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Os verdadeiros sacrifícios que Deus aceita


Conforme já exposto exaustivamente nos artigos anteriores, no Antigo Testamento, os sacerdotes faziam a intermediação entre Deus e o povo. Representavam o povo diante de Deus na condução dos rituais de sacrifício e representavam o Senhor diante do povo no ensino da Lei dada por Ele a Moisés. Havia um sumo sacerdote, que possuía algumas atribuições exclusivas, sendo uma delas bastante conhecida: era o único autorizado a adentrar o Lugar Santíssimo uma vez por ano, no Dia da Expiação, para aspergir o sangue do novilho sobre a tampa da Arca da Aliança e oferecer incenso, para que tanto ele quanto os demais sacerdotes e todo o povo fossem purificados de seus pecados. Praticamente toda a Carta aos Hebreus é composta de uma linha argumentativa de que Cristo é o nosso Sumo Sacerdote, tendo Ele oferecido o sacrifício perpétuo e eficaz para purificação dos nosso pecados e rasgado o espesso véu que impedia o acesso ao Lugar Santíssimo, pois agora temos acesso direto ao Pai por meio dEle. Isso significa que Cristo é o único Mediador (Sumo Sacerdote) entre Deus e o homem (1Tm 2.5-6).

Uma vez que cremos em Cristo e somos purificados por Seu sangue expiador, tornamo-nos Seus sacerdotes, a fim de que ofereçamos sacrifícios que verdadeiramente são aceitos por Deus. Esta é a lição do apóstolo Pedro:

À medida que se aproximam dele, a pedra viva - rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus e preciosa para ele -, vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo. (1Pe 2.4-5)

Portanto, em que pese a todo momentos estarmos reiterando que Jesus Cristo ofereceu o último e definitivo sacrifício no Calvário, isto não significa literalmente o fim de todo e qualquer sacrifício. O ponto central de toda essa discussão é que, anteriormente, o homem necessitava apresentar sacrifícios de sangue para que seus pecados fossem perdoados e ele pudesse agradar a Deus e dEle se aproximar. No entanto, por meio da obra redentora de Cristo, todos os nossos pecados já foram pagos por Ele na cruz, bastando-nos confiar na suficiência do Seu sacrifício e com confiança no perdão do Senhor nos aproximarmos de Deus. Portanto, nesse sentido, não há necessidade de oferecer nenhum animal (muito menos dinheiro!) em um altar para agradar a Deus.

Em verdade, o Eterno nunca se agradou dos sacrifícios da Lei. Dentro do Seu plano de redenção ao longo da História, os rituais de sacrifícios tinham um importante caráter didático, com o fim de que o povo de Deus pudesse compreender a gravidade do pecado face à perfeita santidade do Senhor. Já apresentamos diversos textos bíblicos que demonstram isso, mas, apenas para reprisar na memória, transcreva-se o trecho da Carta aos Hebreus que trata sobre isso:

A Lei traz apenas uma sombra dos benefícios que hão de vir, e não a sua realidade. Por isso ela nunca consegue, mediante os mesmos sacrifícios repetidos ano após ano, aperfeiçoar os que se aproximam para adorar. Se pudesse fazê-lo, não deixariam de ser oferecidos? Pois os adoradores, tendo sido purificados uma vez por todas, não mais se sentiriam culpados de seus pecados. Contudo, esses sacrifícios são uma recordação anual dos pecados, pois é impossível que o sangue de touros e bodes tire pecados. Por isso, quando Cristo veio ao mundo, disse: ‘‘Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste; de holocaustos e ofertas pelo pecado não te agradaste. Então eu disse: Aqui estou, no livro está escrito a meu respeito; vim para fazer a tua vontade, ó Deus’’. Primeiro ele disse: ‘‘Sacrifícios, ofertas, holocaustos e ofertas pelo pecado não quiseste nem deles te agradaste’’ (os quais eram feitos conforme a Lei). Então acrescentou: ‘‘Aqui estou; vim para fazer a tua vontade’’. Ele cancela o primeiro para estabelecer o segundo. Pelo cumprimento dessa vontade fomos santificados, por meio do sacrifício do corpo de Jesus Cristo, oferecido uma vez por todas. Dia após dia, todo sacerdote apresenta-se e exerce os seus deveres religiosos; repetidamente oferece os mesmos sacrifícios, que nunca podem remover os pecados. Mas, quando esse sacerdote acabou de oferecer, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à direita de Deus. Daí em diante, ele está esperando até que os seus inimigos sejam como estrado dos seus pés; porque, por meio de um único sacrifício, ele aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados. O Espírito Santo também nos testifica a esse respeito. Primeiro ele diz: ‘‘Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor. Porei as minhas leis em seu coração e as escreverei em sua mente’’; e acrescenta: ‘‘Dos seus pecados e iniquidades não me lembrarei mais’’. Onde esses pecados foram perdoados, não há mais necessidade de sacrifício por eles. (Hb 10.1-18)

Uma vez tendo sido santificados pelo sacrifício perpétuo e definitivo de Cristo, morremos para o pecado e passamos a viver pelo Espírito de Cristo, conforme a lição de Paulo aos Romanos:

Entretanto, vocês não estão sob o domínio da carne, mas do Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vocês. E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo. Mas, se Cristo está em vocês, o corpo está morto por causa do pecado, mas o espírito está vivo por causa da justiça. E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vocês, aquele que ressuscitou a Cristo dentre os mortos também dará vida a seus corpos mortais, por meio do seu Espírito, que habita em vocês. (Rm 8.9-11)

Não há mais necessidade de sacrifícios de sangue para agradar a Deus. Embora a Universal busque fazer uma distinção entre sacrifícios pelos pecados e por outros objetivos, evidenciamos biblicamente que isso não possui nenhum fundamento nas Escrituras. E basta observar os exemplos em que eles se baseiam para tematizar cada edição da Fogueira Santa: sacrifícios de sangue. Ou seja, a IURD reproduz os sacrifícios de sangue em sua ambientação e cenário, mas substitui o elemento sanguíneo por dinheiro. Basta, contudo, perceber que não é dessa forma que podemos agradar a Deus.

O apóstolo Pedro caracteriza os sacrifícios aceitáveis que devemos oferecer a Deus como "espirituais". Isto significa que o objeto desses sacrifícios não é físico e/ou material. Não é sangue nem tampouco dinheiro. É imaterial, essencialmente espiritual. Analisemos, pois, em que consistem esses sacrifícios espirituais.

Comecemos pelo salmo escrito por Davi após seu pecado com Bate-Seba:

Não te deleitas em sacrifícios nem te agradas em holocaustos, senão eu os traria. Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás. (Sl 51.16-17)

O salmista se humilha diante do Senhor, arrependido, confessando a Deus as suas transgressões, suplicando que seu coração seja purificado e seu espírito seja reto. Ele conclui esse salmo declarando que o Criador não se deleita em sacrifícios materiais. Se eles fossem capazes de agradar a Deus, Davi até os levaria ao Senhor. Mas o que realmente O agrada é o quebrantamento do homem, a humildade, a sinceridade, o reconhecimento da sua dependência das misericórdias de Deus. Sempre foi assim! Mesmo quando ainda estavam vigentes os rituais de sacrifícios em Israel, eles eram apenas uma sombra da oferta de Cristo. Por si só, estas práticas sacrificiais não surtiam efeito algum. O que Deus realmente considerava era o coração do pecador, seu arrependimento, sua devoção. Se assim foi outrora, quanto mais agora na Nova Aliança no sangue do Senhor Jesus!

Há um salmo da família de Asafe que também fala sobre um tipo de sacrifício que realmente agrada a Deus:

Ouça, meu povo, pois eu falarei; vou testemunhar contra você, Israel, eu, que sou Deus, o seu Deus. Não o acuso pelos seus sacrifícios, nem pelos holocaustos, que você sempre me oferece. Não tenho necessidade de nenhum novilho dos seus estábulos nem dos bodes dos seus currais, pois todos os animais da floresta são meus, como são as cabeças de gado aos milhares nas colinas. Conheço todas as aves dos montes e cuido das criaturas do campo. Se eu tivesse fome, precisaria dizer a você? Pois o mundo é meu, e tudo o que nele existe. Acaso como carne de touros ou bebo sangue de bodes? Ofereça a Deus em sacrifício a sua gratidão [...]. Quem me oferece sua gratidão como sacrifício honra-me, e eu mostrarei a salvação de Deus ao que anda nos meus caminhos. (Sl 50.7-14,23)

Deus inicia seu discurso a Israel dizendo que não o está acusando pelos sacrifícios que eram oferecidos conforme a Lei. Era uma ordenança do próprio Senhor. Contudo, não deveria o povo de Deus pensar que isso O agradava. O que realmente honraria o Criador é um coração grato pelo Seu amor e misericórdia para com Seu povo. De nada adiantaria que o filho de Israel oferecesse um animal no altar para cumprir o ritual religioso se em seu coração houvesse amargura, rancor, murmuração contra o Senhor. Seria vão, pois, embora houvesse uma oferta física sobre o altar, o coração do ofertante não estaria quebrantado diante de Deus. Portanto, viver com contentamento no Senhor, com um coração cheio de gratidão pela Sua graça derramada sobre nossas vidas, é um sacrifício que verdadeiramente O glorifica.

Sigamos para a lição do apóstolo Paulo aos romanos:

Portanto, irmãos, rogo pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. (Rm 12.1)

Em resposta às misericórdias de Deus, manifestadas em Jesus Cristo, nosso Senhor, devemos oferecer o nosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Ele. Em primeiro lugar, não se trata mais de animais, nem tampouco de dinheiro, mas do nosso próprio corpo. Esse sacrifício também deve ser vivo. Os animais eram mortos antes de seus corpos serem apresentados sobre o altar de bronze. Da mesma forma, dinheiro é inanimado, não possui vida. O sacrifício que devemos oferecer é o nosso corpo vivo, isto é, o nosso modo de viver, que necessariamente se manifesta por meio do nosso corpo, deve ser o próprio sacrifício. Este sacrifício deve também ser santo. Quando vivemos em santidade, sendo piedosos em tudo, separando-nos da contaminação no mundo e obedecendo os mandamentos do Senhor, isto é um sacrifício a Deus. Por fim, essa vida de santidade deve ser agradável a Deus. Não pode ser mero legalismo. Não pode ser como um sepulcro caiado. Deve ser sincera e real. Esse sacrifício deve ser agradável a Deus. E, como já vimos, o que agrada a Deus é um coração quebrantado, contrito, que em humildade reconhece seu pecado e deseja fazer a vontade do Senhor.

O apóstolo Paulo também declarou o seguinte aos cristãos em Filipos:

[...] vocês fizeram bem em participar de minhas tribulações. Como vocês sabem, filipenses, nos seus primeiros dias no evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja partilhou comigo no que se refere a dar e receber, exceto vocês; pois, estando eu em Tessalônica, vocês me mandaram ajuda, não apenas uma vez, mas duas, quando tive necessidade. Não que eu esteja procurando ofertas, mas o que pode ser creditado na conta de vocês. Recebi tudo, e o que tenho é mais que suficiente. Estou amplamente suprido, agora que recebi de Epafrodito os donativos que vocês enviaram. São uma oferta de aroma suave, um sacrifício aceitável e agradável a Deus. (Fp 4.14-18)

Quando escreveu essa Epístola aos Filipenses, Paulo estava em sua primeira prisão em Roma (At 28.16-31), perseguido por anunciar o evangelho. A Igreja em Filipos era absolutamente compromissada com a pregação das boas novas de Jesus Cristo (Fp 1.5). A atitude dos filipenses de se comprometerem com o sustento do ministério apostólico de Paulo era considerada como um sacrifício aceitável e agradável a Deus. O apóstolo deixa claro que não é a oferta em si que ele está procurando. Ao contrário, o que realmente agrada a Deus, antes da oferta, é a generosidade e compromisso daqueles crentes em sustentar quem estava realizando a missão de pregar o evangelho a toda criatura. Quando nos comprometemos a sustentar a obra de evangelização por amor, estamos oferecendo a Deus um sacrifício aceitável e agradável.

Por fim, vejamos o que diz o autor da Carta aos Hebreus:

Por meio de Jesus, portanto, ofereçamos continuamente a Deus um sacrifício de louvor, que é fruto de lábios que confessam o seu nome. Não se esqueçam de fazer o bem e de repartir com os outros o que vocês têm, pois de tais sacrifícios Deus se agrada. (Hb 13.15-16)

Confessar o nome do Senhor, isto é, louvá-Lo pela Sua majestade, poder, soberania, glória e santidade é um sacrifício aceitável ao Senhor. Quando os nossos lábios traduzem em palavras a devoção sincera que há em nosso coração, isto é agradável a Deus. Lembremo-nos da conclusão do livro do profeta Oseias, transcrita abaixo na versão NAA:

Israel, volte para o SENHOR, seu Deus, porque você caiu por causa dos seus pecados. Tragam palavras de arrependimento e convertam-se ao SENHOR, dizendo: "Perdoa toda a nossa iniquidade, aceita o que é bom e, em vez de novilhos, os sacrifícios dos nossos lábios. (Os 14.1-2)

Lábios que confessam o nome do Senhor oferecem sacrifícios melhores do que qualquer animal ou valor monetário sobre um altar. Sinceras palavras de arrependimento e louvor é que agradam a Deus.

Além disso, a prática de boas obras, a misericórdia, o suprimento das necessidades do próximo, a repartição do que se tem com aquele que não tem, o cuidado com o próximo... todas estas atitudes são sacrifícios espirituais dos quais Deus se agrada.

Portanto, à luz de todo o exposto, pode-se concluir que os verdadeiros sacrifícios que Deus aceita são:

  • Espírito/coração quebrantado;

  • Gratidão;

  • Viver em santidade;

  • Sustento da obra evangelística;

  • Louvor;

  • Prática de boas obras para com o próximo.

Vê-se, pois, quão longe está a Fogueira Santa de Israel dos verdadeiros sacrifícios que Deus aceita. No próximo e último artigo desta série, trataremos do grande perigo espiritual de participar da Fogueira Santa de Israel promovida pela Igreja Universal do Reino de Deus.


Nota: transcrições bíblicas extraídas da Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional ®, NVI ® Copyright © 1993, 2000, 2011 by Biblica, Inc., exceto aquelas cujas descrições indiquem versão diversa.



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