabendo a administração desses recursos aos apóstolos e, posteriormente, aos diáconos. O exemplo de Barnabé é positivo e o de Ananias é negativo. Não que Ananias fosse obrigado a depositar todo o valor. De maneira alguma! O problema foi ele ter se comprometido com o Espírito Santo a ofertar o valor daquele campo e, no momento em que recebeu o dinheiro, ter deixado Satanás encher o coração dele de ganância e retido uma parte do valor.
O que acontece na Fogueira Santa é o exato oposto: os bispos e pastores da Universal ficam falando o tempo todo que as pessoas têm que sacrificar os bens, salário, poupança e tudo mais no "altar" para que Deus as abençoe com mais riquezas. Essas pessoas, que em sua maioria são pobres ou de classe média baixa, fazem isso, cobiçosas de mais riquezas, e o rastro do dinheiro some quando chega na administração. Nada de repartir entre os necessitado! Apenas se expande o império religioso e o luxo da alta cúpula.
Portanto, nosso amigo da Força Jovem de Santana de Parnaíba está bastante equivocado!
Ele prossegue:
Para simplificar, vamos classificar os sacrifícios do Velho Testamento em três partes: SACRIFÍCIO PARA REMISSÃO DOS PECADOS (PERDÃO) (Levítico 4, Levítico 8.15) SACRIFÍCIO PARA ALCANÇAR ALGUM OBJETIVO: (2 Samuel 6.13; 1 Reis 3; 2Samuel 24.24; 1 Reis 18; Juízes 6:28; …) SACRIFÍCIO DE AGRADECIMENTO (o voto de Ana é um grande exemplo desse tipo de sacrifício “1 Samuel 1″) O Sacrifício para perdão dos pecados não se faz necessário nos dias de hoje, pois o Senhor Jesus já pagou na cruz o preço de nossos pecados. Mas os outros dois modos de Sacrifício são válidos no dias atuais. No Judaísmo, o sacrifício é conhecido como Korban, palavra oriunda do hebreu karov, que significa “vir para perto de Deus”. O sacrifício é além de tudo, é uma forma de aproximação entre Jesus e os homens… Podemos ver na Bíblia, que o rei Davi para fazer cessar o tormento sobre Jerusalém (para alcançar um beneficio), ele ofereceu holocaustos Senhor Deus (2Samuel 24.24): “Não, mas por preço justo to comprarei, porque não oferecerei ao SENHOR meu Deus holocaustos que não me custem nada. Assim Davi comprou a eira e os bois por cinqüenta siclos de prata. E edificou ali Davi ao SENHOR um altar, e ofereceu holocaustos, e ofertas pacíficas.” Salomão, percebendo que o segredo do sucesso de seu pai (Davi) era o SACRIFICIO, e sabendo que Davi sacrificava nos altos montes. Salomão pegou tudo que Davi lhe deixará (mil holocaustos), e ofereceu no monte mais alto para o Senhor (1Reis 3). [...] [...] E Deus vendo que Salomão ofereceu o seu melhor, Deus apareceu para Salomão e disse: “Pede o que queres que eu te dê.” (1 Reis 3.5) Ou seja, Salomão também ofereceu sacrifício para atingir um objetivo. Fonte: Fogueira Santa é bíblica
Como vimos nos artigos anteriores desta série de exposições, essa classificação mencionada no texto da página da Força Jovem de Santana de Parnaíba é uma invenção da cabeça do autor. Todos os sacrifícios do Antigo Testamento, de uma maneira ou de outra, estavam ligados à noção de expiação de pecados. Expiação é o ato de cobrir a iniquidade. Propiciação é a disposição de Deus de ser favorável a nós. Um está intrinsecamente associado ao outro, a ponto de serem termos intercambiáveis nas diferentes traduções das Escrituras. Portanto, essa forma de classificar distinguir sacrifícios por pecados e sacrifícios por outras coisas não é biblicamente consistente.
Para desconstituir a primeira classificação, em que o autor menciona os sacrifícios pelos pecados de Lv 4, observe-se que Lv 1, texto que regulamenta as ofertas de holocausto, determina que o ofertante deveria pôr "a mão sobre a cabeça do animal do holocausto para que seja aceito como propiciação em seu lugar" (Lv 1.4). Ora, esse sacrifício não possui o nome de "sacrifício pelos pecados" e, ainda assim, está diretamente ligado à expiação de pecados, ou seja, aquele animal oferecido em holocausto estava substituindo o pecador ofertante. Quando Deus pôs Abraão à prova, pedindo Isaque em sacrifício, Sua ordem foi: "Sacrifique-o ali como holocausto" (Gn 22.2). Pergunto: a Bíblia descreve algum pecado pelo qual Abraão estivesse buscando por expiação? Não, mas interpretando esse texto dentro de todo o contexto bíblico entendemos perfeitamente que esse sacrifício tinha tudo a ver com propiciação e apontava perfeitamente para o sacrifício de Cristo. Quem já leu os artigos anteriores já tem isso muito claro em sua mente.
Agora pergunto também: Abraão estava buscando alcançar algum objetivo com esse sacrifício, conforme as Fogueiras Santas na Fé de Abraão que a IURD promove? Não! Abraão já era riquíssimo e já tinha sido abençoado com um filho de Sara. Além disso, após essa prova de fé, Deus não prometeu a Abraão nada que já não houvesse prometido antes. Quando o Senhor chamou a Abraão, lhe disse: "Farei de você um grande povo, e o abençoarei. Tornarei famoso o seu nome, e você será uma bênção" (Gn 12.2). Após a obediência de Abraão nessa prova de fé, a palavra divina foi a seguinte: "'Juro por mim mesmo', declara o SENHOR, 'que, por ter feito o que fez, não me negando seu filho, o seu único filho, esteja certo de que o abençoarei e farei seus descendentes tão numerosos como as estrelas do céu e como a areia das praias do mar'" (Gn 22.16-17). A obediência incondicional de Abraão à ordem divina demonstrava a sua fé, que o justificava diante de Deus. Por Sua vez, o Senhor ratificou a Sua promessa, dando ênfase à garantia certa de que ela se cumpriria quando jurou por Si mesmo. O único objetivo aqui era a descendência santa por meio da qual o Verbo se encarnou para nos salvar. E esse objetivo n]ao era de Abraão, mas do Senhor, e isto desde quando o chamou pela primeira vez.
Sobre os supostos sacrifícios para alcançar algum objetivo, analisemos as referências bíblicas mencionadas também.
Em 2Sm 6.13, Davi não estava sacrificando para atingir um objetivo seu. Ele realmente tinha o intuito de levar a arca para Jerusalém (2Sm 6.1-2; 1Cr 13.1-6), contudo ele não sacrificou para atingir esse objetivo. Simplesmente reuniu o povo para buscar a arca. Ocorre que isso não foi feito da maneira correta, pois colocaram a arca sobre um carro de bois para ser conduzida, quando esta deveria ser carregada pelos levitas em seus ombros segundo a Lei de Moisés (2Sm 6.3-4; 1Cr 13.7). Por essa razão, a ira de Deus se acendeu contra o povo e um terrível incidente ocasionou a morte de Uzá ao tentar impedir que a arca caísse quando os bois tropeçaram (2Sm 6.6-7; 1Cr 13.9-10). Algum tempo depois, Davi decidiu novamente trazer a arca, mas agora da maneira correta (2Sm 6.12; 1Cr 15.2-4). Nessa ocasião, há o seguinte relato:
Em seguida, Davi convocou os sacerdotes Zadoque e Abiatar, os levitas Uriel, Asaías, Joel, Semaías, Eliel e Aminadabe, e lhes disse: "Vocês são os chefes das famílias levitas; vocês e seus companheiros levitas deverão consagrar-se e trazer a arca do SENHOR, o Deus de Israel, para o local que preparei para ela. Pelo fato de vocês não terem carregado a arca na primeira vez, a ira do SENHOR, o nosso Deus, causou destruição entre nós. Nós não o tínhamos consultado sobre como proceder". (1Cr 15.11-13)
Novamente, perceba que o problema era o pecado, a desobediência à instrução divina por meio do Seu servo Moisés. Não foi a ausência de sacrifício que impediu o objetivo de ser alcançado, mas a irreverência para com aquele símbolo sagrado. O livro de Samuel nos relata que "Quando os que carregavam a arca do SENHOR davam seis passos, ele sacrificava um boi e um novilho gordo" (2Sm 6.13). O livro de Crônicas, por sua vez, narra que "Como Deus havia poupado os levitas que carregavam a arca da aliança do SENHOR, sete novilhos e sete carneiros foram sacrificados" (1Cr 15.26). Portanto, analisando o contexto em que esse texto está inserido, vê-se claramente que os sacrifícios visavam à expiação dos pecados do povo e à consagração dos levitas. Não se tratava de sacrifícios para alcançar algum objetivo, como se faz na Fogueira Santa.
Quanto aos mil holocaustos oferecidos por Salomão, não há margem no texto para que se interprete como sendo um sacrifício para alcançar algum objetivo. Salomão não tinha nenhuma intenção além de cultuar ao seu Deus. O versículo anterior relatava que "Salomão amava o SENHOR, o que demonstrava andando de acordo com os decretos do seu pai, Davi" (1Rs 3.3). Foi o Senhor que, por iniciativa própria, resolveu aparecer a Salomão e lhe conceder um desejo. E a prova disso é a resposta de Salomão:
Tu foste muito bondoso para com meu pai Davi e me fizeste rei em seu lugar. Agora, SENHOR Deus, que se confirme a tua promessa a meu pai Davi, pois me fizeste rei sobre um povo tão numeroso quanto o pó da terra. Dá-me sabedoria e conhecimento, para que eu posso liderar esta nação, pois quem pode governar este teu grande povo? (2Cr 1.8-10; cf. 1Rs 3.6-9)
O pedido de Salomão não brotou de um desejo egoísta e prepotente de seu coração. Como o próprio Senhor destacou, Salomão "não pediu riquezas, nem bens, nem honra, nem a morte dos seus inimigos, nem vida longa" (2Cr 1.11; cf. 1Rs 3.11). Um rei orgulhoso e cobiçoso pediria qualquer um desses benefícios. Mas Salomão se preocupou com a promessa de Deus, com o propósito divino estabelecido para a descendência de Davi. Ele reconheceu que era incapaz de liderar o povo por seus próprios méritos e dependia da capacitação do Deus de seu pai. Ele poderia ter pedido literalmente qualquer outra coisa. Mas, se algum objetivo havia, este era o de cumprir o propósito de Deus. Foi o Senhor que soberanamente decidiu dar o que Salomão não pediu: riquezas, fama, bens, honra e longevidade (1Rs 3.13-14; 2Cr 1.12). E isto fez o Eterno porque estava dentro do Seu propósito, uma vez que Salomão teria assim recursos para construir o templo dedicado ao nome do Senhor. Novamente, não serve esta referência para a classificação pretendida. Isso não tem nada a ver com a Fogueira Santa.
No que tange ao sacrifício de Davi na eira de Araúna, também não há margem para inferir que se trata de um sacrifício para atingir um objetivo. Davi pecou contra o Senhor quando levantou o censo de Israel e Judá, apesar da advertência de Joabe (2Sm 24.1-9; 1Cr 21.1-6). Após o recenseamento, Davi reconheceu seu pecado e Deus lhe deu três opções de castigo, tendo sido enviada uma peste por três dias contra Israel, resultando na morte de 70 mil homens (2Sm 24.10-17; 1Cr 21.8-17). Então, o Senhor mandou o profeta Gade dizer a Davi que O oferecesse sacrifícios na eira de Araúna (2Sm 24.18-19; 1Cr 21.18-19). Ele estava disposto a ceder gratuitamente sua eira ao rei Davi, o qual recusou, dizendo: "Não oferecerei ao SENHOR, o meu Deus, holocaustos que não me custem nada" (2Sm 24.24; cf. 1Cr 21.24), que é justamente o texto referenciado pelo autor da Força Jovem de Santana de Parnaíba. O versículo seguinte conclui a história:
Davi edificou ali um altar ao SENHOR e ofereceu holocaustos e sacrifícios de comunhão. Então o SENHOR aceitou as súplicas em favor da terra e terminou a praga que destruía Israel. (2Sm 24.25; cf. 1Cr 21.26-27)
O sacrifício de Davi na eira de Araúna estava relacionado à expiação de pecados. A peste assolou Israel como consequência do levantamento do censo e o sacrifício de Davi aplacou a ira de Deus contra o pecado do povo. Não havia nenhum objetivo a ser alcançado senão o perdão de pecados.
Da mesma forma, qual era o objetivo de Elias com o sacrifício no Carmelo? Riquezas? Prosperidade? Conquistas militares? Não! Como o profeta bem falou, a dinastia de Onri, especialmente durante o reinado de Acabe, estava perturbando Israel com tamanha iniquidade e idolatria (1Rs 18.18). Elias já havia predito que haveria grande seca e que só choveria de novo quando ele dissesse (1Rs 17.1). Para um povo corrompido por seguir Baal, considerado deus da chuva e da fertilidade, esta era uma enorme demonstração de oposição a essa divindade. Após três anos de seca, Elias regressa a Samaria, capital do Reino do Norte, e convoca todo o povo para testemunhar o duelo entre ele e os 450 profetas idólatras de Baal e Aserá (1Rs 18.19-20). Ele confronta todo o povo de Israel, dizendo: "'Até quando vocês vão oscilar para um lado e para o outro? Se o SENHOR é Deus, sigam-no; mas, se Baal é Deus, sigam-no'. O povo, porém, nada respondeu" (1Rs 18.21). A indefinição de fé daquele povo corrompido pela idolatria era terrível.
Elias propôs que fosse oferecido um sacrifício e que o povo seguisse o deus que respondesse com fogo, provando verdadeiramente sua divindade (1Rs 18.23-24). Baal também era considerado como controlador do fogo e dos relâmpagos. Se, além de não responder com chuva por três anos, também não respondesse com fogo, de que seria útil a Israel permanecer seguindo esse ídolo que nada pode fazer? Os profetas de Baal passaram toda a manhã e adentraram a tarde clamando ao falso deus para que os respondesse, mas nada aconteceu (1Rs 18.25-29). Elias, por sua vez, mandou o povo se aproximar, restaurou o altar do Senhor com 12 pedras, simbolizando as 12 tribos de Israel e encharcou toda a área com o novilho e a lenha, a ponto de a água escorrer do altar (1 Rs 18.30-35). Além de ser um baita desperdício, num contexto de três anos de seca extrema, era um enorme dificultador da combustão natural. Somente por um milagre aquele holocausto seria totalmente consumido.
A breve oração de Elias demonstra o único "objetivo" desse sacrifício:
Ó SENHOR, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, que hoje fique conhecido que tu és Deus em Israel e que sou o teu servo e que fiz todas estas coisas por ordem tua. Responde-me ó SENHOR, responde-me, para que este povo saiba que tu, ó SENHOR, és Deus e que fazes o coração deles voltar para ti. (1Rs 18.36-37)
A finalidade desse sacrifício era demonstrar a soberania de Deus diante do Seu povo, acima de qualquer divindade pagã, e converter o coração desse povo corrompido pela idolatria novamente para o Senhor. Esse foi o resultado: "todos caíram prostrados e gritaram: 'O SENHOR é Deus! O SENHOR é Deus!'" (1Rs 18.39). A classificação desse sacrifício como sendo para alcançar algum objetivo, afastando-o de qualquer conexão com o pecado, não se sustenta.
Quanto ao sacrifício de Gideão, também não existe margem no texto para inferir que ele tinha algum objetivo em mente ao fazê-lo. Deus o constituiu como reformador de Israel após um período de sete anos nas mãos dos midianitas por ter feito o que era mau aos olhos do Senhor (Jz 6.1-24). Na noite seguinte ao chamado de Gideão, Deus o instrui a destruir o altar de Baal e cortar o poste de Aserá, divindades que o povo passou a seguir quando abandonou o Rei de Israel, que estavam na propriedade do seu pai, Joás. Em seguida, deveria fazer um altar novo, agora dedicado ao Senhor, usar os pedaços de madeira do poste-ídolo como lenha e oferecer o novilho de 7 anos do rebanho do seu pai, que correspondia aos sete anos de destruição de Israel por suas iniquidades (Jz 6.25-28). Gideão apenas fez o que Deus instruiu, sem pretender alcançar nenhum objetivo, visto que a iniciativa não era dele, e ainda o fez cheio de medo.
Sendo assim, resta evidenciado que nenhuma das referências apresentadas para a suposta categoria de sacrifícios para alcançar algum objetivo sustenta essa tese biblicamente.
Por fim, no que se refere ao sacrifício de Ana, este tratou-se do cumprimento de seu voto ao Senhor. Ela era estéril e naquele contexto a mulher que não podia ter filhos era vítima de humilhação e desgosto. Com Ana isso começava dentro da própria casa, partindo da outra esposa de seu marido. Certo dia, ela orou a Deus e expôs toda a sua amargura diante do Senhor, fazendo um voto de que, se Ele lhe abençoasse com um filho, faria questão de dedicá-lo por inteiro ao serviço na casa de Deus.
Quando o Altíssimo concedeu a Ana a dádiva de dar à luz um filho, ela cumpriu o voto de dedicação, sacrificando um novilho, acompanhado de farinha e vinho, conforme prescrito na Lei de Moisés (Nm 6.1-12; 15.1-9). Esse é um exemplo do que foi falado ao fim do primeiro artigo desta série de exposições: havia basicamente cinco tipos principais de ofertas e, para cada ocasião, a Lei determinava quais e quantas deveriam ser apresentadas e a forma com que se deveria fazê-lo.
No fundo, todo o sistema sacrificial estava assentado sobre a noção de que o homem precisava de um animal substituto por seus pecados para que pudesse se aproximar do Senhor. Nesse ponto, o autor da Força Jovem de Santana de Parnaíba acerta ao afirmar que "o sacrifício é conhecido como Korban, palavra oriunda do hebreu karov, que significa 'vir para perto de Deus'". É realmente isso! E essa é mais uma prova contundente de que Jesus ofereceu o último e definitivo sacrifício, senão vejamos o que consta na Carta aos Hebreus:
Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus [...] aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade. [...] Portanto, ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, se aproximam de Deus, pois vive sempre para interceder por eles. [...] Ao contrário dos outros sumos sacerdotes, ele não tem necessidade de oferecer sacrifícios dia após dia, primeiro por seus próprios pecados e, depois, pelos pecados do povo. Ele o fez de uma vez por todas quando ofereceu a si mesmo. [...] Portanto, irmãos, temos plena confiança para entrar no Lugar Santíssimo pelo sangue de Jesus, por um novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é, do seu corpo. Também temos um grande sacerdote sobre a casa de Deus. Assim, aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, porque o nosso coração foi purificado de uma consciência má e o nosso corpo lavado com água pura. (Hb 4.14-16; 7.25-27; 10.19-22)
Você prefere acreditar no que a Bíblia está afirmando categoricamente ou na ideia insana de que ainda precisamos de sacrifícios para nos aproximarmos de Deus? O texto da Força Jovem de Santana de Parnaíba continua:
Ao ler a Bíblia percebe-se que todos os heróis da Fé, tiveram que fazer um Sacrifício. Abel, Noé, Abraão, Isaque, Jacob, Moisés, Josué, Gideão, Jó, Davi, Salomão….JESUS… Quando Elias quis que o fogo caísse do alto, ele sacrificou. Quando Jacob quis uma aliança com Deus, ele sacrificou o azeite que possuía. Quando Gideão quis derrotar os midianitas, ele sacrificou o segundo boi. Abel agradou a Deus porque apresentou melhor sacrifício que Caim. David a cada seis passos oferecia Sacrifício ao SENHOR. Os discípulos de Jesus abandonaram tudo para segui-lo (Sacrificaram tudo em suas vidas). JESUS para salvar a humanidade sacrificou sua própria vida. Como falar de Fé e não falar de Sacrifício? A Fé exige Sacrifício. Ora, o que difere um crente de um incrédulo? Simplesmente o fato de dizer que aceitou Jesus? Obviamente não. Mas sim o SACRIFÍCIO que a pessoa faz. A oração é um modo de sacrifício, o jejum é outro, a leitura da Bíblia é outro, a renuncia ao pecado é outro. A Fogueira Santa de Israel é apenas mais uma arma da Fé, mais uma maneira de Sacrifício. Claro que a cruz que Jesus carregou, foi o maior de todos os Sacrifícios, foi o perfeito Sacrifício. Mas não se esqueça que Jesus disse: “E chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me.” (Marcos 8.34) O que seria essa cruz senão o Sacrifício? A Bíblia de Gênesis a Apocalipse, se resume a Sacrifício. A partir de Abel e Caim (Gênesis 4), a Bíblia só fala de Sacrifício. Uma pessoa que não aceita o Sacrifício, não aceita a Bíblia. Fonte: Fogueira Santa é bíblica
Cuidado com as afirmações generalistas! Edir Macedo afirmou que todos os milagres de Jesus foram feitos mediante sacrifício, o que provamos não ser verdade. Agora o autor desse texto está afirmando que todos os heróis da fé tiveram que fazer um sacrifício. Mentira! O livro de Gênesis conta em detalhes a história de José, filho de Jacó. Ao longo de 13 capítulos, é narrada a saga daquele jovem que fora vendido como escravo por seus próprios irmãos e se tornou governador do Egito. Qual o sacrifício que José fez? Ele é um dos maiores heróis da fé e consta no rol de patriarcas (Hb 11.22), tendo sido um verdadeiro exemplo de fidelidade a Deus, mas não há nenhuma menção de qualquer sacrifício oferecido por ele. Argumento furado.
O que difere um crente de um incrédulo é justamente o que a própria terminologia dessas palavras descreve: a crença. Um crente é aquele que crê em Cristo. Um incrédulo é aquele que, ao contrário, não crê. Quando a pessoa crê em Jesus como Filho de Deus, na suficiência do Seu sacrifício e na Sua ressureição, ela é salva pela graça, sendo justificada diante do Supremo Juiz, e o Espírito Santo inicia uma obra de santificação desse crente, tornando-o em uma nova criatura para a glória de Deus. É isso o que difere o crente do incrédulo.
É boa a palavra de que as práticas espirituais (oração, leitura da Palavra etc.) são sacrifícios. Falaremos sobre isso no próximo artigo desta série. Mas isso se limita às ofertas espirituais. Não tem nada a ver com a Fogueira Santa, com alcançar objetivos materialistas ou com dar dinheiro para a Igreja Universal. E já que o nosso colega tem dificuldade para entender o que significa tomar a sua cruz, vejamos o que o apóstolo Paulo explica sobre isso:
Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim. (Gl 2.20)
Tomar a sua cruz é fazer morrer a natureza pecaminosa, renunciando os desejos iníquos do coração, e viver pela fé em Cristo, em santidade, para a glória de Deus. Novamente, não tem nada a ver com dar dinheiro para a Igreja Universal.
Eu responderia a última parte do texto em análise dizendo que, na verdade, de Gênesis a Apocalipse a Bíblia só fala de Jesus, pois, como Ele mesmo disse: "são as Escrituras que testemunham a meu respeito" (Jo 5.39). Uma pessoa que não aceita a suficiência da obra redentora de Cristo na cruz, esta sim não aceita a Bíblia.
Prossigamos agora com outro texto, hospedado no blog de Edenilson Lopes, que, ao que tudo indica, parecer ser um pastor da IURD.
A proposta da Fogueira Santa é reverter o quadro de sofrimento que as pessoas vivem, pois quem é de Deus jamais se submeterá a qualquer tipo de fracasso em sua vida. Não aceita derrotas de ordem espiritual, profissional, sentimental, familiar ou física. A fé no Senhor Jesus não combina com fracassos e a convicção em relação às Suas promessas é tão profunda que nem a própria morte é capaz de removê-la. Quem tem fé, luta para ser mais que vencedor. Se tivermos fé em Deus, tudo será possível. Como? Agindo do mesmo modo que os filhos de Israel, tendo as mesmas atitudes que eles tiveram. Fonte: O QUE É A FOGUEIRA SANTA?
Um dos maiores slogans da Universal é: PARE DE SOFRER! Quem quer ser pobre? Quem quer morar em área de risco? Quem quer ter que lidar com problemas de saúde? Quem quer andar de ônibus lotado? Quem quer sofrer? A proposta da Fogueira Santa, portanto, é ser o recurso final para quem quer parar de sofrer, sob as falsas premissas do evangelho da prosperidade. Mas isso é mesmo evangelho?
Pensemos nas palavras do próprio Cristo:
Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo. (Jo 16.33)
Jesus não prometeu mar de rosas para ninguém. Jesus não prometeu riquezas, conforto e segurança. Jesus não prometeu romances hollywoodianos. Jesus não prometeu churrasco todo fim de semana. Pelo contrário, Ele afirmou categoricamente que neste mundo passageiro nós teríamos aflições. Todavia, diante dos sofrimentos e dificuldades da nossa vida terrena, fomos orientados pelo Mestre a não desanimarmos, pois Ele venceu o mundo. Podemos descansar na certeza de que Ele nos guarda e fortalece para que alcancemos a vitória com Ele quando ressuscitarmos para a vida eterna no Grande Dia do Senhor.
Vejamos algumas declarações constantes nas epístolas do Novo Testamento:
Para impedir que eu me exaltasse por causa da grandeza dessas revelações, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás, para me atormentar. Três vezes roguei ao Senhor que o tirasse de mim. Mas ele me disse: "Minha graça é suficiente a você, pois o meu poder se aperfeiçoa na sua fraqueza". Portanto, eu me gloriarei ainda mais alegremente em minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse em mim. Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco, é que sou forte. (2Co 12.7-10)
Pela régua do Edenilson Lopes, conforme o que ele aprendeu na Universal, parece que Paulo não era de Deus... Paulo confiou na Palavra do Senhor de que apenas a Sua graça era suficiente. Paulo se gloriava alegremente nas suas próprias fraquezas. Paulo se regozijava até nas necessidades. Paulo não lutava contra elas; antes, submetia-se a ponto de se regozijar nelas. Necessidades não são fracassos para a Universal? Fome, sede, pobreza, doença... Quanta diferença entre as perspectivas do apóstolo de Cristo e da seita de Edir Macedo!
[...] aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece. (Fp 4.11-13)
Contentamento é sinônimo de satisfação, realização pessoal, felicidade plena. Paulo se contentava tanto com a fartura quanto com a pobreza, tanto com o alimento quanto com a fome. O apóstolo aceitava as "derrotas", conforme as concepções desse mundo materialista, porque sabia que com a graça de Cristo o fortalecendo ele poderia enfrentar todas elas e, ainda assim, "ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus" (Fp 3.14), a saber, a vida eterna. Isso ecoa perfeitamente as suas palavras na Carta aos Romanos:
Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada. [...] o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus. Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou. Que diremos, pois, diante dessas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará com ele, e de graça, todas coisas? Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? Foi Cristo Jesus que morreu; e mais, que ressuscitou e está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? [...] Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Rm 8.18-39)
Segundo a doutrina demoníaca da Universal, quem é de Deus não aceita os "fracassos", que no discurso cotidiano da instituição podem ser entendidos como privações e necessidades naturais da vida terrena. Por isso, essas pessoas lutam e sacrificam para que não sejam mais fracassados. Porém, segundo a sã doutrina dos apóstolos de Cristo, o verdadeiro cristão vive com contentamento no Senhor, mesmo diante das maiores necessidades, pois sabe que a graça de Deus lhe basta, fortalecendo-o em suas fraquezas para que ele complete a carreira da sua fé alcançando a glória da vida eterna no porvir. Isso que é ser verdadeiramente vitorioso. Há tantos que não passam por necessidades nesse mundo, mas são verdadeiros fracassados que se depararão com a morte eterna quando findarem suas vidas terrenas. Por outro lado, há aqueles que, como o mendigo Lázaro, só conhecem o sofrimento e a aflição nesse mundo, mas entrarão vitoriosos no gozo do Senhor quando derem seu último suspiro.
Portanto, é valiosa a lição da Epístola aos Hebreus:
Conservem-se livres do amor ao dinheiro e contentem-se com o que vocês têm, porque Deus mesmo disse: "Nunca o deixarei, nunca o abandonarei". Podemos, pois, dizer com confiança: "O Senhor é o meu ajudador, não temerei. O que me podem fazer os homens?" (Hb 13.5-6)
Essa é uma atitude que só mesmo aquele que tem os olhos fitos no Senhor consegue tomar: contentar-se com o que se tem, seja pouco, seja muito. O que realmente é necessário é a presença de Deus junto de si. Essa é a atitude de uma ovelha para com seu pastor (Sl 23.1).
Segundo o Edenilson, quem tem fé luta para ser mais que vencedor (na perspectiva materialista desse mundo vil) e faz isso agindo do modo que os filhos de Israel agiram (trazendo a bola para o campo do sacrifício). Agora pense: os filhos de Israel agiram de muitas maneiras erradas várias vezes pela cobiça dos seus corações, inclusive rejeitando o próprio Messias prometido. Por outro lado, Paulo, apóstolo de Cristo, na Carta aos Romanos, afirma que somos mais que vencedores não por tomarmos as mesmas atitudes que os filhos de Israel, mas sim por meio dAquele que nos amou, a saber, o Senhor Jesus. Aliás, o próprio Cristo afirmou aos judeus que simplesmente ser "filho de Israel" não significa nada: "Se vocês fossem filhos de Abraão, fariam as obras que Abraão fez" (Jo 8.39). E o que Abraão fez? "Abraão creu no SENHOR, e isso lhe foi creditado como justiça" (Gn 15.6). Por isso, Paulo ressoa o ensino de Cristo ao afirmar que "os que são da fé é que são filhos de Abraão" (Gl 3.7).
Contudo, se fazem tanta questão de um verdadeiro exemplo de um filho de Israel, que pratica as obras de Abraão, citemos a oração do profeta Habacuque:
Mesmo não florescendo a figueira e não havendo uvas nas videiras, mesmo falhando a safra de azeitonas e não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral, nem bois nos estábulos, ainda assim eu exultarei no SENHOR e me alegrarei no Deus da minha salvação. (Hc 3.17-18)
O livro de Habacuque se inicia com um profeta indignado com Deus pela aparente impunidade em relação às injustiças e opressões. O livro se encerra com uma bela oração em que, ciente de que deveria esperar silenciosamente pela manifestação do juízo divino, Habacuque afirma que mesmo diante do caos e do intenso sofrimento ele pode se alegrar no Senhor, confiando que Deus sabe o que é o melhor e que executará a Sua justiça no tempo oportuno. O profeta se alegra não porque Deus lhe prometeu uma vida de flores, mas porque nEle está a sua salvação mesmo no mais profundo abismo. Habacuque agora aceita a vontade do Eterno sem questioná-Lo ou reivindicar algo dEle, mas apenas confiando no Deus da sua salvação. Esse verdadeiro filho de Israel, portanto, também agiu diferente do que o Edenilson da Universal está ensinando no seu texto... Mas prossigamos com a análise:
O Senhor Jesus deu Sua vida por nós; se quisermos conquistar a plenitude da vida que Ele nos oferece, então, da mesma forma, teremos de sacrificar a nossa vida. [...] O sacrifício legítimo faz com que passemos a viver totalmente na dependência de Deus; e apenas sacrifica inteiramente quem realmente crê nas promessas guardadas em Sua Palavra. [...] Na Fogueira Santa usamos a nossa fé para chamar a atenção de Deus. Por essa razão, não pode ser oferecido ao Senhor qualquer coisa. Tem de ser algo especial que represente um sacrifício especial. Mas nem todos têm a mesma fé. Fonte: O QUE É A FOGUEIRA SANTA?
Perceba como é absolutamente ilógico esse argumento: se eu preciso sacrificar a minha vida para conquistar a plenitude de vida que Jesus me oferece, por que razão então Ele precisou dar a Sua vida por mim? Isso é uma contradição em termos. As Escrituras são bastante claras a esse respeito, conforme vimos no texto de Romanos que acabamos de ler: "Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas O ENTREGOU por todos nós, como não NOS DARÁ com ele, E DE GRAÇA, TODAS AS COISAS?" (Rm 8.32). Veja como a lógica de Paulo é completamente contrária à lógica do Edenilson e da Igreja Universal. Segundo a sã doutrina dos apóstolos de Cristo, é justamente em razão do sacrifício de Cristo que temos a garantia de que Deus nos dará DE GRAÇA todas as coisas com Cristo.
Deus não vende a plenitude de vida que nos foi oferecida por meio de Cristo. Ele a dá, E DE GRAÇA! O próprio Cristo por várias vezes já falou isso: "Eu lhes DOU a vida eterna" (Jo 10.28); "eu pedirei ao Pai e ele DARÁ a vocês outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade" (Jo 14.16); "a minha paz DOU a vocês" (Jo 14.27). Nenhuma das promessas divinas está condicionada a sacrifícios feitos por homens, mas única e exclusivamente ao sacrifício do Filho de Deus em nosso favor.
É igualmente contraditória a afirmação de que "o sacrifício legítimo faz com que passemos a viver totalmente na dependência de Deus". Alguém que precisa sacrificar para provocar o Senhor a atendê-lo em seus anseios não depende de Deus, mas, na verdade, está tentando controlar o Seu poder conforme a cobiça do próprio coração materialista. Quem descansa na graça de Deus e confia nos méritos do sacrifício de Cristo é que verdadeiramente vive totalmente na dependência de Deus. Ao invés de sacrificar para obrigar o Senhor a mudar as circunstâncias que não lhes são confortáveis, aqueles que são totalmente dependentes de Deus fazem o que o apóstolo Paulo orientou: "Alegrem-se sempre. Orem continuamente. Deem graças em TODAS as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus" (1Ts 5.16-18).
Também é falsa a premissa de que precisamos sacrificar para chamar a atenção de Deus. Um exemplo disso é o diálogo entre Deus e Seu povo no livro do profeta Oseias. Após a pesada sentença do juízo divino contra Israel, esta é a fala do povo:
Venham, voltemos para o SENHOR. Ele nos despedaçou, mas nos trará cura; ele nos feriu, mas sarará nossas feridas. Depois de dois dias ele nos dará vida novamente; ao terceiro dia, ele nos restaurará, para que vivamos em sua presença. Conheçamos o SENHOR; esforcemo-nos por conhecê-lo. Tão certo como nasce o sol, ele aparecerá; virá para nós como as chuvas de inverno, como as chuvas de primavera que regam a terra. (Os 6.1-3)
Israel estava querendo chamar a atenção de Deus por meio de atos religiosos, dentre os quais especialmente os sacrifícios mosaicos. Assim, eles pensavam que conseguiriam aplacar a ira divina e evitar os flagelos que estavam por vir. Contudo, Deus nega esse arrependimento fingido e declara:
Pois desejo misericórdia e não sacrifícios; conhecimento de Deus em vez de holocaustos. Na cidade de Adão, eles quebraram a aliança e me foram infiéis. (Os 6.6-7)
Não é sacrifício que o Senhor quer! É fidelidade, obediência, temor, santidade, justiça, misericórdia, conhecimento de Deus! É isso que Ele deixa também muito claro no último capítulo do livro de Isaías:
A este eu estimo: ao humilde e contrito de espírito, que treme diante da minha palavra. Mas aquele que sacrifica um boi é como quem mata um homem; aquele que sacrifica um cordeiro, é como quem quebra o pescoço de um cachorro; aquele que faz oferta de cereal é como quem apresenta sangue de porco, e aquele que queima incenso memorial, é como quem adora um ídolo. Eles escolheram os seus caminhos, e suas almas têm prazer em suas práticas detestáveis. (Is 66.2-3)
Nunca foram os sacrifícios que chamaram a atenção de Deus para o homem. Mesmo no período em que estava vigente a Lei de Moisés acerca dos rituais sacrificiais, o Criador abominava essas ofertas quando o ofertante não era humilde e temente ao Senhor. Quanto mais abominável e arrogante é aos olhos do Pai que alguém despreze o sacrifício do Seu Filho para oferecer sacrifícios próprios, imundos e imperfeitos, no intento de chamar a Sua atenção!
Àqueles que querem chamar a atenção de Deus, a Bíblia nos esclarece que "os olhos do SENHOR estão atentos sobre toda a terra para fortalecer aqueles que lhe dedicam totalmente o coração" (2Cr 16.9). Por isso, o próprio Deus diz: "Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração. Eu me deixarei ser encontrado por vocês" (Jr 29.13-14). Esse é o segredo para chamar a atenção de Deus. Não depende de sacrifícios.
Aliás, é um grave ultraje, além de afirmar que precisamos de sacrifícios para chamar a atenção de Deus, dizer que precisa ser "algo especial que represente um sacrifício especial". Apenas medite nas palavras do apóstolo João:
No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus e era Deus. Ele estava com Deus no princípio. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, sem ele, nada do que existe teria sido feito. Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. [...] Aquele que é a Palavra estava no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele [...] aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus. Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade. [...] Todos recebemos da sua plenitude, graça sobre graça. [...] Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido. [...] "Vejam! É o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! Este é aquele a quem eu me referi, quando disse: Vem depois de mim um homem que é superior a mim, porque já existia antes de mim" [...] "Eu vi e testifico que este é o Filho de Deus". (Jo 1.1-34)
Que sacrifício poderia ser melhor do que o Filho do Deus vivo? Há algum sacrifício mais perfeito do que o próprio Senhor Jesus Cristo crucificado? Nunca houve e jamais haverá!
O texto prossegue:
Você poderá obter muitas bênçãos por meio de sacrifícios, no entanto, a salvação eterna só ocorrerá quando alguém reconhecer verdadeiramente Jesus como Senhor de sua vida. [...] Somente àqueles que seguem o Senhor Jesus há garantias de Salvação Eterna. Fonte: O QUE É A FOGUEIRA SANTA?
A primeira indagação que deve ser feita é a seguinte: é possível alguém realizar um sacrifício "perfeito" sem, antes, reconhecer Jesus como Senhor? Se o sacrifício, segundo a Universal, é a materialização da fé para alcançar as bênçãos divinas, como alguém por sacrificar sem crer em Jesus? Inclusive, eles costumam dizer que não vai acontecer nada se a pessoa sacrificar valores no "altar", mas não entregar toda a sua vida e se arrepender dos seus pecados. Sendo assim, como alguém pode obter muitas bênçãos por meio de sacrifícios vivendo em pecado sem crer em Cristo?
A segunda indagação é esta: Deus aceita que pessoas se aproximem dEle por meio de sacrifícios de dinheiro para alcançarem muitas bênçãos, mas sem nenhum interesse em reconhecer Seu Filho como Senhor e serem salvas? O Altíssimo possui duas frentes de atuação? Por um lado, trata com interesses materialistas, e, por outro, com salvação?
A terceira indagação é a seguinte: por que o Edenilson diz que não se pode obter a salvação por meio de sacrifícios enquanto o Júlio Freitas afirma categoricamente o contrário, conforme lemos no início deste artigo?
Percebe-se, portanto, como tudo não passa de invencionice. Não há uma doutrina rígida, bem fundamentada biblicamente. Eles alegorizam textos de homens do passado que realizaram sacrifícios, mas a doutrina, as regras, o formato, é tudo inventado por eles a seu bel-prazer, sem nenhuma base nas Escrituras Sagradas. Tanto que se contradizem o tempo todo, conforme a ocasião demanda.
O último texto a ser analisado é tão ridículo que chega a ser engraçado. Você vai se surpreender com a capacidade do "pastor" Daniel Lopes de se expor à chacota conscientemente. Leia:
Religiosos, por serem mornos, acomodados e autossuficientes, tem AVERSÃO ao sacrifício. Por outro lado existem pessoas que até acreditam, mas tem muitas dúvidas. Por isso vou tentar explicar, até porque eu também já tive dúvidas, já questionei... Lembro-me que certa vez, me questionando sobre o assunto achei esta palavra: "Porque há muito está preparada a fogueira, preparada para o rei; a pira é profunda e larga, com fogo e lenha em abundância; o assopro do Senhor, como torrente de enxofre, a acenderá." (Isaías 30:33) Então parei para meditar... Entendi que não foi a IURD, ou o bispo que criou essa fogueira. Ela já existia há muito tempo, preparada exclusivamente para o REI. Para fazê-la tem de haver na pessoa, fogo (revolta) e lenha( sacrifício) em abundância. [...] Somente o sacrifício faz com que o assopro do Senhor a acenda. Esse assopro representa a resposta de Deus, que consome com os problemas. É claro que eu não posso exigir que as pessoas creiam no que a mim foi revelado. Pode até aparecer um estudioso da bíblia e vir me questionar, dizer que essa fogueira referida, diz respeito ao julgamento da Assíria...blá...blá... Mas, o importante é que eu creio e isso me basta. Além do meu testemunho pessoal, há milhões de pessoas que ressurgiram das cinzas por causa dessa campanha de fé extrema. Fonte: ONDE ESTÁ ESCRITO FOGUEIRA SANTA NA BÍBLIA?
Como de costume para quem não possui argumentos lógicos para sustentar suas teses, o texto do Daniel começa com uma desaprovação das pessoas que não concordam com as práticas dele. Elas são, então, consideradas como mornas, acomodadas e autossuficientes. No linguajar da Universal, ser morno significa não materializar a fé, dizer que acredita em Deus, mas não participar das campanhas promovidas lá. Acomodado é quem, diante de um problema, não se revolta e "parte para cima" para mudar a situação. Autossuficiente é quem depende de si mesmo, e não de Deus. Nesse caso, penso que foi uma má escolha do autor, pois quem descansa na graça de Deus o faz porque definitivamente não depende de si mesmo, mas, sim, dos méritos de Cristo. Autossuficiente é quem, apesar da graça de Deus, quer obrigá-lo a satisfazer sua cobiça por meio de sacrifícios. Se faz isso, é porque não confia em Deus, mas em si mesmo, ou seja, é autossuficiente.
É curiosa a forma com que o Daniel, já sabendo quão ridícula é a sua tese, se previne de antemão contra as objeções que um estudioso da Bíblia faria contra ela. Para ele, não importa o contexto. O que importa é o que ele quer que o texto signifique e ponto final. Analisemos, pois, o contexto desse versículo.
Na profecia do capítulo 30 de Isaías, o Senhor censura Judá por se aliar ao Egito para se proteger da Assíria, pois, com isso, estavam fazendo uma aliança em consultá-Lo, demonstrando a sua falta de confiança em Deus. O Senhor promete consolar Seu povo diante das aflições e, então, destruir o seu inimigo, a saber, a Assíria:
Vejam! De longe vem o Nome do SENHOR, com sua ira em chamas e densas nuvens de fumaça; seus lábios estão cheios de ira, e sua língua é fogo consumidor. Seu sopro é como uma torrente impetuosa que sobe até o pescoço. Ele faz sacudir as nações na peneira da destruição; ele coloca na boca dos povos um freio que os desencaminha. E vocês cantarão como em noite de festa sagrada; seus corações se regozijarão como quando se vai, ao som da flauta, ao monte do SENHOR, à Rocha de Israel. O SENHOR fará que os homens ouçam sua voz majestosa e os levará a ver seu braço descendo com ira impetuosa e fogo consumidor, com aguaceiro, tempestades de raios e saraiva. A voz do SENHOR despedaçará a Assíria; com seu cetro a ferirá. Cada pancada que com a vara o SENHOR desferir para a castigar será dada ao som de tamborins e harpas, enquanto a estiver combatendo com os golpes do seu braço. Tofete está pronta já faz tempo; foi preparada para o rei. Sua fogueira é funda e larga, com muita lenha e muito fogo; o sopro do SENHOR, como uma torrente de enxofre ardente, a incendeia. (Is 30. 27-33)
O termo hebraico originalmente usado por Isaías, conforme bem traduzido pela NVI, é "Tofete", ao invés de fogueira. A versão Almeida traduz por fogueira porque Tofete era o local onde crianças eram queimadas em sacrifício ao deus Moloque (2Rs 23.10; Jr 7.31). Perceba como todo o contexto final da profecia de Is 30 está relacionado com o juízo de Deus contra a Assíria na figura de uma fogueira: ira em chamas e fogo consumidor (vs. 27 e 30). No último versículo, o Senhor afirma que o rei da Assíria será destruído ali, ou seja, que o juízo divino irá consumir o inimigo do povo de Deus tal qual o fogo consumia os sacrifícios humanos oferecidos a Moloque naquele lugar. Não é preciso detalhar mais, pois o próprio autor do texto em defesa da Fogueira Santa já facilitou bastante o nosso trabalho adiantando essa informação.
O falso pastor diz, portanto, que a Fogueira Santa não foi uma criação da IURD, até porque, como nós bem sabemos, desde que Cristo ascendeu aos céus todas as comunidades cristãs periodicamente realizavam campanhas de sacrifício para obtenção de bênçãos materiais. Se você não acredita, basta estudar sobre o que ocorria na Idade Média. A Universal chama de Fogueira Santa, mas a Igreja Católica Apostólica Romana chamava de Santa Inquisição e, com muito mais ousadia na fé, queimavam pessoas vivas.
Brincadeiras à parte, o suposto pastor afirma que, conforme o versículo mencionado, a fogueira já existe há muito tempo, preparada exclusivamente para o "REI", que, pela caixa alta, suponho se tratar de Jesus. Nesse caso, Jesus era o rei da Assíria e seria consumido pelo juízo de Deus em Tofete? Achei que a Bíblia falava que Jesus era o Rei do universo e de toda a criação e que o juízo de Deus havia sido sobre Ele em nosso favor numa cruz, no Calvário, e não em uma fogueira, em Tofete...
Ele tira da cartola a suposição de que o fogo é a revolta e o sacrifício é a lenha dessa fogueira. Aprendeu direitinho com o Júlio Freitas! Será que ele já foi auxiliar do genro do Edir Macedo? Contudo, novamente é contraditória essa aberração, uma vez que se o sacrifício é a lenha, o que realmente é oferecido? Achei que o sacrifício era um animal... Não bastasse a Universal ter inventado o sacrifício de dinheiro, agora está inventando o sacrifício de madeira também? Pense na proporção que o desmatamento vai tomar se essa moda pegar!
Ele continua:
Outra coisa muito importante, sacrifício não é troca, mas obediência. É como se seu chegasse diante de Deus e dissesse: "Oh, Deus...sei que o Senhor não pode ser comprado com dinheiro, mas quero que o Senhor lembre que deixei de fazer isso, não comprei aquilo que tanto desejava, fui ridicularizado, perseguido... só pra atender a tua voz... aqui está o meu sacrifício que prova que minha fé não é teórica, estou na tua dependência...se o senhor quiser me responder, a tua glória será vista na minha vida, se não, estarei perdido, pois não há ninguém além de ti que pode me livrar." Fonte: ONDE ESTÁ ESCRITO FOGUEIRA SANTA NA BÍBLIA?
Aqui encontramos mais um problema de coerência na doutrina da Fogueira Santa de Israel. O pastor Daniel está afirmando que sacrifício não é uma troca, mas a primeira citação oficial da Universal que fizemos no presente artigo esclarece com todas as letras que é, sim, uma troca. Afinal, é ou não é uma troca? Fiquei confuso.
O pior de tudo é a tentativa de explicar que não é uma troca. Eu parafraseio: "Eu sei que o Senhor não pode ser comprado com dinheiro, mas estou dando meu dinheiro todo aqui na IURD mesmo assim para que fiques obrigado a fazer o que eu quero. Se não fizeres do meu jeito, nem pense que serás glorificado na minha vida. Pense direitinho, pois, se eu não for abençoado, vai ser um vexame para o Senhor, uma vez que é a minha riqueza que será capaz de fazer as pessoas respeitarem a Ti." Acho que se tentasse comprar o Senhor de imediato seria menos escabroso do que esse discursinho barato.
Quem teve a brilhante ideia de dar tudo para a Igreja Universal a fim de que Deus fosse obrigado a restituir e abençoar muito mais a vida dessa pessoa, pois, caso contrário, ela estaria no limbo e seria uma vergonha pro Altíssimo? Onde fica o mandamento: "Não ponham À prova o SENHOR, o seu Deus" (Dt 6.16)? Será que ninguém aprendeu nada com a tentação de Jesus?
Então o Diabo o levou à cidade santa, colocou-o na parte mais alta do templo e lhe disse: "Se és o Filho de Deus, joga-te daqui para baixo. Pois está escrito: 'Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, e com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra'." Jesus lhe respondeu: "Também está escrito: 'Não ponha à prova o Senhor, o seu Deus'." (Mt 4.5-7)
Imagine se Jesus, movido pela pregação de Satanás, se jogasse do pináculo do Templo e, enquanto caía, orasse: "Pai, Eu sei que não precisava fazer nada disso, mas quero que Tu saibas que eu me joguei, coloquei minha vida em risco, mas estou provando que Minha fé não é teórica, estou na Tua dependência... Se o Senhor quiser me responder, a Tua glória será vista na minha vida, se não, estarei literalmente morto." É exatamente isso que as pessoas fazem na Universal. Ao invés de viverem suas vidas de modo decente, trabalhando para prover o sustento da casa, fazendo o tratamento para cuidar da saúde, educando o filho com disciplina e exemplo pessoal, estudando para se especializar na profissão, economizando ao invés de gastar tudo futilmente... elas preferem dar seus bens e reservas para a família do Edir Macedo para que, então, aconteça o efeito mágico que só Deus poderia fazer. Estão tentando o Senhor a cada 6 meses e nem ao menos se dão conta da gravidade disso.
Agora ele prossegue na tentativa de fornecer mais argumentos bíblicos:
MAIS ARGUMENTOS BÍBLICOS: -(1Reis 17:9-16) Deus mandou Elias ir até uma viúva, que aos olhos humanos, não tinha nenhuma condição de ajudá-lo, mas porque obedeceu, sacrificou o pouco que tinha para dar a um estranho, ela e o filho foram livres da fome e da morte; -(Lucas 5:1-11) No melhor momento financeiro de Pedro, Tiago e João, Jesus os mandou deixar tudo e o seguirem. Eles só obedeceram; -(Marcos 10:21-22) Quando Jesus plantou a fogueira, digo, mandou sacrificar tudo que tinha, o jovem rico se entristeceu e se retirou; -(Lucas 19:8-9) Não precisou nem Jesus pedir, Zaqueu teve uma revelação e sacrificou. Jesus disse: hoje, houve salvação nessa casa, pois também este é filho de Abraão; -(Atos 4:37; 5:1-2) Ananias e Safira, ao verem Barnabé sacrificar, tentaram copiá-lo, mas foram tentados pelo diabo e não cumpriram o que prometeram. Fonte: ONDE ESTÁ ESCRITO FOGUEIRA SANTA NA BÍBLIA?
Sobre Elias e a viúva de Sarepta, devemos observar que Deus estava cuidando da provisão do seu profeta. Elias havia predito a grande seca a Acabe e o Senhor mandou que ele se escondesse junto ao ribeiro de Querite, ocasião em que Deus informou a Elias: "dei ordens aos corvos para o alimentarem lá" (1Rs 17.4). Quando esse riacho secou, o Senhor falou para Elias se deslocar para a cidade de Sarepta e informou mais uma vez: "Ordenei a uma viúva daquele lugar que lhe forneça comida" (1Rs 17.9). Na região de Sidom se localizava o centro de culto a Baal, sendo Jezabel, esposa de Acabe e principal opositora de Elias e corruptora de Israel, filha do rei dos sidônios (1Rs 16.31). Já era propósito do Eterno que, não somente em Israel ficasse demonstrado que só o Senhor é Deus, mas também lá na região em que se situava o centro da religião de Baal, por meio do milagre da multiplicação da farinha e do azeite da viúva, bem como a ressureição de seu filho. Foi o próprio Deus que ordenou a Elias que fosse até a casa da viúva para ser sustentado por ela. Foi o próprio Altíssimo que decretou que a viúva sustentasse o Seu profeta, da mesma forma que fizera aos corvos, por mais que ela nem soubesse disso. Ainda, não houve qualquer conotação ritualística. Não se tratava, portanto, de sacrifício, como tenta fazer crer o autor do texto em análise, tampouco há qualquer semelhança entre os princípios que regeram esse fato bíblico e os princípios da Fogueira Santa.
Quanto a Pedro, Tiago e João, eles não sacrificaram os peixes e barcos, nem tampouco tinham alguma recompensa em mente quando largaram tudo para seguir Jesus. Eles simplesmente foram tomados de temor e admiração e, com um coração contrito, atenderam ao chamado de Cristo para serem Seus discípulos ao invés de continuarem vivendo como pescadores de peixes.
No que se refere ao jovem rico, Jesus não plantou fogueira nenhuma. Esse é o linguajar de um pastor da Universal, pois é essa a sua especialidade: "plantar" envelope para "colher" dinheiro do povo no dia de cumprimento dos votos. Jesus não mandou o jovem rico sacrificar nada. Não havia uma liturgia sacrificial nesse ato. Cristo simplesmente mostrou que aquele jovem ainda estava com o coração preso às riquezas, por mais que se julgasse justo e obediente aos mandamentos. E, mesmo que o jovem rico tivesse atendido ao conselho do Senhor, ele não teria sacrificado nada. Ele simplesmente se desfaria dos seus bens e riquezas, repartindo-os com os pobres e, então, seguiria a Cristo como os demais discípulos, que viviam sem luxos, indo de um lugar a outro, sobrevivendo de doações que eventualmente recebiam e repousando em espaços cedidos por quem os acolhesse.
Quanto a Zaqueu, este não teve revelação alguma e nem sacrificou nada. O que aconteceu com ele foi o seu arrependimento. Ele havia superfaturado muito na cobrança de impostos ao longo de sua vida e, uma vez arrependido, produziu frutos de arrependimento. A forma pensada por ele de remediar os danos causados pela sua ganância foi dividir seus bens com os pobres e restituir "com juros e correção monetária" o que havia defraudado. Observe que logo após a afirmação do Senhor de que houve salvação, a razão não se limita a Zaqueu também ser filho de Abraão: "Hoje houve salvação nesta casa! Porque este homem também é filho de Abraão. Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido" (Lc 19.9-10). Ser filho de Abraão é fazer as obras que Ele fez, isto é, ouvir a voz de Deus e obedecê-la (Jo 8.39-40). Zaqueu creu na Palavra do Senhor Jesus, arrependeu-se de seus pecados e tornou-se obediente a Deus, por intermédio da obra de Cristo. Por isso que houve salvação. Não tem nada a ver com "sacrifício" de dinheiro.
Sobre Ananias e Safira, já comentamos no início do presente artigo.
Portanto, à luz de toda a introdução temática dos três artigos anteriores sobre a suficiência do sacrifício de Cristo e examinando o contexto de cada texto bíblico usado pela Universal para tentar fundamentar a Fogueira Santa na Bíblia, conclui-se inequivocamente que se trata de uma invenção da cabeça de Edir Macedo sem qualquer base bíblica sólida e que, no fim das contas, só serve para aumentar o seu império político, econômico e religioso.
Nos próximos artigos, trataremos dos sacrifícios que Deus realmente aceita e finalizaremos apresentando o grande perigo espiritual de participar da Fogueira Santa de Israel promovida pela Igreja Universal do Reino de Deus.
Nota: transcrições bíblicas extraídas da Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional ®, NVI ® Copyright © 1993, 2000, 2011 by Biblica, Inc., exceto aquelas cujas descrições indiquem versão diversa.
REFERÊNCIAS OFICIAIS DA UNIVERSAL:
1. Duas formas de receber, publicado em 06/09/20.
2. O Perfeito Sacrifício, publicado pela primeira vez em 2001.
3. O Sacrifício fala, publicado em 29/06/2012.
4. Por quê a Fogueira Santa?, publicado em 04/12/2015.
5. Você sacrificou no Altar. E agora?, publicado em 17/12/2017.
6. Fogueira Santa de Israel: a verdade sobre a campanha, publicado em 17/11/2018.
7. O Sacrifício, publicado em 19/04/2019.
8. O que é a Fogueira Santa do Monte Sinai?, publicado em 05/11/2019.
9. Fogueira Santa, publicado em 30/11/2019.
10. Universal 45 anos: Fogueira Santa, uma revelação do Espírito Santo, publicado em 30/06/2022.
11. O que acontece durante e após a Fogueira Santa?, publicado em 03/08/2022.
12. Para que serve e quem deve participar da Fogueira Santa?, publicado em 05/07/2023.
REFERÊNCIAS EXTRAOFICIAIS:
13. Fogueira Santa é bíblica!, publicado em 06/09/2010.
14. O QUE É A FOGUEIRA SANTA, publicado em 26/06/2012.
15. ONDE ESTÁ ESCRITO FOGUEIRA SANTA NA BÍBLIA?, publicado em 11/07/2012.




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