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"Sacrificar" o sustento da família no "altar" é aprovado por Deus?

A Fogueira "Santa" de Israel é uma campanha de sacrifício realizada pela Igreja Universal. Ela ocorre a cada mês de julho, em que muitas pessoas optam por tirar férias, recebendo o respectivo adicional, e dezembro, em que os trabalhadores recebem o 13º salário. Nela, ensina-se que o caminho para a mudança de vida é chamar a atenção de Deus por meio de um sacrifício no "altar", alegorizando-se algum episódio do Antigo Testamento relacionado a sacrifício (Abraão, Gideão, Elias etc.). Segundo a doutrina da IURD, é necessário que a pessoa sacrifique tudo no altar para receber a bênção que ela quer de Deus. E "tudo" significa o chão dos pés, o que mexe com a pessoa, aquilo que naturalmente ela não poderia doar. Dentro do envelope, junto ao dinheiro, a pessoa coloca um papel em que escreve seu pedido. Segundo eles afirmam, os papéis são levados por líderes selecionados até o local onde foi feito o sacrifício do tema da campanha (Moriá, Carmelo, Sinai etc.). Lá, grava-se um vídeo deles clamando pelos supostos pedidos do povo, determinando que Deus atenda-os mediante o sacrifício que fizeram.

Semanas antes da data estipulada para o cumprimento do voto no "altar", as pregações nos templos da Igreja Universal, bem como as suas transmissões de rádio e TV, além das publicações em suas redes sociais, voltam-se quase que exclusivamente para a Fogueira Santa. Dízimos, salvação, votos, libertação, vida espiritual, correntes, ministérios... Tudo começa a ser linkado com a campanha de Israel. Esse apelo martela na mente dos frequentadores e espectadores continuamente, tentando convencê-los de que: (i) Deus ainda age da mesma forma como no passado; (ii) sem sacrifício não há vitória; (iii) quem não sacrifica não confia totalmente em Deus; (iv) quem está espiritualmente bem não tem medo de sacrificar.

Toda a congregação é bombardeada com diversos testemunhos de pessoas que supostamente sacrificaram tudo no "altar" e tiveram seus pedidos atendidos. É bem verdade que a instituição vem tentando espiritualizar mais a campanha nos últimos tempos, tentando relacionar à Fogueira Santa ao batismo com o Espírito Santo, contudo, de qualquer forma, tudo ainda acaba em bens materiais luxuosos e empresas bem-sucedidas nos testemunhos.

Os testemunhos divulgados pela IURD são realmente impactantes. As pessoas contam que realmente sacrificaram tudo no altar. Muitos deles afirmam que sacrificaram até mesmo o sustento da família, como os bens necessários, contas de serviços básicas e dinheiro para alimentação. Separei três exemplos a seguir.

No vídeo abaixo, Chippa conta que, ao realizar seu primeiro sacrifício na Fogueira Santa de Israel, não contou nada para sua esposa. Esclarece que eles eram muito pobres e Chippa queria mudar sua situação econômica. Após dar tudo o que conseguiu juntar durante o período da campanha no "altar", no dia seguinte, sua esposa lhe pediu dinheiro e ele não tinha nada para dar a ela, pois já tinha doado tudo para a Universal, conforme relata no testemunho.



No vídeo abaixo, Thais, uma mulher muito pobre e vítima de violência doméstica, desejosa de que seu esposo fosse transformado em um marido melhor, afirma que resolveu aceitar o convite de participar da Fogueira Santa. Ela, que mal tinha alimentos dentro de casa e muitas vezes precisava dar comida estragada para a sua filha, conta que se comprometeu a fazer um sacrifício de R$ 10.000,00. Para tanto, vendeu todos os bens da sua casa e, sob ameaças de morte do seu marido que a agredia, deu até mais do que o valor estipulado para a Universal, segundo narra no testemunho.



No vídeo abaixo, Luiz afirma que levava uma vida muito miserável com sua família e, por isso, decidiu participar da Fogueira Santa. Ele conta que conseguiu juntar cerca de R$ 700,00 e que, apesar de ver sua mulher tendo que dar água com açúcar para sua filha, pois não tinha dinheiro para comprar sequer um leite, não hesitou em dar tudo o que tinha juntado para a Universal.



A respeito do embasamento bíblico da Fogueira Santa de Israel, em outros artigos analisamos se o sacrifício é válido para a Nova Aliança ou não, se essa noção de dar algo para Deus esperando receber algo em troca é correta, entre outros. O objetivo da presente análise, contudo, é especificamente entender se as Escrituras dão respaldo para que uma pessoa tire o sustento da sua própria família para sacrificar no "altar".

Para chegar à resposta pretendida, faz-se necessário que compreendamos qual o nível de prioridade da família, se comparada às demais coisas. Cristo resumiu perfeitamente quais são os mandamentos de Deus:

Um dos mestres da lei aproximou-se e os ouviu discutindo. Notando que Jesus lhes dera uma boa resposta, perguntou-lhe: "De todos os mandamentos, qual é o mais importante?" Respondeu Jesus: "O mais importante é este: 'Ouça, ó Israel, o Senhor, o nosso Deus, o Senhor é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças'. O segundo é este: 'Ame o seu próximo como a si mesmo'. Não existe mandamento maior do que estes". "Muito bem, mestre", disse o homem. "Estás certo ao dizeres que Deus é único e que não existe outro além dele. Amá-lo de todo o coração, de todo o entendimento e de todas as forças, e amar ao próximo como a si mesmo é mais importante do que todos os sacrifícios e ofertas". Vendo que ele tinha respondido sabiamente, Jesus lhe disse: "Você não está longe do Reino de Deus". (Mc 12.28-34)

Pois bem, nossa prioridade, acima de todas as demais, deve ser amar a Deus. Esse amor não deve ser superficial, mas profundo e verdadeiro. Mas, afinal, em que consiste, de fato, amar a Deus? O Filho, novamente, nos explica:

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim. Se vocês realmente me conhecessem, conheceriam também o meu Pai. Já agora vocês o conhecem e o têm visto". Disse Filipe: "Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta". Jesus respondeu: "Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai. Como você pode dizer: 'Mostra-nos o Pai'? Você não crê que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu digo não são apenas minhas. Ao contrário, o Pai, que vive em mim, está realizando a sua obra. Creiam em mim quando digo que estou no Pai e que o Pai está em mim" [...]. "Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos". [...] "Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele". [...] "Se alguém me ama, obedecerá à minha palavra. Meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos morada nele. Aquele que não me ama não obedece às minhas palavras. Estas palavras que vocês estão ouvindo não são minhas; são de meu Pai que me enviou". (Jo 14.6-11,15,21,23-24)

As palavras de Cristo são muito claras: amar a Deus é obedecer os Seus mandamentos, os quais foram ensinados perfeitamente por Jesus. Nossa prioridade, portanto, deve ser obedecer os mandamentos do Senhor. Conforme as palavras do Filho: "Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça" (Mt 6.33). O segundo mandamento mais importante, por sua vez, conforme a lição de Cristo, é amar o próximo como a si mesmo. Temos diferentes categorias de próximo, desde as pessoas mais queridas até mesmo os nossos inimigos. Contudo, "os próximos mais próximos" de nós são os nosso familiares. Se atentássemos, por exemplo, apenas para os Dez Mandamentos, encontraríamos ali três deles relacionados com a família:

Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o SENHOR, o teu Deus, te dá. [...] Não adulterarás. [...] Não cobiçarás a mulher do teu próximo. (Ex 20.12,14,17)

Retroagindo aos primórdios da humanidade, a primeira e mais importante instituição divina foi a família, a qual se inicia com o casamento:

Então o SENHOR Deus declarou: "Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda". [...] Então o SENHOR Deus fez o homem cair em profundo sono e, enquanto este dormia, tirou-lhe uma das costelas, fechando o lugar com carne. Com a costela que havia tirado do homem, o SENHOR Deus fez a mulher e a levou até ele. Disse então o homem: "Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada". Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne. (Gn 2.18,21-24)

O primeiro casal gerou filhos, e estes começaram a se unir entre si, formando novas famílias, gerando mais filhos, formando pequenos clãs, gerando mais filhos, formando povos, gerando mais filhos, formando grandes nações. Contudo, os núcleos celulares, mesmo nas grandes nações, permanece sendo a família: marido, mulher e filhos. É curioso notar como até as promessas de Deus estão relacionadas ao contexto da família, embora a salvação seja, de fato, individual. Ele anunciou que a serpente que engana a humanidade seria derrotada pelo descendente da mulher (Gn 3.15). Ele prometeu que por meio de Abraão e, portanto, de sua descendência todas as famílias da terra seriam abençoadas (Gn 12.3). Nos tempos do dilúvio, Deus preservou Noé e sua família do juízo que enviou sobre toda a humanidade (Gn 7.1). Ao longo de todo o Antigo Testamento a família mantém sua importância absoluta. Quando chegamos ao Novo Testamento, por sua vez, vemos que até mesmo a preparação do caminho para o ministério de Jesus Cristo envolvia a questão familiar (Ml 4.6; Lc 1.17).

Mas o que seria o certo a se fazer no caso de o meu dever com a minha família se confrontar com um mandamento do Senhor? A resposta é dEle próprio:

Se alguém vem a mim e ama seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos e irmãs e até sua própria vida mais do que a mim, não pode ser meu discípulo. (Lc 14.26)

A primeira lição é que devemos, conforme já tratado pelo Senhor a respeito do mandamento mais importante, amá-lO mais do que qualquer outra coisa. Algumas traduções mais literais apresentam um termo mais próximo do que Jesus falou originalmente: odiar. No entanto, considerando o contexto em que essa afirmação foi dita e em consonância com toda a Escritura, o Mestre não nos manda odiar literalmente nossos familiares. De modo algum! Nossa família é nossa prioridade abaixo de Deus. Nosso dever é amá-la. O texto correlato dessa passagem no evangelho de Mateus nos apresenta melhor a hipótese em que isso ficará mais evidente:

Não pensem que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois eu vim para fazer que "o homem fique contra seu pai, a filha contra sua mãe, a nora contra sua sogra; os inimigos do homem serão os da sua própria família". Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim [...] (Mt 10.34-37)

Por esse contexto, em que o Senhor cita Mq 6.6, podemos compreender que essa temática envolve a perseguição ao cristão a partir da sua própria família, por parte dos seus parentes que o rejeitam e o excluem da sua convivência por causa da sua fé no evangelho. Outros, por causa de uma missão emergencial ou de uma perseguição violenta, precisam amar a Cristo acima de sua família por saberem que, professando sua fé no evangelho, estarão vulneráveis à separação física temporária ou mesmo à morte, ocasionando aflição e sofrimento para os seus parentes.

Temos um exemplo prático disso no sétimo capítulo da primeira carta de Paulo aos coríntios, quando orienta que as pessoas que se converteram a Cristo, mas eram casadas com descrentes, não deveriam dissolver o casamento. Todavia, caso o descrente não aceitasse manter o matrimônio por causa da fé do crente no evangelho e lhe desse um ultimato para escolher entre o cônjuge ou Cristo, a pessoa deveria amar mais a Cristo e deixar que a outra se apartasse. Por amor a Cristo, esse cristão estaria perdendo um casamento com alguém que muito amava e sem dar motivo para tanto. Isso é amar mais ao Senhor do que a família. Essa é a espada a que Cristo se referia.

No fim da passagem de Mc 12.28-34, o mestre da Lei, ao concordar com a resposta de Cristo de que o grande mandamento era amar a Deus acima de todas as coisas e, em segundo lugar, amar ao próximo como a si mesmo, afirma obedecer a esses mandamentos é muito mais importante do que todos os sacrifícios e ofertas.

Nesse ponto, cumpre esclarecer que, conforme a doutrina dos apóstolos de Jesus, nosso Senhor, a Lei e os sacrifícios eram uma sombra de Cristo, uma mera figura da realidade que se cumpriria nEle de forma plena. Há muitos artigos na categoria Sacrifícios que detalham essa verdade de maneira minuciosa. Dessa forma, conclui-se que não há mais sacrifícios na Nova Aliança, pois o Filho de Deus ofereceu a Si mesmo como um sacrifício perfeito e definitivo. Ainda, mesmo durante a vigência da Antiga Aliança, o Altíssimo já anunciava por intermédio dos seus profetas que Ele não se agradava de sacrifícios, mas de obediência aos Seus mandamentos.

Acaso tem o SENHOR tanto prazer em holocaustos e em sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? A obediência é melhor do que o sacrifício, e a submissão é melhor do que a gordura de carneiros. (1Sm 15.22)
Não te deleitas em sacrifícios nem te agradas em holocaustos, senão eu os traria. Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás. (Sl 51.16-17)
Fazer o que é justo e certo é mais aceitável ao SENHOR do que oferecer sacrifícios. (Pv 21.3)
Pois desejo misericórdia e não sacrifícios; conhecimento de Deus em vez de holocaustos. (Os 6.6)

O autor da carta ao Hebreus sintetiza perfeitamente a relação entre os sacrifícios do Antigo Testamento e o sangue de Cristo, que atesta a Nova Aliança:

A Lei traz apenas uma sombra dos benefícios que hão de vir, e não a sua realidade. Por isso ela nunca consegue, mediante os mesmos sacrifícios repetidos ano após ano, aperfeiçoar os que se aproximam para adorar [...] pois é impossível que o sangue de touros e bodes tire pecados. Por isso, quando Cristo veio ao mundo, disse: "Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste; de holocaustos e ofertas pelo pecado não te agradaste. Então eu disse: Aqui estou, no livro está escrito a meu respeito; vim para fazer a tua vontade, ó Deus". [...] Pelo cumprimento dessa vontade fomos santificados, por meio do sacrifício do corpo de Jesus Cristo, oferecido uma vez por todas. (Hb 10.1,4-7,10)

Resta claro, portanto, que o último sacrifício foi a crucificação de Cristo e o último altar foi o Calvário. Desse modo, essa insanidade de Fogueira Santa de Israel não é bíblica e, portanto, não é mandamento. A nossa fé em Cristo é o suficiente para nos justificar diante de Deus (Rm 5.1) e, uma vez considerados justos diante de Deus, temos acesso ao Seu favor para conosco em nossas necessidades até o dia da nossa redenção (Rm 5.2), sendo alcançados tanto nós (Pv 10.6) quanto nossos lares (Pv 3.33) pelas bênçãos do Senhor, "conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça" (Ef 1.5-6). Os sacrifícios realizados na Igreja Universal do Reino de Deus são resultados de uma grosseira distorção bíblica propagada por Edir Macedo e seus comparsas, que enganam as pessoas usando a própria Bíblia para enriquecerem às suas custas e expandir seu império de mais de 100 empresas ligadas ao grupo Universal, mesmo que isso signifique subtrair até o mais básico do sustento de diversas famílias.

Não se espante o leitor, pensando que se trata de uma inovação dos nossos tempos. Ele é criativo, confesso, mas não tanto. Jesus já reprovava os fariseus de Sua época basicamente pelas mesmas razões. Vejamos:

"Bem profetizou Isaías acerca de vocês, hipócritas; como está escrito: 'Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens'. Vocês negligenciam os mandamentos de Deus e se apegam às tradições dos homens". E disse-lhes: "Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira de pôr de lado os mandamentos de Deus, a fim de obedecerem às suas tradições! Pois Moisés disse: 'Honra teu pai e tua mãe' e 'Quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe terá que ser executado'. Mas vocês afirmam que, se alguém disser a seu pai ou a sua mãe: 'Qualquer ajuda que vocês poderiam receber de mim é Corbã', isto é, uma oferta dedicada a Deus, vocês o desobrigam de qualquer dever para com seu pai ou sua mãe. Assim vocês anulam a palavra de Deus, por meio da tradição que vocês mesmos transmitiram. E fazem muitas coisas como essa". (Mc 7.6-13)

Conforme o próprio texto sugere, o termo Corbã significa "dedicado a Deus". Há alguma divergência entre os comentaristas a respeito da forma exata e detalhada em que funcionava essa tradição, mas o próprio discurso de Jesus já deixa bastante claro. A hipótese mais provável e coerente com a fala de Cristo é a de que um filho mau, quando não queria dar assistência aos seus pais na velhice, fazia um voto de dedicar suas reservas financeiras ou sua propriedade à tesouraria do Templo. Assim, no momento de necessidade dos seus genitores, esse homem alegava que não os poderia ajudar em razão do seu voto de Corbã. A partir de então, ele estaria impedido por esse voto de prestar ajudar os pais idosos. Contudo, na prática, acordava-se com os sacerdotes que ele continuaria usufruindo desses bens, deixando-os como legado ao Templo quando morresse.

Com base na prescrição bíblica a respeito dos votos de dedicação e sua inviolabilidade, os líderes religiosos da época de Jesus criaram uma tradição que distorcia completamente a finalidade dos votos e anulava o mandamento de Deus a respeito da honra aos pais, com o fim de obter lucro por meio do tesouro do Templo. Não há nada de novo sob o sol. Os tempos mudam, a sociedade evolui, a ciência se desenvolve, mas o engano espiritual se realiza sempre pelos mesmos métodos, embora mais sofisticados. A IURD se pauta em uma prescrição bíblica a respeito de sacrifícios, cria uma tradição de Fogueira Santa de Israel que distorce a forma e o significado desses sacrifícios, levando a crer que se trata de uma soma de dinheiro além das condições naturais do fiel, e anula a Palavra de Deus, a qual proclama a eficácia do sacrifício de Cristo e o mandamento de prover o sustento da família, e não doá-lo para um CNPJ disfarçado de igreja, tudo pela ganância dos líderes dessa instituição, que ostentam bens luxuosos enquanto o povo, em sua grande maioria, permanece na pobreza, acreditando que um dia dará o seu testemunho de enriquecimento na Fogueira Santa.

Basta pensar: Cristo exigiu que seus discípulos sacrificassem os bens necessários e o sustento da família? Os apóstolos fizeram alguma campanha de sacrifício de sacrifício como a Fogueira Santa, ou, ao contrário, pregaram exaustivamente a suficiência do sacrifício de Jesus?

No primeiro testemunho, vemos um marido dando todo o seu dinheiro às escondidas para a Universal e, por isso, deixando de ter o que prover para a sua mulher no dia seguinte. Qual era o seu dever como marido? Vejamos:

Maridos, ame cada um a sua mulher, assim como Cristo amou a igreja e entregou-se por ela [...]. Da mesma forma, os maridos devem amar cada um a sua mulher como a seu próprio corpo. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo. Além do mais, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida, como também Cristo faz com a igreja, pois somos membros do seu corpo. (Ef 5.25,28-30)

Chippa, seduzido pela tradição enganosa dos líderes da Universal, fez um voto de "sacrificar" no altar dessa instituição todo o dinheiro que juntou durante o período da Fogueira Santa, negligenciando as necessidades da sua esposa, a ponto de se negar a dar o dinheiro que ela estava precisando porque era "Corbã" (alguma semelhança com o texto de Marcos?). Seu dever era amar a sua esposa, alimentando-a e cuidando dela. Se vivia na miséria, deveria trabalhar mais e colocar diante do Senhor em oração as necessidades da sua família. Além disso, a verdadeira Igreja de Jesus, ao invés de tirar até as moedas do sustento da família dele, deveria ter se comprometido a destinar parte das ofertas para suprir as suas necessidades temporariamente, pois essa é a verdadeira finalidade das ofertas no Novo Testamento: ajudar os pobres. Contudo, para um bispo que ostenta uma vida luxuosa às custas do povo da sua falsa igreja e que não foi capaz sequer de amar o próprio filho (veja aqui), Renato Cardoso obviamente não tem nenhuma dificuldade em "colher" esse tipo de testemunho.

No segundo testemunho, vemos uma mulher que mal tinha comida para alimentar sua filha, desafiando seu marido, que aspirava ameaças de morte contra ela, ao vender tudo que havia dentro da sua casa para dar à Universal. Qual era seu dever como esposa?

Mulheres, sujeite-se cada uma a seu marido, como ao Senhor, pois o marido é o cabeça da mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja, que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador. Assim como a igreja está sujeita a Cristo, também as mulheres estejam em tudo sujeitas a seus maridos. (Ef 5.22-24)

Não vamos sequer entrar no mérito da violência doméstica ou da extensão da submissão da mulher ao marido. Basta-nos entender que a atitude da Thais de, na condição de dar comida estragada à sua filha, resolver vender tudo que tinha dentro de casa para dar R$ 10.000,00 à IURD, após ser seduzida pela tradição desses falsos profetas, mesmo seu marido sendo completamente contra e a ameaçando de morte, foi completamente contrária à Bíblia. Novamente, a verdadeira Igreja de Jesus, ao invés de tirar tudo de dentro da casa dela, deveria ter se comprometido a destinar parte das ofertas para suprir as necessidades da sua família temporariamente. Além disso, deveria tê-la acolhido com especial atenção e a instruído a respeito da sua situação de violência doméstica.

No terceiro testemunho, vemos um pai de família dando para a Universal os únicos R$ 700,00 que tinha sem ter um alimento sequer dentro de casa, a ponto da sua mulher ter que dar água com açúcar para sua filha, pois não tinha ao menos um leite para a criança, o que ele via enquanto contava o valor que tinha juntado no envelope. Qual era o seu dever como pai de família? O salmo 128 nos fornece alguns princípios:

Como é feliz quem teme o SENHOR, quem anda em seus caminhos! Você comerá do fruto do seu trabalho e será feliz e próspero. Sua mulher será como videira frutífera em sua casa; seus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da sua mesa. Assim será abençoado o homem que teme ao SENHOR! (Sl 128.1-4)

Além do dever conjugal para com a sua esposa, que já tratamos à luz de Ef 5.25,28-30, Luiz tinha um dever parental para com sua filha, de sustentá-la com o fruto do seu trabalho. Contudo, seduzido pela tradição dos mercenários da fé que controlam a Igreja Universal do Reino de Deus, foi capaz de dar tudo para eles, apesar de ver a esposa dando água com açúcar para a filha por ele "sacrificar" o dinheiro que deveria ser usado para colocar o alimento sobre a mesa da sua família. Mais uma vez, a verdadeira Igreja de Jesus, ao invés de tirar até o leite da filha dele, deveria ter se comprometido a destinar parte das ofertas para suprir as necessidades da sua família temporariamente.

Se você, após tudo isso, ainda está com o coração endurecido e não quer se deixar convencer pela Palavra de Deus do erro que é tirar o sustento da sua família para doar à Igreja Universal, trago-lhe, então, severas advertências:

Mas, se uma viúva tem filhos ou netos, que estes aprendam primeiramente a pôr a sua religião em prática, cuidando de sua própria família e retribuindo o bem recebido de seus pais e avós, pois isso agrada a Deus. [...] Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente. (1Tm 5.4,8)

Eu sei que o que vou dizer é duro e que outrora eu também cego para isso, mas não posso deixar de dizer a verdade. Diante da clareza desse texto bíblico e de todo o exposto no presente artigo, resta evidenciado que, se você tira o sustento da sua família, quer seja na forma de um salário, quer seja na forma de um bem necessário, quer seja se abstendo de pagar a conta de um serviço básico da sua casa, quer seja negando comprar algo de que sua família necessite, para "sacrificar" no "altar" da Igreja Universal, você negou a fé e é pior do que um incrédulo que não conhece a Deus. Sua atitude é abominável aos olhos do Senhor. Você está deixando de priorizar o sustento da sua família, que é o mais importante na sua vida abaixo de Deus, para enriquecer um falso profeta, que ostenta uma vida luxuosa às custas do suor do seu trabalho, que deveria estar servindo para sustentar o seu lar. E o pior: tudo isso por meio de uma heresia de sacrifício financeiro na Nova Aliança para barganhar uma bênção com Deus, anulando a eficácia da cruz de Cristo, que é o único que poderia te salvar. Pense nisso!


Nota: transcrições bíblicas extraídas da Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional ®, NVI ® Copyright © 1993, 2000, 2011 by Biblica, Inc., exceto aquelas cujas descrições indiquem versão diversa.


REFERÊNCIAS OFICIAIS DA UNIVERSAL:

2. Luiz - De pedreiro a empreiteiro de obras, publicado em 04/06/2018.

3. Chippa: Uma mudança SOBRENATURAL!, publicado em 26/11/2018.

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