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Lenço ungido: o que a Bíblia tem a dizer sobre os milagres realizados por meio de lenços e aventais do apóstolo Paulo?

16 de ago. de 2024
13 min de leitura

Um elemento bastante usado pela Universal em seus propósitos/campanhas de cura e libertação é o tecido, quer sejam lenços distribuídos por ela, quer sejam roupas dos familiares dos participantes das correntes. Já houve até mesmo campanha com lenço para proteção da família, no qual estava impresso o salmo 91. Mas qual a base bíblica que sustenta essa doutrina? 

Em uma pesquisa no Google pelo termo “lenços e aventais de paulo universal”, verifiquei seis resultados pertinentes publicados em portais oficiais da Igreja Universal do Reino de Deus. Ao fim do artigo os respectivos links estarão devidamente listados para consulta na íntegra. 

Importante ressaltar que geralmente essas campanhas mesclam os lenços e roupas com outros elementos, como um óleo consagrado em determinado lugar ou um certo período de permanência dos objetos sobre o “Altar”, por exemplo. Nesse artigo, ativemo-nos aos lenços apenas.

O fundamento bíblico que a Universal menciona nessas publicações é o seguinte versículo: “E Deus pelas mãos de Paulo fazia maravilhas extraordinárias. De sorte que até os lenços e aventais se levavam do seu corpo aos enfermos, e as enfermidades fugiam deles, e os espíritos malignos saíam” (At 19.11-12). Talvez a explicação mais clara sobre o propósito seja a de um artigo de convite ao uso da fé para alcançar a cura por meio desse propósito realizado na “Corrente dos 70”:

Esta era a crença que tinham os contemporâneos do Apóstolo Paulo; pessoas a quem ele fazia chegar os seus objetos de uso pessoal e que eram curadas das doenças para as quais já tinham sido desenganadas. [...] Quem realiza o milagre é Deus, porém, Ele tem que usar as mãos de alguém. No passado, Ele usou as mãos dos apóstolos e dos discípulos, mas, hoje, tem usado as dos bispos, pastores e obreiros, ou seja, dos homens de Deus que estão a Seu serviço. Por meio do Lenço Ungido, usado todas as terças-feiras, durante a reunião da cura, no Templo de Salomão (São Paulo), bem como em toda a Universal, as enfermidades têm fugido de suas vítimas e elas têm alcançado a cura pela fé. Fonte: Você já fez uso da fé para alcançar a cura?

A primeira análise que deve ser feita diz respeito ao contexto em que essa passagem bíblica se insere. Trata-se da fase primitiva da Igreja, nos anos que sucederam imediatamente o derramamento do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Paulo, ao final da sua segunda viagem missionária, realizou uma breve passagem em Éfeso, deixando lá o casal Priscila e Áquila (At 18.19-21). Éfeso era uma cidade extremamente idólatra e abrigava um importantíssimo templo dedicado à deusa Diana (também conhecida como Ártemis), considerado uma das sete maravilhas do Mundo Antigo. Anualmente se realizava uma festa de adoração a ela durante a primavera, com duração de uma semana, que atraía muitas pessoas de toda a província da Ásia. Além disso, a cidade também contava com outros templos e muita prosperidade, incluindo o maior centro bancário da Ásia. A sua economia estava intrinsecamente ligada ao culto à Diana, o que fortalecia sobremaneira a idolatria de seus habitantes. 

Apesar disso, a cidade também comportava alguns judeus, dentre os quais, discípulos de João Batista. Era o caso do jovem Apolo, que foi instruído por Priscila e Áquila a respeito de Jesus Cristo e sua doutrina, para o que João Batista apontava durante o seu ministério (At 18.24-28). Paulo, quando retornou a Éfeso, encontrou alguns desses discípulos do profeta e iniciou por meio deles a sua missão na cidade (At 19.1-7). 

Paulo começou a pregar na sinagoga, para os que professavam a fé judaica, mas decidiu se afastar deles por sua dureza de coração e resistência à mensagem do evangelho, falando mal do Caminho (nome pelo qual o cristianismo era conhecido na época) diante da multidão (At 19.8-9). 

A partir de então, o apóstolo, levando consigo aqueles discípulos que creram em Jesus, passou a pregar na escola de Tirano (At 19.9-10), que se acredita ter sido usada regularmente por esse filósofo, não somente para judeus, mas principalmente para os gentios, que estavam imersos naquele caldo cultural idólatra, oriundos de várias províncias da Ásia. 

Eis o contexto em que reside esse fato. Analisemos, pois, agora essa passagem bíblica, sempre considerando o seu contexto. 

O versículo 11 nos apresenta que Deus fazia “milagres extraordinários” por meio de Paulo. Ora, isto significa que esta espécie de milagres não era ordinária, isto é, comum, usual, prevista, regular, que seja possível preestabelecê-la. Pelo contrário, eram coisas maravilhosas demais, completamente fora do normal. 

Sabemos que esta é uma característica distintiva dos apóstolos designado pelo Senhor Jesus (Mt 10.5-8; Mc 6.7-13; Lc 9.1-6). Além deles, apenas outros 70 discípulos receberam autoridade semelhante (Lc 10.1-20). Os sinais e maravilhas servem à confirmação da autoridade da doutrina de Cristo, para que os ouvintes cressem que Ele falava da parte do Pai e que realmente era chegado o reino de Deus (Mt 12.28; Lc 11.20). A mesma finalidade havia para os sinais e maravilhas operados por Deus por meio dos apóstolos. Vejamos o que Paulo afirma aos romanos:

Não me atrevo a falar de nada, exceto daquilo que Cristo realizou por meu intermédio em palavra e em ação, a fim de levar os gentios a obedecerem a Deus, pelo poder de sinais e maravilhas e por meio do poder do Espírito de Deus. Assim, desde Jerusalém e arredores até o Ilírico, proclamei plenamente o evangelho de Cristo. Sempre fiz questão de pregar o evangelho onde Cristo ainda não era conhecido [...]. (Rm 15.18-20)

Em outra ocasião, ele escreveu aos coríntios:

[...] pois em nada sou inferior aos “superapóstolos” [referindo-se aos 12], embora eu nada seja. As marcas de um apóstolo - sinais, maravilhas e milagres – foram demonstradas entre vocês com grande perseverança. (2Co 12.11-12)

Em todo o Novo Testamento, não encontramos absolutamente NENHUM relato de operação de maravilhas que não por meio dos 12, Paulo e os 70 discípulos, além de Cristo, obviamente. 

Estejamos cientes também de que esses milagres extraordinários eram realizados por Deus, embora por meio dos apóstolos, conforme nos mostra o versículo 11. É Deus quem sabe a ocasião adequada para que tais maravilhas sejam operadas. A Bíblia afirma que os sinais, prodígios e milagres que dão testemunho da parte de Deus ocorrem segundo a Sua vontade (Hb 2.4), e jamais segundo a vontade do homem. 

Enquanto Paulo não estava pregando, ele costumava construir tendas para vendê-las, como forma de obter alguma renda com que se sustentar, evitando ser um peso muito grande para a Igreja ter que sustentá-lo. Para esse serviço, ele usava um lenço que amarrava à cabeça e vestia um avental. Os efésios recém-convertidos, imaturos na fé, ao verem todos aqueles milagres extraordinários que eram realizados pessoalmente por meio do apóstolo, pensavam, influenciados pela cultura fortemente idólatra em que viveram por toda a sua vida, que as suas roupas também continham poder para tanto e resolveram levá-las aos enfermos e possessos. 

Observamos aqui que aprouve a Deus, por sua misericórdia, conceder que aqueles milagres extraordinários ocorressem, a fim de confirmar a autoridade da pregação do seu apóstolo. Não significa, contudo, que tal prática seja aprovada nem tampouco recomendada pelo próprio apóstolo. 

Devemos ter o cuidado de entender que experiência não produz doutrina e por isso é importante estudarmos a Bíblia de uma maneira séria e profunda. Sabemos, por exemplo, que estamos debaixo de uma Nova Aliança, de maneira que não devemos necessariamente tentar reproduzir todos os acontecimentos do Antigo Testamento, embora alguns sim. Da mesma forma, no início da formação da Igreja ainda não havia o cânon bíblico e as pessoas estavam ouvindo falar de Jesus literalmente pela primeira vez, em um contexto de completo domínio do paganismo. Em Éfeso, especificamente, atribuía-se muito poder aos encantamentos em nome de Ártemis, utilizavam-se muitas imagens de prata do seu templo como amuletos e havia, inclusive, uma lenda de que seis palavras poderosamente mágicas estavam inscritas de forma subliminar em sua imagem. Houve até exorcistas que tentaram reproduzir tais feitos, mas fracassaram vergonhosamente (At 19.13-16). Quando tudo isso começou a ser divulgado entre o povo, eles temeram o Senhor Jesus, confessaram publicamente seus pecados e queimaram tudo que os ligava à idolatria (At 19.17-19). 

Vê-se, então, que Deus tinha um propósito maior com esse fato, por mais que aqueles neófitos estivessem agindo de forma imatura na fé, ainda com uma mentalidade idólatra. Isso era uma coisa muito comum entre os recém-convertidos, especialmente naquela fase inicial da Igreja. Em sua primeira carta aos coríntios, Paulo trata sobre cristãos que ainda não possuíam um conhecimento pleno e sua mentalidade ainda era influenciada, de certa forma, pela idolatria (1Co 8.7). 

A questão final que proponho à reflexão é acerca do resultado desse fato. Esses milagres extraordinários, especialmente os casos do contato com as roupas de Paulo, resultaram em que? Ocorrência de mais milagre extraordinários entre eles? Não. Tentativas de reprodução dessa prática? Não. “Concentrações de fé” para utilizarem esses “pontos de contato”? Não. O resultado foi um só: “a palavra do Senhor muito se difundia e se fortalecia” (At 19.20). 

É extremamente válida a citação de um trecho da carta de Paulo aos próprios efésios tempos depois desses acontecimentos:

E a cada um de nós foi concedida a graça, conforme repartida por Cristo. [...] E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo. O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. [...] Assim eu digo a vocês, e no Senhor insisto, que não vivam mais como os gentios, que vivem na inutilidade dos seus pensamentos. [...] Todavia, não foi isso que vocês aprenderam de Cristo. De fato, vocês ouviram falar dele, e nele foram ensinados de acordo com a verdade que está em Jesus. Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade. [...] Porque vocês podem estar certos disto: nenhum imoral, ou impuro, ou ganancioso, que é idólatra, tem herança no Reino de Cristo e de Deus. Ninguém os engane com palavras tolas, pois é por causa dessas coisas que a ira de Deus vem sobre os que vivem na desobediência. Portanto, não participem com eles dessas coisas. Porque outrora vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da luz, pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade; e aprendam a discernir o que é agradável ao Senhor. Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz. [...] Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus. Portanto, não sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor. (Ef 4.7,11-15,17,20-24; 5.5-11,15-17)

O apóstolo Paulo nos ensina nessas palavras profundamente inspiradas pelo Espírito Santo que o dom do apostolado, no qual se inclui a operação de sinais miraculosos extraordinários, assim como outros dons, tem por finalidade a preparação dos santos, para os amadurecer por meio da comunhão e do conhecimento do Senhor, até atingirem a medida da plenitude de Cristo. Dessa forma, não serão enredados pelas doutrinas dos falsos mestres. Devem, pois, ser renovados no modo de pensar e viver, abandonando as obras da carne e aprendendo a discernir o que é agradável ao Senhor, procurando, com sensatez, compreender qual é a Sua vontade. 

Ora, alguns dos recém-convertidos tomaram a iniciativa de levar as roupas de Paulo aos enfermos e possessos, crendo que elas carregavam algum poder do apóstolo. Deus realizou o milagre por sua misericórdia, mas não há em nenhum momento a recomendação de tal prática ou crença, antes ou depois do acontecimento, bem como inexiste qualquer participação ativa do apóstolo Paulo nesse fato. 

Outros relatos há na Bíblia a respeito de atitudes insensatas que, pela misericórdia de Deus e pela infalibilidade dos Seus planos, serviram ao propósito divino, e nem por isso foram aprovadas ou recomendadas por Ele. Cite-se como exemplo Moisés e Arão, os quais, tendo recebido ordem de Deus para falarem à rocha, acabaram por ferirem-na com o bordão duas vezes, o que não impediu que o milagre acontecesse (Nm 20.2-13). Também Jefté, de modo ainda mais emblemático, fez um voto insensato de sacrifício humano a Deus e nem por isso deixou de alcançar a vitória para o povo de Israel, tendo, ainda, cumprido o seu voto posteriormente (Jz 11.29-40). Ainda, sabe-se que Tamar se fez de prostituta, atraindo seu sogro, a fim de garantir o seu direito de gerar uma descendência da parte de seu marido falecido por meio da linhagem dele, após ter-lhe sido isso negado, tendo, assim, dado à luz dois filhos, dentre os quais Perez, ascendente na árvore genealógica do próprio Cristo (Gn 38.1-30). 

Nesse ponto, ressalte-se que, por mais que alguém ainda não esteja plenamente convencido de que o uso dos lenços seja um erro, não encontramos correspondência entre esse acontecimento bíblico e as campanhas/propósitos de lenço ungido reproduzidas pela Universal. 

Primeiramente, esses milagres foram realizados após o contato dos enfermos/possessos apenas com as vestes de Paulo (At. 19.11-12). Não há nenhum registro bíblico sobre outros apóstolos, muito menos quem não o fosse, reproduzindo essa prática. 

Nada disso foi provocado ou sugerido pelo apóstolo. Os ouvintes das mensagens de Paulo e espectadores dos milagres realizados tomaram a iniciativa, por sua própria imaginação, de pegar os lenços e aventais do apóstolo e levar aos enfermos/possessos. Não houve nenhuma chamada para tal prática ou promoção de uma “corrente de cura” com lenço ungido.

Não há registro de ninguém a quem tenha sido levado os lenços e aventais de Paulo que não tenha sido curado/liberto por falta de fé. Essa, inclusive, é uma característica marcante do dom de operação de milagres dos apóstolos em todas as suas ocorrências: não dependia necessariamente da fé dos enfermos, pois eram sinais operados pelo próprio Deus para confirmação da doutrina que ensinavam. Imagine, por exemplo, se o milagre da ressureição dependesse da fé do morto. Tabita (At 9.36-43) e Êutico (At 20.7-12) que o digam. Já na Universal, se você faz o uso do lenço e não é curado, a razão é a sua falta de fé. 

Por fim, o resultado de tudo o que ocorreu com o uso das roupas de Paulo foi unicamente a difusão e fortalecimento da Palavra de Deus entre aquele povo, a ponto de gerar um grande tumulto em Éfeso pelo golpe fatal que isso surtiu na idolatria efésia, a ponto de abalar até a economia daquela cidade, que era bastante vinculada às atividades do templo de Diana. Não houve tentativa de novamente reproduzir essa prática do uso de lenços, mas, pelo contrário, houve crescimento no conhecimento do Senhor, maturidade na fé e renovação da mentalidade daqueles cristãos com o passar do tempo. Uma vez já confirmada a autoridade da doutrina, não era mais necessária a realização daqueles sinais extraordinários, pois a Igreja compreendia cada vez mais os ensinos de Cristo, Sua vontade e o que era, de fato, agradável a Deus. 

Por outro lado, na Universal não ocorre o mesmo. Campanha após campanha, corrente após corrente, envelope após envelope, busca-se cada vez mais prender os frequentadores nessa mentalidade de uso de objetos como pontos de contato para despertar a fé, visando sempre alcançar curas e bênçãos terrenas, com uma exposição bíblica propositalmente rasa e descontextualizada, para que as pessoas não despertem para a desnecessidade dessas práticas, que, no final das contas, resultam em grande arrecadação de dízimos e ofertas dos desesperados e desprovidos de conhecimento bíblico relevante. 

No caso das reuniões em que os participantes levam as roupas de seus familiares, muitas vezes viradas do avesso e com um nó, isso é puro misticismo, tal qual o praticado por algumas religiões pagãs bastante presentes no Brasil, nas quais se utilizam roupas de terceiros em trabalhos de amarração espiritual/amorosa. Não há NENHUMA base bíblica para essa prática. 

Reitere-se que o apóstolo Paulo nunca recomendou ou ensinou que essas práticas devam ser realizadas para cura. Note-se que ele próprio, ao tratar sobre alguns irmãos doentes ao longo de suas cartas, jamais enviou suas vestes a eles ou pediu a deles para fazer algum ritual sobre elas. Timóteo era amado por Paulo como um filho, mas frequentemente acometido por enfermidades no estômago, e, com certeza, Paulo faria de tudo para curá-lo, se dependesse da sua vontade. No entanto, não o fez. Apenas recomendou que ele bebesse um pouco de vinho para amenizá-las (1Tm 5.23). Quando Trófimo adoeceu, o apóstolo também não forneceu lenços e aventais para ele ser curado. Pelo contrário, deixou-o doente em Mileto e seguir com suas viagens missionárias (2Tm 4.20). 

Finalmente, cumpre-nos esclarecer qual seja, então, a doutrina ensinada pelos apóstolos para casos de doenças e enfermidades. Tiago nos ensina o seguinte:

Entre vocês há alguém que está doente? Que ele mande chamar os presbíteros da igreja, para que estes orem sobre ele e o unjam com óleo, em nome do Senhor. A oração feita com fé curará o doente; o Senhor o levantará. E, se houver cometido pecados, ele será perdoado. Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz. (Tg 5.14-16)

Vê-se, portanto, que o ensino dos apóstolos para o caso de doença é a oração. Se é o caso de alguém doente e impossibilitado de estar presente na assembleia dos santos, os presbíteros devem ir até ele e orar com fé, em nome do Senhor, que possui todo o poder para curar. A questão do óleo é incidental e não será analisada no presente artigo. Importa-nos entender que é a oração feita com fé que vai curar o doente, isto se for da vontade de Deus. Se não for, não acontecerá, pois Ele é soberano e sabe o que é melhor para os Seus filhos. A nós cabe orar e crer no Seu poder. 

Há, ainda, casos de doenças que são resultado de pecados. Um exemplo disso são os fracos e doentes em Corinto, dentre os quais alguns chegaram até mesmo a morrer, por celebrarem a ceia do Senhor indignamente (1Co 11.27-32). Nesse caso, Tiago também ensina que deve haver arrependimento e, novamente, oração por esses irmãos.

Diante de todo o exposto, não se conclua que Deus esteja limitado e não possa mais operar sinais e maravilhas. Sua vontade é soberana e Seu poder inesgotável. No entanto, o dom de operação de milagres, tal qual descrito em Atos dos Apóstolos, se refere a um grupo seleto em um tempo específico da História da Igreja. Além disso, não há em nenhuma das emulações contemporâneas realizadas pela IURD ou qualquer outra instituição o preenchimento dos requisitos bíblicos para tanto. O que ocorre, na verdade, é uma tentativa de se aproveitar do imaginário místico e experimental do subconsciente geral dos brasileiros com uma passagem bíblica fora de contexto e atrair os incautos e desesperados para acorrentá-los nessas “correntes” religiosas repletas de heresias, sempre visando à máxima arrecadação de dízimos e ofertas possível.


Nota: transcrições bíblicas extraídas da Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional ®, NVI ® Copyright © 1993, 2000, 2011 by Biblica, Inc., exceto aquelas cujas descrições indiquem versão diversa.


REFERÊNCIAS OFICIAIS DA UNIVERSAL:

1. O poncho dos milagres, publicado em 11/08/2016.

3. Vença as enfermidades por meio da fé, publicado em 22/07/2019.

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