A arca da aliança... De qual aliança?
- universalheresias
- 24 de ago. de 2024
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Sem dúvidas, este será um dos assuntos mais difíceis de se abordar. Muitas denominações neopentecostais têm se apropriado sobremaneira dos símbolos judaicos, "cristianizando-os" em campanhas e propósitos dos mais criativos possíveis. A Igreja Universal não escapa dessa realidade. Pelo contrário, é uma das principais propagadoras dessas insanidades. No entanto, para quem não compreende plenamente a Nova Aliança, o que não faltam são interpretações deturpadas para que se defenda tais práticas.
O texto bíblico mais utilizado para apontar o uso das réplicas da arca da aliança como heresia é o de Jr 3.16. Vejamos:
"Quando vocês aumentarem e se multiplicarem na sua terra naqueles dias", declara o SENHOR, "não dirão mais: 'A arca da aliança do Senhor'. Não pensarão mais nisso nem se lembrarão dela; não sentirão sua falta nem se fará outra arca". (Jr 3.16)
Como é bem sabido, o intuito desse projeto é examinar à luz da Bíblia as doutrinas e práticas da Universal. Não é possível fazer isso sem honestidade intelectual. Por isso, são utilizadas como referência apenas as publicações oficiais da instituição. Além disso, há situações em que a IURD se defende das acusações e argui a legitimidade das suas práticas, como se dá no presente caso. Portanto, segue abaixo a íntegra da exposição do bispo Renato Cardoso acerca do uso da simbologia da arca da aliança pela Igreja Universal do Reino de Deus, apresentando a sua interpretação desse texto de Jr 3.16:
Dada a oportunidade de defesa, iniciemos, pois, nossa análise pelo objeto-símbolo em questão: o que é a arca da aliança?
Quando o Senhor fez aliança com Israel no Monte Sinai por intermédio de Moisés, deu-lhes diversas instruções, dentre as quais, a de construir o Tabernáculo, que consistiria em um santuário para a Sua habitação no meio do povo (Ex 25.8). No átrio, parte externa do Tabernáculo, ficavam o altar de bronze, sobre o qual as ofertas eram queimadas, e a bacia de bronze, que servia para as lavagens cerimoniais. No interior da Tenda, havia o Santo Lugar, que abrigava a mesa dos pães da proposição, o candelabro de ouro e o altar do incenso, e o Lugar Santíssimo, que abrigava a arca da aliança.
Assim o Altíssimo instruiu a Moisés a respeito da arca:
Faça uma arca de madeira de acácia com uma metro e dez centímetros de comprimento, setenta centímetros de largura e setenta centímetros de altura. Revista-a de ouro puro, por dentro e por fora, e faça uma moldura de ouro ao seu redor. Mande fundir quatro argolas de ouro para ela e prenda-as em seus quatro pés, com duas argolas de um lado e duas do outro. Depois faça varas de madeira de acácia, revista-as de ouro e coloque-as nas argolas laterais da arca, para que possa ser carregada. As varas permanecerão nas argolas da arca; não devem ser retiradas. Então coloque dentro da arca as tábuas da aliança que lhe darei. Faça uma tampa de ouro puro com um metro e dez centímetros de comprimento por setenta centímetros de largura, com dois querubins de ouro batido nas extremidades da tampa. Faça um querubim numa extremidade e o segundo na outra, formando uma só peça com a tampa. Os querubins devem ter suas asas estendidas para cima, cobrindo com elas a tampa. Ficarão de frente um para o outro, com o rosto voltado para a tampa. Coloque a tampa sobre a arca e dentro dela as tábuas da aliança que darei a você. Ali, sobre a tampa, no meio dos dois querubins que se encontram sobre a arca da aliança, eu me encontrarei com você e lhe darei todos os meus mandamentos destinados aos israelitas. (Ex 25.10-22)
Disse Moisés: "O SENHOR ordenou a vocês que recolham um jarro de maná e que o guardem para as futuras gerações, 'para que vejam o pão que lhes dei no deserto, quando os tirei do Egito'". Então Moisés disse a Arão: "Ponha numa vasilha a medida de um jarro de maná e coloque-o diante do SENHOR, para que seja conservado para as futuras gerações". Em obediência ao que o SENHOR tinha ordenado a Moisés, Arão colocou o maná junto às tábuas da aliança, para ali ser guardado. (Ex 16.32-34)
O SENHOR disse a Moisés: "Peça aos israelitas que tragam doze varas, uma de cada líder das tribos. Escreva o nome de cada líder em sua vara. Na vara de Levi escreva o nome de Arão, pois é preciso que haja uma vara para cada chefe das tribos. Deposite-as na Tenda do Encontro, em frente da arca das tábuas da aliança, onde eu me encontro com vocês. A vara daquele que eu escolher florescerá, e eu me livrarei dessa constante queixa dos israelitas contra vocês". [...] No dia seguinte Moisés entrou na tenda e viu que a vara de Arão, que representava a tribo de Levi, tinha brotado, produzindo botões e flores, além de amêndoas maduras. [...] O SENHOR disse a Moisés: "Ponha de volta a vara de Arão em frente da arca das tábuas da aliança, para ser guardada como uma advertência para os rebeldes. Isso porá fim à queixa deles contra mim, para que não morra". Moisés fez conforme o SENHOR lhe havia ordenado. (Nm 17.1-5,8,10-11)
Antes de prosseguirmos, cabe uma pequena observação de que, a respeito da vara de Arão, há controvérsias sobre o seu exato local de armazenamento, se dentro da arca da aliança ou se à frente dela. O autor da carta aos hebreus, por exemplo, escreve que "Nessa arca estavam o vaso de ouro contendo o maná, a vara de Arão que floresceu e as tábuas da aliança" (Hb 9.4), ou seja, indicando que estavam no interior do baú, enquanto o texto de Nm 17.10, por exemplo, dá a entender que a vara ficava em frente dele, e não dentro.
Primordialmente, a arca da aliança diz respeito à presença de Deus. O Criador fez um aliança com o povo de Israel de que eles seriam o Seu povo e Ele seria o seu único Deus. Sendo santíssimo, não poderia se relacionar com pecadores sem que estes, antes, fossem purificados. Em razão disso, lhes deu leis cerimoniais que envolviam desde ritos simples de limpeza e alimentação até um complexo sistema sacrificial para expiação dos pecados. Para ter acesso à presença do Senhor, era necessário cumprir uma série de requisitos até finalmente chegar ao Lugar Santíssimo, onde estava a arca da aliança, sobre a qual ocorria a teofania, isto é, a aparição divina, que, nesse caso, se dava na forma de uma nuvem. Já no primeiro período de funcionamento do serviço no Tabernáculo, este acesso foi ainda mais restringido, limitando-se a apenas uma vez ao ano, na pessoa do sumo sacerdote, por ocasião do Dia da Expiação (Lv 16).
Vejamos agora algumas menções da arca da aliança ao longo das Escrituras:
Então eles partiram do monte do SENHOR e viajaram três dias. A arca da aliança do SENHOR foi à frente deles durante aqueles três dias para encontrar um lugar para descansarem. A nuvem do SENHOR estava sobre eles de dia, sempre que partiam de um acampamento. Sempre que a arca partia, Moisés dizia: "Levanta-te, ó SENHOR! Sejam espalhados os teus inimigos e fujam de diante de ti os teus adversários". Sempre que a arca parava, ele dizia: "Volta, ó SENHOR, para os incontáveis milhares de Israel". (Nm 10.34-36)
A arca da aliança seguia à frente de Israel em suas peregrinações e, assim, a presença de Deus os protegia de todo perigo, subjugando cada um dos seus inimigos. Em contraste com isso, temos o seguinte relato de quando, apesar do decreto do Senhor, o povo rebelde tentou entrar na terra prometida por si mesmo, sem a arca adiante deles:
O SENHOR respondeu: "Eu o perdoei, conforme você pediu. No entanto, juro pela glória do SENHOR, que enche toda a terra, que nenhum dos que viram a minha glória e os sinais milagrosos que realizei no Egito e no deserto e me puseram à prova e me desobedeceram dez vezes - nenhum deles chegará a ver a terra que prometi com juramento aos seus antepassados. Ninguém que me tratou com desprezo a verá". [...] Quando Moisés transmitiu essas palavras a todos os israelitas, eles choraram amargamente. Na madrugada seguinte, subiram para o alto da região montanhosa e disseram: "Subiremos ao lugar que o SENHOR prometeu, pois cometemos pecado". Moisés, porém, disse: "Por que vocês estão desobedecendo à ordem do SENHOR? Isso não terá sucesso! Não subam, porque o SENHOR não está com vocês. Vocês serão derrotados pelos inimigos, pois os amalequitas e os cananeus os enfrentarão ali, e vocês cairão à espada. Visto que deixaram de seguir o SENHOR, ele não estará com vocês". Apesar disso, eles subiram desafiadoramente ao alto da região montanhosa, mas nem Moisés nem a arca da aliança do SENHOR saíram do acampamento. Então os amalequitas e os cananeus que lá viviam desceram, derrotaram-nos e os perseguiram até Hormá. (Nm 14.20-23,39-45)
Muito se prolongaria o artigo se transcrevêssemos cada passagem bíblica que envolva a arca da aliança, mas podemos mencionar por alto algumas bastante significativas. Em Js 3 e 4, vê-se o protagonismo da arca no episódio da travessia do Jordão. Ela também esteve presente na destruição de Jericó, quando o Senhor deu a vitória ao seu povo derrubando as muralhas da cidade pelo Seu poder (Js 6).
Apesar de todos os relatos da vitória do povo quando a arca os acompanhava nas batalhas, há uma importante ocorrência de "falha" dessa "fórmula" que vale a pena ser transcrita:
[...] Nessa época os israelitas saíram à guerra contra os filisteus em Afeque. Os filisteus dispuseram suas forças em linha para enfrentar Israel, e, intensificando-se o combate, Israel foi derrotado pelos filisteus, que mataram cerca de quatro mil deles no campo de batalha. Quando os soldados voltaram ao acampamento, as autoridades de Israel perguntaram: "Por que o SENHOR deixou que os filisteus nos derrotassem?" E acrescentaram: "Vamos a Siló buscar a arca da aliança do SENHOR, para que ele vá conosco e nos salve das mãos de nossos inimigos". Então mandaram trazer de Siló a arca da aliança do SENHOR dos Exércitos, que tem o seu trono entre os querubins. E os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias, acompanharam a arca da aliança de Deus. Quando a arca da aliança do SENHOR entrou no acampamento, todos os israelitas gritaram tão alto que o chão estremeceu. Os filisteus, ouvindo os gritos, perguntaram: "O que significam todos esses gritos no acampamento dos hebreus?" Quando souberam que a arca do SENHOR viera para o acampamento, os filisteus ficaram com medo e disseram: "Deuses chegaram ao acampamento. Ai de nós! Nunca nos aconteceu uma coisa dessas! Ai de nós! Quem nos livrará das mãos desses deuses poderosos? São os deuses que feriram os egípcios com toda espécie de pragas, no deserto. Sejam fortes, filisteus! Sejam homens, ou vocês se tornarão escravos dos hebreus, assim como eles foram escravos de vocês. Sejam homens e lutem!" Então os filisteus lutaram, e Israel foi derrotado; cada homem fugiu para a sua tenda. O massacre foi muito grande: Israel perdeu trinta mil homens de infantaria. A arca de Deus foi tomada, e os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias, morreram. (1Sm 4.1-11)
Note-se como essa noção pagã de que a arca, por si mesma, tinha algum poder que poderia ser controlado pelo povo já contaminava a fé de muitos desde os tempos mais remotos. Deus já havia dado provas suficientes do Seu poder e força em favor do Seu povo. No entanto, este era um povo rebelde, que insistia em se afastar do Senhor, apesar de tudo o que já havia testemunhado. O salmista sintetiza muito bem a ideia de que, se Israel apenas ouvisse o Eterno e seguisse os Seus caminhos, "com rapidez" Ele "subjugaria os seus inimigos" (Sl 81.14). Portanto, ao ser derrotado pelos filisteus da primeira vez, a reação desse povo deveria ser perceber o seu próprio pecado e se humilhar, arrependido, diante do Senhor. Não se pode perder de vista que, no contexto dessa passagem, os filhos de Eli estavam profanando o serviço levítico. Se os sacerdotes, que eram os mediadores entre Deus e Israel, responsáveis pelo manuseio das ofertas e pelo ensino da Lei, estavam contaminados pelo pecado, consequentemente o povo também estaria corrompido (Lv 4.3; Os 4.9).
Ao invés de buscarem o arrependimento, o povo preferiu tentar "forçar" o Senhor a se fazer presente entre eles por meio da arca enquanto objeto. Trataram aquele símbolo tão sagrado como um amuleto mágico, a exemplo do que fazem os idólatras. É curioso notar que até os filisteus já estavam praticamente certos de sua derrota, pois já sabiam da fama do Deus de Israel e de que a arca da aliança era símbolo da Sua presença junto aos hebreus. Contudo, a "fórmula mágica" não funcionou e Israel foi derrotado vergonhosamente diante dos seus inimigos. Ironicamente, ainda tiveram a arca tomada de si pelos filisteus, que a levaram consigo. E o sentimento daquele povo rebelde que estava confiando mais no objeto do que no Deus que ele representava pode ser resumido nas últimas palavras da nora de Eli: "A glória se foi de Israel, pois a arca de Deus foi tomada" (1Sm 4.22).
O Senhor é tão sábio! Ele permitiu que o povo fosse derrotado mesmo com a arca da aliança presente, evidenciado que aquele objeto era só um símbolo da Sua presença, mas não tinha poder algum em si mesmo, estando a sua eficácia necessariamente vinculada à obediência e fidelidade dos israelitas. Ainda, permitiu que esse objeto em que o povo depositou a sua confiança fosse tomado deles pelos inimigos, tornando absolutamente nula a sua esperança. Contudo, esse mesmo Deus que é zeloso pelo Seu nome e rico em misericórdia, atormentou os filisteus (1Sm 5) até que eles devolvessem a arca a Israel, manifestando Seu poder e juízo diante dos inimigos do Seu povo, sem que os israelitas movessem uma pena ou sequer soubessem do que estava acontecendo até que fossem surpreendidos com a chegada da arca em Bete-Semes (1Sm 6).
Por décadas após esses eventos, a arca permaneceu na casa de Abinadabe, guardada por Eleazar, seu filho (1Sm 7.1), até que o rei Davi decidiu levá-la para Jerusalém, então capital do reino de Israel, para que a presença de Deus estivesse com ele (2Sm 6). Ocorre que, nesse episódio, um homem chamado Uzá tocou na arca indevidamente, embora com a melhor das intenções, e foi morto pelo Senhor, o que gerou imenso temor em Davi, que desistiu da empreitada e guardou a arca na casa de Obede-Edom. No período em que abrigou a arca em sua casa, esse homem foi deveras abençoado e isso animou Davi a retomar e concluir a sua missão de levar a arca para Jerusalém, abrigando-a na Tenda.
É em torno desse zelo de Davi para com a arca, que representava a santa presença de Deus, que surge uma aliança importantíssima.
O rei Davi já morava em seu palácio, e o SENHOR lhe dera descanso de todos os seus inimigos ao redor. Certo dia ele disse ao profeta Natã: "Aqui estou eu, morando num palácio de cedro, enquanto a arca de Deus permanece numa simples tenda". Natã respondeu ao rei: "Faze o que tiveres em mente, pois o SENHOR está contigo". E naquela mesma noite o SENHOR falou a Natã: "Vá dizer a meu servo Davi que assim diz o SENHOR: Você construirá uma casa para eu morar? Não tenho morado em nenhuma casa desde o dia em que tirei os israelitas do Egito. Tenho ido de uma tenda para outra, de um tabernáculo para outro. Por onde tenho acompanhado os israelitas, alguma vez perguntei a algum líder deles, a quem ordenei que pastoreasse Israel, o meu povo: Por que você não me construiu um templo de cedro? Agora, pois, diga ao meu servo Davi: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: 'Eu o tirei das pastagens, onde você cuidava dos rebanhos, para ser o soberano de Israel, o meu povo. Sempre estive com você por onde você andou e eliminei todos os seus inimigos. Agora eu o farei tão famoso quanto os homens mais importantes da terra. E providenciarei um lugar para Israel, o meu povo, e os plantarei lá, para que tenham o seu próprio lar e não mais sejam incomodados. Povos ímpios não mais os oprimirão, como fizeram no início e têm feito desde a época em que nomeei juízes sobre Israel, o meu povo. Também subjugarei todos os seus inimigos. Saiba também que eu, o SENHOR, estabelecerei para ele uma dinastia. Quando a sua vida chegar ao fim e você descansar com os seus antepassados, escolherei um dos seus filhos para sucedê-lo, um fruto do seu próprio corpo, e eu estabelecerei o reino dele. Será ele quem construirá um templo em honra ao meu nome, e eu firmarei o trono dele para sempre. Eu serei seu pai, e ele será meu filho. Quando ele cometer algum erro, eu o punirei com o castigo dos homens, com açoites aplicados por homens. Mas nunca retirarei dele o meu amor, como retirei de Saul, a quem tirei do seu caminho. Quanto a você, sua dinastia e seu reino permanecerão para sempre diante de mim; o seu trono será estabelecido para sempre'". (2Sm 7.1-16; cf. 1Cr 17.1-14; Sl 89.20-37)
Davi desejava construir um templo para habitação do Senhor, mas, Ele, impedindo-o, prometeu que Ele próprio faria com que uma casa fosse construída em favor da descendência de Davi. Ao rei cabia continuar estabelecendo militarmente os limites da terra de Israel. Deus providenciaria alguém da sua descendência para construir um templo para honrar o Seu santo nome. Uma característica bastante interessante de muitas profecias do Antigo Testamento é o seu duplo cumprimento: elas se referem tanto a acontecimentos num futuro próximo quanto a fatos dos tempos do fim. Essa é uma das ocorrências dessa espécie de profecia. Sobre isso falaremos mais adiante.
Primeiramente, Deus promete escolher um dos filhos de Davi para sucedê-lo no trono, estabelecendo o seu reino. Davi era o primeiro da sua linhagem a se assentar no trono e, portanto, a manutenção da sua descendência no poder é o que confirmaria uma dinastia, isto é, o estabelecimento do seu trono. Esse descendente construiria o templo em honra ao nome do Senhor e, de fato, Salomão, filho e sucessor de Davi no trono, construiu o Templo.
Quando Salomão acabou de construir o templo do SENHOR e o palácio real, executando bem tudo o que pretendia realizar no templo do SENHOR e em seu próprio palácio, o SENHOR lhe apareceu de noite e disse: "Ouvi sua oração e escolhi este lugar para mim, como um templo para sacrifícios. Se eu fechar o céu para que não chova ou mandar que os gafanhotos devorem o país ou sobre o meu povo enviar uma praga, se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra. De hoje em diante os meus olhos estarão abertos e os meus ouvidos atentos às orações feitas neste lugar. Escolhi e consagrei este templo para que o meu nome esteja nele para sempre. Meus olhos e meu coração nele sempre estarão. E, se você andar segundo a minha vontade, como fez seu pai Davi, e fizer tudo o que eu ordeno a você, obedecendo aos meus decretos e às minhas leis, firmarei o seu trono, conforme a aliança que fiz com Davi, seu pai, quando eu lhe disse: Você nunca deixará de ter um descendentes para governar Israel. Mas, se vocês se afastarem de mim e abandonarem os decretos e os mandamentos que dei a vocês e prestarem culto a outros deuses e adorá-los, desarraigarei Israel da minha terra, que dei a vocês, e lançarei para longe da minha presença este templo que consagrei ao meu nome. [...]. (2Cr 7.11-20; cf. 1Rs 9.1-7)
Deus também prometeu que, caso o descendente de Davi pecasse, seria corrigido com um castigo de homens, e não destruído completamente com um castigo divino, por Sua fidelidade à aliança que fez com Davi, Seu servo. Salomão cometeu muitos erros e, de fato, o Senhor cumpriu a Sua promessa:
O SENHOR irou-se contra Salomão por ter se desviado do SENHOR, o Deus de Israel, que lhe havia aparecido duas vezes. Embora ele tivesse proibido Salomão de seguir outros deuses, Salomão não lhe obedeceu. Então o SENHOR lhe disse: "Já que essa é a sua atitude e você não obedeceu à minha aliança e aos meus decretos, os quais ordenei a você, certamente tirarei de você o reino e o darei a um dos seus servos. No entanto, por amor a Davi, seu pai, não farei isso enquanto você viver. Eu o tirarei da mão do seu filho. Mas não tirarei dele o reino inteiro; eu lhe darei uma tribo por amor de Davi, meu servo, e por amor de Jerusalém, a cidade que escolhi". (1Rs 11.9-13)
A história do povo de Deus seguiu com a cisão entre as dez tribos do reino do Norte (Israel) e as duas tribos do reino do Sul (Judá). Posteriormente, pela infidelidade de Israel, o reino do Norte teve seu fim em 722 a.C., quando o rei da Assíria conquistou sua capital, Samaria, deportando muitos israelitas para as proximidades de Gozã e repovoando o território do extinto reino de Israel com povos estrangeiros (2Rs 17).
O reino do Sul estava prestes a sofrer do mesmo castigo quando o profeta Jeremias começou a exercer o seu ministério. O Senhor o chamou para confrontar os pecados de Judá como um ultimato. Ele iniciou sua proclamação durante o reinado de Josias, o último rei bom das tribos do Sul, dando o exemplo do reino do Norte, que foi como uma esposa infiel, tal qual a mensagem do profeta Oseias a Israel, e, por isso, foi desarraigado da sua terra.
Durante o reinado do rei Josias, o SENHOR me disse: "Você viu o que fez Israel, a infiel? Subiu todo monte elevado e foi para debaixo de toda árvore verdejante para prostituir-se. Depois de ter feito tudo isso, pensei que ela voltaria para mim, mas não voltou. E a sua irmã traidora, Judá, viu essas coisas. Viu também que dei à infiel Israel uma certidão de divórcio e a mandei embora, por causa de todos os seus adultérios. Entretanto, a sua irmã Judá, a traidora, também se prostituiu, sem temor algum. E, por ter feito pouco caso da imoralidade, Judá contaminou a terra, cometendo adultério com ídolos de pedra e madeira. Apesar de tudo isso, sua irmã Judá, a traidora, não voltou para mim de todo o coração, mas sim com fingimento", declara o SENHOR. O SENHOR me disse: "Israel, a infiel, é melhor do que Judá, a traidora". (Jr 3.6-11)
Judá estava seguindo pelos mesmos caminhos de Israel, com a agravante de ter visto tudo o que se deu com as tribos do Norte e, apesar disso, manter-se na infidelidade, fingindo querer voltar ao Senhor, sem sinceridade de coração, o que explica as várias tentativas de reforma religiosa que duravam tão pouco. Assim como Israel, Judá estava também quebrando a sua aliança com o seu Deus. O Eterno, em sua infinita misericórdia, antes de proferir o juízo contra os pecados de Judá, manda que Jeremias anuncie que o perdão está sendo oferecido às tribos exiladas do Norte, mostrando, assim, o "caminho das pedras" para evitar que o mesmo mal sobrevenha sobre as tribos do Sul.
Vá e proclame esta mensagem para os lados do norte: "Volte, ó infiel Israel", declara o SENHOR, "Não mais franzirei a testa cheio de ira contra você, pois eu sou fiel", declara o SENHOR, "Não ficarei irado para sempre. Mas reconheça o seu pecado: você se rebelou contra o SENHOR, o seu Deus, e ofereceu os seus favores a deuses estranhos, debaixo de toda árvore verdejante, e não me obedeceu", declara o SENHOR. "Voltem, filhos rebeldes! Pois eu sou o Senhor de vocês", declara o SENHOR. (Jr 3.12-14)
Deus demonstra a Sua misericórdia incalculável: embora tenha dado carta de divórcio a Israel, expulsando-a da sua terra, Ele agora convida o Seu povo a voltar, pois apesar da infidelidade das tribos do Norte, Ele permanecia fiel e era o seu Senhor (equivalendo a "marido" ou "esposo"). Mas como Israel poderia voltar? Reconhecendo o seu pecado. É exatamente o mesmo apelo do profeta Oseias no período imediatamente anterior à invasão de Samaria.
O Senhor, então, promete o que fará a Israel, quando este se arrepender:
"Tomarei vocês, um de cada cidade e dois de cada clã, e os trarei de volta a Sião. Então eu darei a vocês governantes conforme a minha vontade, que os dirigirão com sabedoria e com entendimento. Quando vocês aumentarem e se multiplicarem na sua terra naqueles dias", declara o SENHOR, "não dirão mais: 'A arca da aliança do Senhor'. Não pensarão mais nisso nem se lembrarão dela; não sentirão sua falta nem se fará outra arca. Naquela época, chamarão Jerusalém 'O Trono do SENHOR', e todas as nações se reunirão para honrar o nome do SENHOR em Jerusalém. Não mais viverão segundo a obstinação de seus corações para fazer o mal. Naqueles dias, a comunidade de Judá caminhará com a comunidade de Israel, e juntas voltarão do norte para a terra que dei como herança aos seus antepassados. (Jr 3.14-18)
Aqui, então, chegamos no cerne da discussão, para que possamos compreender exatamente o que o bispo Renato Cardoso defende e se é uma interpretação adequada para sustentar as práticas da IURD em torno do uso de réplicas da arca da aliança como ponto de contato. Ele afirma, ao final do vídeo, que, como o mundo ainda não está uma maravilha, com todos convertidos a Deus, vivendo um paraíso, essa "inutilidade" da arca ainda não está vigente.
Nesse ponto, vamos regredir ao início da análise do zelo de Davi com a arca que culminou na aliança davídica.
O primeiro destaque que faço nesse pacto é acerca da terra em que Deus plantaria Israel, na qual lhe daria uma habitação tranquila e subjugaria seus inimigos. De fato, diferentemente do período dos juízes, em que o povo tinha uma permanência nada pacífica na terra prometida, regularmente afligidos pelos povos inimigos, durante o reinado de Davi esse domínio territorial foi bastante consolidado. Salomão, o descendente imediato, manteve o padrão, mas logo após a sua morte houve a divisão das tribos, multiplicação da iniquidade de Israel, ameaças estrangeiras mais regulares e, finalmente, o exílio de ambos os reinos por povos inimigos. Teria falhado a promessa do Senhor?
O segundo destaque que faço é que Deus prometeu que o descendente de Davi construiria o templo em honra ao seu nome e teria o seu reino estabelecido para sempre. De fato, Salomão, o descendente imediato, construiu o primeiro Templo. Contudo, o seu trono não foi estabelecido plenamente após sua morte, devido à divisão do reino de Israel, e igualmente o Templo foi destruído por ocasião da invasão babilônica. Teria falhado a promessa do Senhor?
O terceiro destaque que faço é que o Altíssimo prometeu que seria por pai do descendente de Davi, o qual lhe seria por filho, e que jamais retiraria o Seu amor dEle. Vemos que Deus cuidou de Salomão, deu-lhe muita sabedoria, paz e prosperidade, mas não encontramos uma relação clara de pai e filho entre ambos e, quando Deus se irou com Salomão, só não lhe tomou o reino, poupando-o de um castigo muito maior, por amor a Davi, seu pai, e não necessariamente a ele. Teria falhado a promessa do Senhor?
Não há uma palavra sequer que saia da boca do Senhor e não se cumpra (Is 55.10-11). Resta-nos, portanto, analisar o cumprimento mais tardio dessa profecia no plano de redenção. Comecemos analisando uma profecia de Isaías:
Nos últimos dias o monte do templo do SENHOR será estabelecido como o principal; será elevado acima das colinas, e todas as nações correrão para ele. Virão muitos povos e dirão: "Venham, subamos ao monte do SENHOR, ao templo do Deus de Jacó, para que ele nos ensine os seus caminhos, e assim andemos em suas veredas". Pois a lei sairá de Sião, de Jerusalém virá a palavra do SENHOR. Ele julgará entre as nações e resolverá contendas de muitos povos. Eles farão de suas espadas arados, e de suas lanças, foices. Uma nação não mais pegará em armas para atacar outra nação, elas jamais tornarão a preparar-se para a guerra. (Is 2.2-4; cf. Mq 4.1-3)
Vemos que nessa profecia há um lugar em que Israel habita tranquilamente e sem ser oprimido pelos povos inimigos. Pelo contrário, os seus inimigos foram subjugados, de modo que são atraídos à Cidade Santa para aprenderem as leis do Deus de Israel, que julga entre eles. No entanto, um questionamento: que templo é esse a que se refere a profecia, se já foram destruídos tanto o primeiro quanto o segundo Templos? É necessário que o Templo de Salomão seja reconstruído pela terceira vez?
Vejamos o que a Palavra de Deus tem a nos dizer:
Então os judeus lhe perguntaram: "Que sinal milagroso o senhor pode mostrar-nos como prova da sua autoridade para fazer tudo isso?" Jesus lhes respondeu: "Destruam este templo, e eu o levantarei em três dias". Os judeus responderam: "Este templo levou quarenta e seis anos para ser edificado, e o senhor vai levantá-lo em três dias?" Mas o templo do qual ele falava era o seu corpo. Depois que ressuscitou dos mortos, os seus discípulos lembraram-se do que ele tinha dito. Então creram na Escritura e na palavra que Jesus dissera. (Jo 2.18-22)
Pois em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade, e, por estarem nele, que é o Cabeça de todo poder e autoridade, vocês receberam a plenitude. (Cl 2.9-10)
Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular, no qual todo o edifício é ajustado e cresce para tornar-se um santuário santo no Senhor. Nele vocês também estão sendo edificados juntos, para se tornarem morada de Deus por seu Espírito. (Ef 2.19-22)
À medida que se aproximam dele, a pedra viva - rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus e preciosa para ele -, vocês também estão sendo utilizados como pedras vivas na edificação de uma casa espiritual para serem sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo. Pois assim é dito na Escritura: "Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa, e aquele que nela confia jamais será envergonhado". (1Pe 2.4-6)
Há muitos outros textos que demonstram que a Igreja é o verdadeiro templo, pois ela é o corpo de Cristo (Cl 1.18), no qual Deus habita por meio do Seu Espírito. É esse o pano de fundo por detrás da resposta de Cristo à mulher samaritana:
"Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar". Jesus declarou: "Creia em mim, mulher: está próxima a hora em que vocês não adorarão o Pai nem neste monte, nem em Jerusalém. Vocês, samaritanos, adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade". Disse a mulher: "Eu sei que o Messias (chamado Cristo) está para vir. Quando ele vier, explicará tudo para nós". Então Jesus declarou: "Eu sou o Messias! Eu, que estou falando com você". (Jo 4.20-26)
Enquanto o cumprimento da aliança davídica em relação a Salomão, seu descendente imediato, se deu no plano físico, o cumprimento em relação ao Messias, o descendente dos últimos tempos, se dá no plano espiritual. É preciso ressaltar que não se trata de uma invenção esse cumprimento messiânico, pois até o próprio Davi reconheceu isso logo após lhe serem transmitidas as promessas do Criador (2Sm 7.19). O templo é o lugar da habitação de Deus. Jesus Cristo é a habitação de Deus conosco (Mt 1.22-23; cf. Is 7.14). Ao nos aproximarmos dEle, por meio da fé, passamos a ser edificados sobre Ele, que é a pedra principal, tornando-se a Igreja o santuário do Deus vivo, o templo dos verdadeiros adoradores, que oferecem sacrifícios espirituais, dos quais o Altíssimo realmente se agrada, em contraponto aos sacrifícios de animais mencionados inicialmente por Isaías (Is 1.11-17). É curioso notar que no fechamento do livro desse profeta também se diz sobre templo e sacrifícios de animais contrastando-se com o reino messiânico:
Assim diz o SENHOR: "O céu é o meu trono; e a terra, o estrado dos meus pés. Que espécie de casa vocês me edificarão? É este o meu lugar de descanso? Não foram as minhas mãos que fizeram todas essas coisas, e por isso vieram a existir?", pergunta o SENHOR. "A este eu estimo: ao humilde e contrito de espírito, que treme diante da minha palavra. Mas aquele que sacrifica um boi é como quem mata um homem; aquele que sacrifica um cordeiro, é como quem quebra o pescoço de um cachorro; aquele que faz oferta de cereal é como quem adora um ídolo. Eles escolheram os seus caminhos, e suas almas têm prazer em suas práticas detestáveis. Por isso também escolherei um duro tratamento para eles e trarei sobre eles o que eles temem. Pois eu chamei, e ninguém respondeu; falei, e ninguém deu ouvidos. Fizeram o mal diante de mim e escolheram o que me desagrada". Ouçam a palavra do SENHOR, vocês que tremem diante da sua palavra: "Seus irmãos que os odeiam e os excluem por causa do meu nome, disseram: 'Que o SENHOR seja glorioso para que vejamos a alegria de vocês!' Mas eles é que passarão vergonha. Ouçam o estrondo que vem da cidade, o som que vem do templo! É o SENHOR que está dando a devida retribuição aos seus inimigos. Antes de entrar em trabalho de parto, ela dá à luz; antes de lhe sobrevirem as dores, ela ganha um menino. Quem já ouviu uma coisa dessas? Quem já viu tais coisas? Pode uma nação nascer num só dia, ou, pode-se dar à luz um povo num instante? Pois Sião ainda estava em trabalho de parto, e deu à luz seus filhos". [...] "E, por causa dos seus atos e das suas conspirações, virei ajuntar todas as nações e línguas, e elas virão e verão a minha glória. Estabelecerei um sinal entre elas, e enviarei alguns dos sobreviventes às nações: a Társis, aos líbios e aos lídios, famosos flecheiros, a Tubal, à Grécia, e às ilhas distantes, que não ouviram falar de mim e não viram a minha glória. Eles proclamarão a minha glória entre as nações. Também dentre as nações trarão os irmãos de vocês ao meu santo monte, em Jerusalém, como oferta ao SENHOR. Virão a cavalo, em carros e carroças, e montados em mulas e camelos", diz o SENHOR. "Farão como fazem os israelitas quando apresentam as suas ofertas de cereal, trazendo-as em vasos cerimonialmente puros; também escolherei alguns deles para serem sacerdotes e levitas", diz o SENHOR. "Assim como os novos céus e a nova terra que vou criar serão duradouros diante de mim", declara o SENHOR, "assim serão duradouros os descendentes de vocês e o seu nome. De uma lua nova a outra e de um sábado a outro, toda a humanidade virá e se inclinará diante de mim", diz o SENHOR. (Is 66.1-8,18-23)
Ora, se o templo é espiritual, forçoso concluir que o monte Sião sobre o qual ele está estabelecido, a cidade de Jerusalém na qual ele se encontra, também é espiritual. E é exatamente isso o que o autor da Carta aos Hebreus nos ensina:
Mas vocês chegaram ao monte Sião, à Jerusalém celestial, à cidade do Deus vivo. Chegaram aos milhares de milhares de anjos em alegre reunião, à igreja dos primogênitos, cujos nomes estão escritos nos céus. Vocês chegaram a Deus, juiz de todos os homens, aos espíritos dos justos aperfeiçoados, a Jesus, mediador de uma nova aliança, e ao sangue aspergido, que fala melhor do que o sangue de Abel. (Hb 12.22-24)
E sobre esse Jesus, ele mostra como Ele é o Filho do Pai, cumprindo-se, finalmente, os três destaques da aliança davídica:
Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo. O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, ele se assentou à direita da Majestade nas alturas, tornando-se tão superior aos anjos quanto o nome que herdou é superior ao deles. Pois a qual dos anjos Deus alguma vez disse: "Tu és meu Filho; eu hoje te gerei"? E outra vez: "Eu serei seu Pai, e ele será meu Filho"? E ainda, quando Deus introduz o Primogênito no mundo, diz: "Todos os anjos de Deus o adorem". Quanto ao anjos, ele diz: "Ele faz dos seus anjos ventos, e dos seus servos, clarões reluzentes". Mas a respeito do Filho, diz: "O teu trono, ó Deus, subsiste para todo o sempre; cetro de equidade é o cetro do teu reino. Amas a justiça e odeias a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, escolheu-te dentre os teus companheiros, ungindo-te com óleo de alegria". E também diz: "No princípio, Senhor, firmaste os fundamentos da terra, e os céus são obras das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; envelhecerão como vestimentas. Tu os enrolarás como um manto, como roupas eles serão trocados. Mas tu permaneces o mesmo, e os teus dias jamais terão fim". (Hb 1.1-12)
O reino desse Jesus, o Messias, o Filho de Deus, a Raiz de Davi, é o contexto da promessa de restauração de Israel em Jr 3. Transcreva-se novamente a promessa:
"Tomarei vocês, um de cada cidade e dois de cada clã, e os trarei de volta a Sião. Então eu darei a vocês governantes conforme a minha vontade, que os dirigirão com sabedoria e com entendimento. Quando vocês aumentarem e se multiplicarem na sua terra naqueles dias", declara o SENHOR, "não dirão mais: 'A arca da aliança do Senhor'. Não pensarão mais nisso nem se lembrarão dela; não sentirão sua falta nem se fará outra arca. Naquela época, chamarão Jerusalém 'O Trono do SENHOR', e todas as nações se reunirão para honrar o nome do SENHOR em Jerusalém. Não mais viverão segundo a obstinação de seus corações para fazer o mal. Naqueles dias, a comunidade de Judá caminhará com a comunidade de Israel, e juntas voltarão do norte para a terra que dei como herança aos seus antepassados. (Jr 3.14-18)
A introdução da promessa, referindo-se a trazer de volta a Sião "um de cada cidade e dois de cada clã", refere-se à restauração do remanescente do povo de Deus no fim dos tempos (Is 10.20-23). A característica desse remanescente é a obediência aos mandamentos de Deus e a fidelidade ao testemunho de Jesus (Ap 12.17). Essa passagem de Apocalipse, inclusive, tem ligação direta com a de Is 66.7-8, mencionada anteriormente. Is 11.10-13, por sua vez, identifica esse momento de restauração de Israel com o reino da "raiz de Jessé", isto é, o Messias, momento em que Judá e Israel estarão unidas, conforme também predito em Jr 3.
Há também a promessa de que, nesse momento, Deus daria ao povo governantes conforme a Sua vontade (em outras versões, "pastores segundo o meu coração"), que os apascentariam com sabedoria e entendimento. Há uma passagem paralela que apresenta basicamente a mesma profecia e nela se encontra claramente a ligação entre o estabelecimento desses novos pastores na restauração de Israel dentro da perspectiva messiânica:
"Eu mesmo reunirei os remanescentes do meu rebanho de todas as terras para onde os expulsei e os trarei de volta à sua pastagem, a fim de que cresçam e se multipliquem. Estabelecerei sobre eles pastores que cuidarão deles. E eles não mais terão medo ou pavor, e nenhum deles faltará", declara o SENHOR. "Dias virão", declara o SENHOR, "em que levantarei para Davi um Renovo justo, um rei que reinará com sabedoria e fará o que é justo e certo na terra. Em seus dias Judá será salva, Israel viverá em segurança, e este é o nome pelo qual será chamado: O SENHOR é a Nossa Justiça." (Jr 23.3-6)
A respeito dos líderes segundo o coração de Deus, impossível não vir a memória o próprio rei Davi (1Sm 13.14). Este Davi profetizou a respeito o Senhor como sendo o seu pastor (Sl 23.1-4). Jesus, o Cristo, tomou para Si o título de bom pastor, que dá a vida pelas ovelhas que o Pai lhe deu, reunindo todo o rebanho para que haja um só pastor (Jo 10.7-16). Cristo, o bom pastor, delegou a alguns discípulos a missão de apascentarem as Suas ovelhas, provando seu amor por Jesus amando e alimentando o povo de Deus com a Sua Palavra, a exemplo de Pedro (Jo 21.15-17). Este mesmo Pedro, posteriormente, confirma:
Portanto, apelo para os presbíteros que há entre vocês e o faço na qualidade de presbítero como eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo como alguém que participará da glória a ser revelada: pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade, como Deus quer. Não façam isso por ganância, mas com o desejo de servir. Não ajam como dominadores dos que foram confiados a vocês, mas como exemplos para o rebanho. Quando se manifestar o Supremo Pastor, vocês receberão a imperecível coroa da glória. (1Pe 5.1-4)
Apesar disso tudo, poder-se-ia manter a mesma objeção do Renato Cardoso e dizer que ainda não está provado que todos os elementos desse contexto foram cumpridos, pois, apesar das profecias paralelas apontarem para o reino messiânico, ainda não se vê isso plenamente realizado com Israel. Sendo assim, é válido ainda utilizar a arca. Seria uma perfeita observação. Mas o apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, cerrou essa hipótese quando afirma o seguinte:
Irmãos, não quero que ignorem este mistério, para que não se tornem presunçoso: Israel experimentou um endurecimento em parte, até que chegue a plenitude dos gentios. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: "Virá de Sião o redentor que desviará de Jacó a impiedade. E esta é a minha aliança com eles quando eu remover os seus pecados". (Rm 11.25-27)
Nós não somos os destinatários primários da profecia de Jeremias. Estes são o povo de Israel. Nós estamos incluídos no trecho "todas as nações se reunirão para honrar o nome do SENHOR em Jerusalém". Nós somos os gentios, a oliveira brava que foi enxertada entre os ramos da oliveira cultivada (Rm 11.17). E isso somente foi possível pelo amadurecimento em parte de Israel em relação à Nova Aliança. Quando chegar a plenitude da salvação dos gentios, dentre os quais estamos incluídos, então o remanescente final de Israel experimentará o pleno cumprimento da profecia de Jr 3.14-18.
À vista de todo o exposto, é de suma importância entender que a razão de a maioria dos judeus estar endurecida reside justamente no seu apego à arca da aliança. Quando digo "arca da aliança", trata-se de uma metáfora para a Antiga Aliança, isto é, a Lei de Moisés. É por isso que Deus anuncia por intermédio de Jeremias que, quando chegarem os dias da restauração de Israel, isto é, quando eles crerem em Jesus como o Messias, tornando-se, assim, participante da Nova Aliança, eles sequer se lembrarão da arca da aliança, pois ela diz respeito apenas à Velha Aliança, que era apenas uma sombra do que viria a ser a Nova Aliança.
A Lei traz apenas uma sombra dos benefícios que hão de vir, e não a sua realidade. Por isso ela nunca consegue, mediante os mesmos sacrifícios repetidos ano após ano, aperfeiçoar os que se aproximam para adorar. [...] Por isso, quando Cristo veio ao mundo, disse: "Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste; de holocaustos e ofertas pelo pecado não te agradaste. Então eu disse: Aqui estou, no livro está escrito a meu respeito; vim para fazer a tua vontade, ó Deus". Primeiro ele disse: "Sacrifícios, ofertas, holocaustos e ofertas pelo pecado não quiseste nem deles te agradaste "(os quais eram feitos conforme a Lei). Então acrescentou: "Aqui estou; vim para fazer a tua vontade". Ele cancela o primeiro para estabelecer o segundo. Pelo cumprimento dessa vontade fomos santificados, por meio do sacrifício do corpo de Jesus Cristo, oferecido uma vez por todas. [...] O Espírito Santo também nos testifica a esse respeito. Primeiro ele diz: "Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor. Porei as minhas leis em seu coração e as escreverei em sua mente"; e acrescenta: "Dos seus pecados e iniquidades não me lembrarei mais". (Hb 10.1-10,15-17)
Todos os elementos do Velho Testamento eram apenas sombras do que viria a ser a Nova Aliança implementada pelo sangue de Jesus Cristo, inclusive a arca da aliança. E, ironicamente, quem profetizou mais explicitamente sobre essa Nova Aliança foi o mesmo profeta Jeremias que anunciou a inutilidade da arca nela. É essa profecia que o autor da Carta aos Hebreus cita, bem como Paulo também citou em Rm 11 ao tratar do endurecimento em parte de Israel.
"Estão chegando os dias", declara o SENHOR, "quando farei uma nova aliança com a comunidade de Israel e com a comunidade de Judá. Não será como a aliança que fiz com os seus antepassados quando os tomei pela mão para tirá-los do Egito; porque quebraram a minha aliança, apesar de eu ser o Senhor deles", diz o SENHOR. "Esta é a aliança que farei com a comunidade de Israel depois daqueles dias", declara o SENHOR: "Porei a minha lei no íntimo deles e a escreverei nos seus corações. Serei o Deus deles, e eles serão o meu povo. Ninguém mais ensinará ao seu próximo nem ao seu irmão, dizendo: 'Conheça ao SENHOR', porque todos eles me conhecerão, desde o menor até o maior", diz o SENHOR. "Porque eu lhes perdoarei a maldade e não me lembrarei mais dos seus pecados". (Jr 31.31-34)
Nessa Nova Aliança, a Lei do Senhor é "escrita não com tinta [como era o Livro da Lei], mas com o Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra [como haviam sido dados os Dez Mandamento no Sinai], mas em tábuas de corações humanos" (2Co 3.3). A Lei não é mais externa ao homem, mas internalizada em seu interior por meio de uma purificação eficaz e definitiva, de um novo coração, sensível à voz de Deus, e do Espírito Santo, que nos habilita a praticar toda a justiça (Ez 36.25-27).
Indago: o que havia dentro da arca da aliança, conforme exposto no início do artigo? As tábuas de pedra com os Dez Mandamentos (Ex 25.16). Portanto, se os cristãos são participantes da Nova Aliança e a Lei de Deus está internalizada no nosso coração, pelo que não vivem mais "segundo a obstinação de seus corações para fazer o mal" (Jr 3.17), qual o sentido de propósitos que utilizam réplicas de um baú que armazenava as tábuas dos Dez Mandamentos?
Além disso, se os cristãos chegaram ao "monte Sião, à Jerusalém celestial, à cidade do Deus vivo" (Hb 12.22), reconhecendo que ali é "O Trono do SENHOR" (Jr 3.16), qual o sentido de propósitos que utilizam réplicas de uma arca cuja tampa, entre os querubins, era reconhecida como trono de Deus pelos participante da Velha Aliança (1Sm 4.4)?
Ainda, se os cristãos "chegaram a Deus, juiz de todos os homens" (Hb 12.23), tendo pleno acesso ao Lugar Santíssimo para se aproximarem de Deus pelo sangue de Jesus (Hb 10.19-22), o Qual "não entrou em santuário feito por homens", mas "entrou nos céus" (Hb 9.24), qual o sentido de propósitos que utilizam réplicas de um mero objeto que simbolizava a presença dAquele de Quem eles podem livremente se aproximar agora na Nova Aliança?
Ainda nos resta compreender a menção da arca em no livro de Apocalipse, texto também mencionado pelo bispo Renato Cardoso:
O sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve fortes vozes nos céus, que diziam: "O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre". Os vinte e quatro anciãos que estavam assentados em seus tronos diante de Deus prostraram-se sobre seus rostos e adoraram a Deus, dizendo: "Graças te damos, Senhor Deus todo-poderoso, que és e que era, porque assumiste o teu grande poder e começaste a reinar. As nações se iraram; e chegou a tua ira. Chegou o tempo de julgares os mortos e de recompensares os teus servos, os profetas, os teus santos e os que temem o teu nome, tanto pequenos como grandes, e de destruir os que destroem a terra". Então foi aberto o santuário de Deus nos céus, e ali foi vista a arca da sua aliança. Houve relâmpagos, vozes, trovões, um terremoto e um grande temporal de granizo. (Ap 11.15-19)
É difícil tratar sobre o Apocalipse de João em poucas palavras, pois uma interpretação depende de muitos elementos para ser provada, o que não cabe dentro desse artigo, pois seriam necessários muitos outros para comentar todas as nuances e possibilidades presentes nesse livro.
No entanto, de modo grosseiramente resumido, é evidente que essa trombeta anuncia a segunda vinda de Cristo e a plenitude dos tempos, em que se dará o juízo e o estabelecimento definitivo e perpétuo do reino de Deus. Nessa visão, os vinte e quatro anciãos, que simbolizam o povo do Senhor, estão diante dEle e, quando o Seu santuário é aberto, vê-se ali a arca da Sua aliança. É sabido que o Tabernáculo de Moisés, e posteriormente o Templo de Salomão, eram apenas figuras representativas do verdadeiro santuário celestial, o qual não é físico, mas espiritual (Hb 9.1,11,23-24). Portanto, não se deve entender que a arca da aliança do Senhor, nesse contexto de Apocalipse, é tal qual aquele baú físico feito nos dias de Moisés, assim como o Lugar Santíssimo que Cristo adentrou não foi o do Segundo Templo, mas os próprios céus. A verdadeira propiciação nunca ocorreu no Lugar Santíssimo físico, onde ficava a arca física, cuja tampa era chamada propositalmente de propiciatório ("lugar de propiciação"). Pelo contrário, a verdadeiro expiação ocorria no verdadeiro santuário, que é aquele que está nos céus, o qual Cristo adentrou. Por isso que o autor da Epístola aos Hebreus afirma:
Ora, a primeira aliança tinha regras para a adoração e também um santuário terreno. Foi levantado um tabernáculo; na parte da frente, chamado Lugar Santo, estavam o candelabro, a mesa e os pães da Presença. Por trás do segundo véu havia a parte chamada Lugar Santíssimo, onde se encontravam o altar de outro para o incenso e a arca da aliança, totalmente revestida de ouro. Nessa arca estavam o vaso de ouro contendo o maná, a vara de Arão que floresceu e as tábuas da aliança. Acima da arca estavam os querubins da Glória, que com sua sombra cobriam a tampa da arca. A respeito dessas coisas não cabe agora falar detalhadamente. Estando tudo assim preparado, os sacerdotes entravam regularmente no Lugar Santo do tabernáculo, para exercer o seu ministério. No entanto, somente o sumo sacerdote entrava no Lugar Santíssimo, apenas uma vez por ano, e nunca sem apresentar o sangue do sacrifício, que ele oferecia por si mesmo e pelos pecados que o povo havia cometido por ignorância. Dessa forma, o Espírito Santo estava mostrando que ainda não havia sido manifestado o caminho para o Lugar Santíssimo enquanto permanecia o primeiro tabernáculo. Isso é uma ilustração para os nossos dias, indicando que as ofertas e os sacrifícios oferecidos não podiam dar ao adorador uma consciência perfeitamente limpa. [...] Portanto, era necessário que as cópias das coisas que estão nos céus fossem purificadas com esses sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais com sacrifícios superiores. Pois Cristo não entrou em santuário feito por homens, uma simples representação do verdadeiro; ele entrou nos céus, para agora se apresentar diante de Deus em nosso favor [...]. (Hb 9.1-9,23-24)
Vejamos uma passagem paralela àquela mencionada pelo bispo Renato Cardoso a respeito desse santuário em Apocalipse:
Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: "Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus". [...] Não vi templo algum na cidade, pois o Senhor Deus todo-poderoso e o Cordeiro são o seu templo. (Ap 21.3,22)
Se o tabernáculo de Deus estará com os homens e, portanto, não haverá templo algum, pois Ele será o próprio templo, é necessário se concluir que a verdadeira arca, a qual é vista no santuário celestial, não é física, mas espiritual. Seria uma enorme contradição o Senhor mandar Jeremias profetizar que o povo nem se lembrará mais da arca física se ela estivesse no Seu santuário na consumação dos séculos.
É verdade que ainda não ocorreu a segunda vinda de Cristo, mas o Seu reino já começou em nós (Lc 17.20-21) e se expande progressivamente até que chegue à sua plenitude. Cristo em momento algum deixou de ter em suas mãos todo o poder e toda a autoridade. Como verdadeiros cristãos, já somos participantes desse reino e já desfrutamos em parte das suas virtudes. A arca da aliança de Moisés não tem nenhum valor para nós, pois somos participantes de uma aliança muito superior (2Co 3.6-11; Hb 8.6). A sua simbologia foi cumprida plenamente em Jesus Cristo, nosso Senhor.
A arca da aliança era feita de madeira de acácia, uma espécie típica do deserto, e revestida de outro por dentro e por fora. De semelhante modo, Cristo, humano, é comparado a "uma raiz saída de uma terra seca" (Is 53.2), mas ao mesmo tempo Ele era Deus, o que pode ser comparado ao revestimento de ouro da arca.
Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz! (Fp 2.5-8)
Essa arca simbolizava a presença de Deus no meio do Seu povo. Cristo, por Sua vez, é justamente entendido como a presença de Deus entre o Seu povo.
Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: "A virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamarão Emanuel", que significa "Deus conosco". (Mt 1.22-23; cf. Is 7.14)
Sobre a arca Deus se manifestava para revelar Sua vontade ao Seu povo e lhe dar as instruções que deveriam ser seguidas. Jesus, em seu ministério, cumpriu exatamente esse propósito:
Pois desci dos céus, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou. E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum dos que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. Porque a vontade de meu Pai é que todo aquele que olhar para o Filho e nele crer tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. (Jo 6.38-40)
E nos revelou o mistério da sua vontade, de acordo com o seu bom propósito que ele estabeleceu em Cristo, isto é, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, celestiais ou terrenas, na dispensação da plenitude dos tempos. (Ef 1.9-10)
Dentro da arca, estavam as Tábuas da Lei, dada por Deus ao Seu servo Moisés. Cristo, contudo, era a própria encarnação da Palavra de Deus e nEle foi cumprida toda a Lei.
Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade. (Jo 1.14)
Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus, porque por meio de Cristo Jesus a lei do Espírito de vida me libertou da lei do pecado e da morte. Porque, aquilo que a Lei fora incapaz de fazer por estar enfraquecido pela carne, Deus o fez, enviando seu próprio Filho, à semelhança do homem pecador, como oferta pelo pecado. E assim condenou o pecado na carne, a fim de que as justas exigências da Lei fossem plenamente satisfeitas em nós, que não vivemos segundo a carne, mas segundo o Espírito. (Rm 8.1-4)
Um outro elemento que estava na arca junto às Tábuas do Testemunho era a porção do maná. Esse pão do céu representava a provisão do Senhor para o Seu povo, o que não permitiria que eles perecessem no deserto sem que fosse cumprida a promessa de entrarem na terra prometida (Ex 16). Cristo, porém, é o verdadeiro pão do céu, cuja morte não poderá fazer perecer aqueles que dEle se alimentarem.
Então perguntaram-lhe: "Que sinal milagroso mostrarás para que o vejamos e creiamos em ti? Que farás? Os nossos antepassados comeram o maná no deserto; como está escrito: 'Ele lhes deu a comer pão dos céus'". Declarou-lhes Jesus: "Digo a verdade: Não foi Moisés quem deu a vocês pão do céu, mas é meu Pai quem dá a vocês o verdadeiro pão do céu. Pois o pão de Deus é aquele que desceu do céu e dá vida ao mundo". Disseram eles: "Senhor, dá-nos sempre desse pão!" Então Jesus declarou: "Eu sou o pão da vida. Aquele que vem a mim nunca terá fome; aquele que crê em mim nunca terá sede". [...] "Eu sou o pão da vida. Os seus antepassados comeram o maná no deserto, mas morreram. Todavia, aqui está o pão que desce do céu, para que não morra quem dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá para sempre. Este pão é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo". Então os judeus começaram a discutir exaltadamente entre si: "Como pode este homem nos oferecer a sua carne para comermos?" Jesus lhes disse: "Eu digo a verdade: Se vocês não comerem a carne do Filho do homem e não beberem o seu sangue, não terão vida em si mesmos. Todo aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida. Todo aquele que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Da mesma forma como o Pai que vive me enviou e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que se alimenta de mim viverá por minha causa. Este é o pão que desceu dos céus. Os antepassados de vocês comeram o maná e morreram, mas aquele que se alimenta deste pão viverá para sempre". (Jo 6.30-35,48-58)
Outro elemento também relacionado à arca, embora haja controvérsias se ele ficava dentro dela ou à sua frente, era varão de Arão que floresceu, que simbolizava a escolha divina desse homem como sumo sacerdote diante do Senhor (Nm 17). Cristo, todavia, foi escolhido pelo Pai para ser sumo sacerdote para sempre e adentrar de uma vez por todas o santuário celestial.
Por essa razão era necessário que ele se tornasse semelhante a seus irmãos em todos os aspectos, para se tornar sumo sacerdote misericordioso e fiel com relação a Deus e fazer propiciação pelos pecados do povo. [...] Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda a firmeza à fé que professamos [...] Cristo não tomou para si a glória de se tornar sumo sacerdote, mas Deus lhe disse: "Tu és meu Filho; eu hoje te gerei". E diz noutro lugar: "Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque". [...] e, uma vez aperfeiçoado, tornou-se a fonte da salvação eterna para todos os que lhe obedecem, sendo designado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque. [...] Temos essa esperança como âncora da alma, firme e segura, a qual adentra o santuário interior, por trás do véu, onde Jesus, que nos precedeu, entrou em nosso lugar, tornando-se sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. [...] visto que vive para sempre, Jesus tem um sacerdócio permanente. Portanto, ele é capaz de salvar definitivamente aqueles que, por meio dele, se aproximam de Deus, pois vive sempre para interceder por eles. É de um sumo sacerdote como esse que precisávamos: santo, inculpável, puro, separado dos pecadores, exaltado acima dos céus. [...] Quando Cristo veio como sumo sacerdote dos benefícios agora presentes, ele adentrou o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito pelo homem, isto é, não pertencente a esta criação. Não por meio de sangue de bodes e novilhos, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Lugar Santíssimo, de uma vez por todas, e obteve eterna redenção. [...] quando esse sacerdote acabou de oferecer, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à direita de Deus. (Hb 2.17; 4.14; 5.5-6,9-10; 6.19-20; 7.24-26; 10.11)
Sobre a tampa da arca, havia dois querubins nas extremidades opostas, cobrindo esta peça, que era chamada de propiciatório, que significa o local onde se alcança o favor de Deus, onde há reconciliação entre o Senhor e o pecador. Agora atentemos para o que Maria Madalena viu quando foi visitar o sepulcro de Jesus Cristo:
Maria, porém, ficou à entrada do sepulcro, chorando. Enquanto chorava, curvou-se para olhar dentro do sepulcro e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés. (Jo 20.11-12)
Maria Madalena viu dois anjos nas extremidades opostas do lugar onde estivera o corpo de Jesus, tal qual os querubins estavam sobre o propiciatório. Glórias sejam dadas ao Cordeiro Santo, pois Ele é a propiciação pelos nosso pecados!
Meu filhinhos, escrevo a vocês estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos percados de todo o mundo. [...] Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. (1Jo 2.1-2; 4.10)
Amado leitor, este artigo se tornou muito mais exaustivo do que o que fora incialmente planejado. Se eu me estender, serei mais redundante do que já estou sendo até aqui. Pare um pouco e pense em tudo o que foi explicado e provado por meio das Escrituras até esse ponto do texto. Se nós somos participante de uma Nova Aliança, superior à de Moisés, e em Cristo se cumpriu todo o simbolismo da arca da aliança, esta se tornou inútil para nós, principalmente na qualidade de gentios, para os quais ela nunca teve valor simbólico antes da conversão. Se há uma arca que deve possuir relevância para nós, esta se chama Jesus Cristo. E, se há algum símbolo dessa Nova Aliança da qual fazemos parte, este é a cruz em que Cristo verteu o Seu precioso sangue em favor de nós, pecadores.
Superada essa exposição que confirma a inutilidade da arca na Nova Aliança, pois em Cristo se cumpriu tudo aquilo que ela representava, passo a tecer breves comentários das demais referências da Universal que ainda não foram exploradas aqui, visto que se fez necessário desconstituir a tese do bispo Renato Cardoso, construindo-se logicamente os pressupostos sobre os quais se assentarão os pareceres a seguir.
Após a inauguração do Templo de Salomão da IURD, a sua réplica da arca da aliança circulou durante 4 anos pelas catedrais das capitais do Brasil e, ao retornar para o Templo, realizou-se uma cerimônia especial. Em uma matéria da Universal a esse respeito, lê-se o seguinte:
“O retorno da Arca da Aliança é para as pessoas entenderem que Deus habita em algum local. Antigamente, Ele habitava no Templo, usava símbolos como a Arca e o Tabernáculo, por exemplo, para nós lembrarmos da existência dEle. Agora, nós queremos fazer entender que Deus também precisa habitar, mas, hoje Ele habita dentro da pessoa, por meio da sua entrega e da sua dedicação”, explicou o pastor Luan Vilvert. Fonte: Arca da Aliança retorna ao Templo de Salomão
Sobre a afirmação do pastor Luan de que as pessoas precisam entender que Deus habita em um local, tomando o Tabernáculo/Templo como exemplo, cumpre-nos esclarecer que não procede. Como já transcrito anteriormente, O Senhor deixa claro que é impossível criar um lugar físico para Sua habitação (Is 66.1-2). É verdade que havia um senso comum entre os israelitas de que o Tabernáculo/Templo fosse o local da habitação de Deus e que entre os querubins sobre o propiciatório da arca seria o Seu trono entre os homens. Contudo, podemos perceber que, desde quando ordenou a construção do Tabernáculo, o Senhor nunca afirmou que habitasse naquele santuário físico. O próprio termo "Tabernáculo" significa habitação. Aquele local sagrado era a representação, a figura, o simbolismo, de Deus habitando não naquele espaço físico, mas, sim, no meio do Seu povo, ou seja, Sua santa presença guiando e acompanhando Israel aonde quer que fosse. Por isso, Ele diz a Moisés: "E farão um santuário para mim, e eu habitarei no meio deles" (Ex 25.8).
Claro que seria muito exigir a plena compreensão do povo em geral naquele período sobre esse simbolismo físico da habitação espiritual de Deus. Contudo, o Senhor regularmente incutia no entendimento dos hebreus, por meio de Seus profetas, essa noção mais ampla. Não fosse assim, o próprio rei Salomão não teria orado ao Senhor, dizendo:
Mas será possível que Deus habite na terra com os homens? Os céus, mesmo os mais altos céus, não podem conter-te. Muito menos este templo que construí! Ainda assim, atende à oração do teu servo e ao seu pedido de misericórdia, ó SENHOR, meu Deus. Ouve o clamor e a oração que teu servo faz hoje na tua presença. Estejam os teus olhos voltados dia e noite para este templo, lugar do qual disseste que nele porias o teu nome, para que ouças a oração que o teu servo fizer voltado para este lugar. Ouve as súplicas do teu servo e de Israel, o teu povo, quando orarem voltados para este lugar. Ouve desde os céus, lugar da tua habitação, e, quando ouvires, dá-lhes o teu perdão. [...] Assim, meu Deus, que os teus olhos estejam abertos e os teus ouvidos atentos às orações feitas neste lugar. (2Cr 6.18-21,40)
Essa oração demonstra que Salomão tinha pleno entendimento de que Deus não habitaria literalmente naquele Templo que ele construíra. Aquele era apenas um local consagrado à adoração, por meio de sacrifícios e orações, era um local de encontro entre o Senhor e o Seu povo mediante os rituais mosaicos, figuras simbólicas daquilo que se cumpriu plenamente em Cristo. Quando o povo de Judá, apoiando-se na ideia de que o Templo era o lugar da habitação do Eterno, pensou que esse edifício físico impediria que tivessem sua terra assolada em razão dos seus pecados, o mesmo profeta Jeremias da profecia-chave do presente artigo anunciou a eles o seguinte:
[...] "Ouçam a palavra do SENHOR, todos vocês de Judá que atravessam estas portas para adorar o SENHOR. Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Corrijam a sua conduta e as suas ações, eu os farei habitar neste lugar. Não confiem nas palavras enganosas dos que dizem: 'Este é o templo do SENHOR, o templo do SENHOR, o templo do SENHOR!' Mas, se vocês realmente corrigirem a sua conduta e as suas ações, e se, de fato, tratarem uns aos outros com justiça, se não oprimirem o estrangeiro, o órfão e a viúva e não derramarem sangue inocente neste lugar, e, se vocês não seguirem outros deuses para a sua própria ruína, então eu os farei habitar neste lugar, na terra que dei aos seus antepassados desde a antiguidade e para sempre. Mas vejam! Vocês confiam em palavras enganosas e inúteis. Vocês pensam que podem roubar e matar, cometer adultério e jurar falsamente, queimar incenso a Baal e seguir outros deus que vocês não conheceram, e depois vir permanecer perante mim neste templo, que leva o meu nome, e dizer: 'Estamos seguros!', seguros para continuar com todas essas práticas repugnantes? Este templo, que leva o meu nome, tornou-se para vocês um covil de ladrões? Cuidado! Eu mesmo estou vendo isso", declara o SENHOR. "Portanto, vão agora a Siló, o meu lugar de adoração, onde primeiro fiz uma habitação em honra ao meu nome, e vejam o que eu lhe fiz por causa da impiedade de Israel, o meu povo. Mas agora, visto que vocês fizeram todas essas coisas", diz o SENHOR, "apesar de eu ter falado a vocês repetidas vezes, e vocês não me terem dado atenção, e de eu tê-los chamado, e vocês não me terem respondido, eu farei a este templo que leva o meu nome, no qual vocês confiam, o lugar de adoração que dei a vocês e aos seus antepassados, o mesmo que fiz a Siló. Expulsarei vocês da minha presença, como fiz com todos os seus compatriotas, o povo de Efraim". (Jr 7.2-15)
Dispensa comentários, não é mesmo? Acrescento ainda as palavras de Estevão e Paulo:
"No deserto os nossos antepassados tinham o tabernáculo da aliança [...]. Esse tabernáculo permaneceu nesta terra até a época de Davi, que encontrou graça diante de Deus e pediu que ele lhe permitisse providenciar uma habitação para o Deus de Jacó. Mas foi Salomão quem lhe construiu a casa. Todavia o Altíssimo não habita em casas feitas por homens. Como diz o profeta: 'O céu é o meu trono; a terra, o estrado dos meus pés. Que espécie de casa vocês me edificarão? diz o Senhor, ou onde seria meu lugar de descanso? Não foram as minhas mãos que fizeram todas estas coisas?'" [...] "O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor dos céus e da terra e não habita em santuários feitos por mãos humanas". (At 7.44-50; 17.24)
Em seguida, lemos na mesma matéria da Universal:
A cabelereira Rosilene Oliveira, de 46 anos, é obreira da Universal no Parque Residencial Cocaia. Ela fez questão de ver pessoalmente, pela primeira vez, a Arca da Aliança. “Eu ouvi pela manhã no programa do Bispo Renato Cardoso que a Arca sairia daqui para o Templo. O que me trouxe até aqui hoje foi o fato de eu viver na fé. Porque eu creio que onde a Arca está, ali há a presença de Deus. Claro, que a presença de Deus também está dentro de nós e vim movida por essa fé”. Fonte: Arca da Aliança retorna ao Templo de Salomão
Repare a fala da obreira. É por isso que tenho dito que a Igreja Universal do Reino de Deus é muito sutil nas suas deturpações das Escrituras. Não se pode dizer que a Bíblia não é lida lá, pois é e muito. Não se pode dizer que não está na Bíblia o que os pastores falam, pois realmente está. Mas sutilmente eles distorcem a Palavra de Deus para convencer o povo de que o que estão pregando e ensinando é bíblico e aplacar as vãs tentativas externas de se abrir a visão dos fiéis para o verdadeiro evangelho. Essa obreira infelizmente correu para o aeroporto para poder ver pessoalmente um simples baú, acreditando que a presença de Deus estava ali naquela caixa de madeira. E depois ameniza com um "claro", afirmando que a presença de Deus também está dentro das pessoas. Veja como é contraditório: se ela realmente cresse que a presença de Deus estava dentro dela, por que razão ela iria ao aeroporto movida por uma fé de que a presença de Deus está onde a arca está? Essa presença não já está dentro dela? Explico: ela acredita que esse ato de fé de reverenciar aquele objeto vai potencializar a presença de Deus na vida dela.
Entende como é fácil para a liderança dessa instituição manipular a fé dos fiéis? Eles não precisam negar as verdades bíblicas. Eles simplesmente as distorcem de maneira sutil, de modo que o povo não perceba que se trata de uma heresia. Alguém pode interpelar, afirmando que isso foi apenas uma confusão da obreira, que não é isso que a Universal ensina, como o próprio Renato Cardoso afirma no vídeo que o intuito é só lembrar as pessoas de que Deus quer fazer aliança com elas. Coitadinho! Ele tem uma intenção tão boa e está sendo perseguido injustamente... Eu provo o contrário:
“Nós cremos que quando a Arca (que representa a Presença de Deus) entra, o Altíssimo entra para trazer respostas urgentes e prosperidade em todos os sentidos. Depois de milhares de anos, nós cremos que ela ainda tem o mesmo significado: a Presença de Deus. Por isso, essa cerimônia de fé é tão importante. Em uma época de incertezas e medo, a presença de Deus é a única capaz de dar ao ser humano a paz interior e trazer a verdadeira prosperidade”, explica o Bispo Jadson Santos, palestrante do Congresso para o Sucesso. Fonte: Participe da entrada triunfal da Arca da Aliança
O bispo Jadson Santos é claro: a Igreja Universal do Reino de Deus crê que a arca da aliança ainda representa a presença de Deus. Diante da farta exposição bíblica realizada no presente artigo acerca da obsolescência dos símbolos da Antiga Aliança, que eram apenas figuras de tudo aquilo que se cumpriu em Jesus Cristo, mediador da Nova Aliança da qual fazemos parte, você ainda seria capaz de concordar com essa afirmação do bispo Jadson? É ou não é uma tremenda heresia? Basta analisar à luz das Escrituras Sagradas.
Ele ainda vai ter a audácia de fazer relações completamente descabidas para forçar um significado financeiro nessa simbologia, pois o objetivo da Universal é apenas este: lucrar com a fé alheia.
Mas o que isso teria a ver com o seu sucesso financeiro? Descubra com esta explicação do Bispo Jadson Santos. As tábuas da lei Significam a Palavra de Deus e não existe nada maior ou mais forte que ela. É por meio dela que Ele se revela para o ser humano e nos dá noção da Sua grandeza. Na vida financeira: está escrito que o Senhor mede o céu a palmos e segura as águas do mar na mão (Isaías 40:12). Ou seja, Ele é maior do que tudo, por isso, você não deve ficar preocupado com o tamanho do seu problema. Com certeza ele não é maior do que o Altíssimo. “Quando você crê na Sua Grandeza, os problemas surgem para que Ele seja glorificado. Mas tudo o que o mal quer é que você esqueça disso, viva preocupado, desesperado. Lembre-se que Deus não falha quando você deposita sua fé nEle”, fala o Bispo. Fonte: O que a Arca da Aliança tem a ver com sua vida financeira?
É claro que a Palavra de Deus nos revela a Sua grandeza, mas em momento algum o intuito das Tábuas dos Dez Mandamentos é tranquilizar o homem quanto às suas finanças. Não! Mil vezes não! A Lei foi dada para que o homem compreendesse como Deus era santíssimo e que era impossível que pecadores tivessem comunhão com Ele sem expiação de seus pecados. E isso não sou eu que estou dizendo por mim mesmo, mas o apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo:
[...] antes de ser dada a Lei, o pecado já estava no mundo. Mas o pecado não é levado em conta quando não existe lei. [...] De fato, eu não saberia o que é pecado, a não ser por meio da Lei. Pois, na realidade, eu não saberia o que é cobiça, se a Lei não dissesse: "Não cobiçarás". [...] aquilo que a Lei fora incapaz de fazer por estar enfraquecida pela carne, Deus o fez, enviando seu próprio Filho, à semelhança do homem pecados, como oferta pelo pecado. E assim condenou o pecado na carne, a fim de que as justas exigências da Lei fossem plenamente satisfeitas em nós, que não vivemos segundo a carne, mas segundo o Espírito. (Rm 5.13; 7.7; 8.3-4)
O bispo Jadson prossegue, utilizando o maná com símbolo do sustento divino, o que procede, embora não signifique necessariamente riquezas terrenas. Em seguida, ele faz outra aplicação completamente descabida, agora acerca da vara de Arão:
A vara de Arão Na vara do homem que seria escolhido do Senhor brotariam flores (Números 17:8). Na vida financeira: significa que a vida do escolhido de Deus tem que florescer, esta pessoa faz coisas extraordinárias. Fonte: O que a Arca da Aliança tem a ver com sua vida financeira
Não! Repito: mil vezes não! Já fora explicado aqui exaustivamente que o florescimento da vara de Arão foi simplesmente um sinal que a diferenciara das demais varas, demonstrando que Arão havia sido escolhido por Deus para servir como sumo sacerdote diante do Senhor. Não havia nenhuma relação com prosperidade ou riqueza. Muito pelo contrário: a tribo de Levi, diferentemente das demais, sequer viria a possuir alguma terra (Nm 18.20; Dt 18.1-2), pois o Senhor seria a sua herança. Basta refletir: o que Arão fez de extraordinário? Quais posses? Quais bens? Quais milagres? Quais acontecimentos? Nada além de servir ao Senhor ordinariamente como sumo sacerdote dia após dia até o fim de sua vida. E, sinceramente, não há nada mais extraordinário do que esse privilégio de servir a Deus ordinariamente!
Em outra oportunidade, diz-se:
No dia 2 de outubro, durante as palestras da Prosperidade com Deus realizadas no Templo de Salomão, em São Paulo, a expectativa dos participantes para a entrada da Arca da Aliança foi grande: a cada reunião, ela foi carregada por sacerdotes que marcharam até o Altar, determinando, em grande clamor, a prosperidade na vida de todos os presentes durante os três meses até o fim o ano. A entrada da Arca ocorreu da mesma forma em todos os templos da Universal pelo País. Essa cerimônia é realizada uma vez por ano e tem como base a passagem bíblica de 2 Samuel 6.11, que narra que um homem chamado Obede-Edom teve sua vida abençoada durante os três meses em que a Arca da Aliança esteve em sua casa. As Sagradas Escrituras mostram que a Arca da Aliança representa a Presença de Deus entre Seu povo e, em seu interior, o Próprio Deus orientou que se mantivessem três elementos: as tábuas da lei, que representam a Palavra de Deus; o maná, que representa a provisão Divina; e a vara de Arão, que revela que a vida dos escolhidos florescerá. “Você não vai sair desta reunião sem ser abençoado. Este ano é o ano da sua vitória. Deus vai fazer muitas coisas em sua vida e não pense que será só na área financeira, porque prosperidade envolve tudo. Quando a Arca entrou na casa de Obede-Edom, ela abençoou a saúde dele, a família dele, a vida econômica, abençoou tudo”, destacou o Bispo Jadson Santos, em reunião no Templo de Salomão. Fonte: A entrada da Arca da Aliança e a bênção determinada
O relato da benção do Senhor sobre a casa de Obede-Edom quando abrigou a arca da aliança é o grande trunfo da Igreja Universal do Reino de Deus para convencer as pessoas de que, participando dessas campanhas, elas serão ricamente abençoadas (destaque para o "ricamente"!). Ocorre que, conforme já exposto anteriormente, ao interpretar essa passagem dentro do seu contexto, vemos que essa benção extraordinária sobre a casa do geteu foi realizada pelo Senhor a fim de cumprir o Seu propósito de reanimar Davi para concluir a transferência da arca da aliança para Jerusalém, uma vez que ele havia desistido disso quando temeu pela morte de Uzá em Nacom.
Quando chegaram à eira de Nacom, Uzá esticou o braço e segurou a arca de Deus, porque os bois haviam tropeçado. A ira do SENHOR acendeu-se contra Uzá por seu ato de irreverência. Por isso Deus o feriu, e ele morreu ali mesmo, ao lado da arca de Deus. Davi ficou contrariado porque o SENHOR, em sua ira, havi fulminado Uzá. Até hoje aquele lugar é chamado Perez-Uzá. Naquele dia Davi teve medo do SENHOR e se perguntou: "Como vou conseguir levar a arca do SENHOR?" Por isso ele desistiu de levar a arca do SENHOR para a Cidade de Davi. Em vez disso, levou-a para a casa de Obede-Edom, de Gate. A arca do SENHOR ficou na casa dele por três meses, e o SENHOR o abençoou e a toda a sua família. E disseram ao rei Davi: "O SENHOR tem abençoado a família de Obede-Edom e tudo o que ele possui, por causa da arca de Deus". Então Davi, com grande festa, foi à casa de Obede-Edom e ordenou que levassem a arca de Deus para a Cidade de Davi. (1Sm 6.6-12)
Já está provado e explicado que o simbolismo da arca da aliança foi cumprido em Cristo. Ele é a realidade. A arca era apenas uma sombra dEle. Se somos participantes da Nova Aliança no sangue de Jesus, já somos abençoados extraordinariamente, segundo o propósito e a vontade do nosso Deus. É questão de lógica: diante dessa verdade bíblica, qual o sentido de ficar fazendo rituais com réplicas da arca física?
O bispo Jadson também trata sobre o incidente de Jericó, em que a arca da aliança ia adiante do povo e, ao som das trombetas e do grito de Israel, as intransponíveis muralhas daquela cidade caíram.
A cidade de Jericó era considerada segura por suas altas e fortes muralhas e seus moradores se orgulhavam tanto disso que até construíam residências em cima delas, como fez Raabe. “Não coloque a sua confiança em nada, nem em dinheiro, bolsa de valores, ações, dólares ou euros, porque tudo pode cair. Só Deus não cai e a nossa fé tem que estar apoiada nEle”, disse. Foi nesse momento da reunião que a Arca da Aliança foi carregada pelos sacerdotes, enquanto bispos e pastores clamavam e o povo bradava com fé contra os problemas financeiros, determinando a queda de todos eles – como aconteceu com as muralhas de Jericó. Obediência e sucesso O Bispo Jadson falou que, ao receber a direção de Deus, Josué de pronto chamou o povo para que todas as pessoas obedecessem as instruções do Altíssimo e, assim, fossem abençoadas por Ele. “Não existe vitória sem obediência, não há vitória dando gritos vazios. Não adianta só gritar, você tem que gritar e fazer a sua parte, senão a sua voz não tem peso”, alertou. Fonte: A entrada da Arca da Aliança e a bênção determinada
Aqui está a cereja do bolo. Depois de toda a espiritualização daquela encenação, convencendo as pessoas de que, com aquele propósito da arca da aliança, elas vão prosperar e vencer seus problemas financeiros, ele isenta a IURD de qualquer responsabilidade sobre a falha disso, descarregando a culpa sobre os fiéis. Estes, cientes do perigo de não alcançarem a resposta pretendida, submeter-se-ão a todas as direções do "altar", não fazendo qualquer distinção entre palavras da Bíblia e palavras dos pastores. A partir daí, plantam-se os envelopes, sob a justificativa de que a pessoa precisa materializar a fé e provar a Deus que ela não está confiando mais no dinheiro do que nEle.
Voltemos, por fim, à matéria da obreira que foi ao aeroporto e vejamos a declaração do bispo Renato Cardoso acerca da "importância" da arca da aliança:
Uma multidão aguardava a chegada da réplica da Arca da Aliança nas dependências do Templo. O Bispo Renato Cardoso, responsável pela Universal no País, explicou a importância deste símbolo sagrado que é a Arca e em seguida realizou uma oração especial em frente ao Tabernáculo. “Deus proibiu o uso de imagens, mas ele sempre fez o uso de objetos e símbolos para remeter às profundas verdades espirituais, símbolos como o próprio Tabernáculo e o Templo. A Arca da Aliança é o símbolo do compromisso que Deus assumiu, primeiramente com uma nação, com a nação de Israel. Por meio da Sua Palavra no Monte Sinai, nos Seus mandamentos, Ele entrou em aliança, em pacto com as pessoas da nação israelense. Posteriormente, Ele fez uma nova e eterna aliança, desta vez com todos os que creem, e esta aliança não foi feita através de uma arca de ouro ou de madeira, mas, sim através do sangue do nosso Senhor Jesus, a vida dEle sacrificada na cruz,” disse o Bispo. Fonte: Arca da Aliança retorna ao Templo de Salomão
Eu sou muito repetitivo nessa afirmação, mas é o que melhor expressa meu sentimento toda vez que me deparo com essas falas: é cruel! Mas é de uma crueldade sem tamanho! Sim, os símbolos do Antigo Testamento remetiam às profundas verdades espirituais. Sim, a arca da aliança era o símbolo do compromisso assumido por Deus com Israel. Sim, houve uma nova e eterna aliança feita posteriormente, não através de uma arca, mas do sangue de Jesus. Então por que razão ficar usando réplicas da arca da aliança, fazendo propósitos com elas, orando diante delas, mandando o povo tocar nelas com as coisas que representam os seus problemas, entre tantas outras bizarrices? Se a Nova e Eterna Aliança não foi feita através da arca, mas exclusivamente através de Jesus Cristo, do Qual a arca era uma simples sombra apontando para Ele, qual a necessidade dela? Por que não se prega exclusivamente a Cristo?
Caro leitor, diante de todas essa perspectiva bíblica acerca da obsolescência da arca da aliança, pois era mera figura que apontava para Jesus, e de que foi EXCLUSIVAMENTE através de Cristo que a Nova e Eterna Aliança se fez, você deve concordar comigo que Cristo deve ser a prioridade de qualquer coisa que esteja à Igreja. Mas já reparou que nas unidades da Igreja Universal do Reino de Deus a simbologia ultimamente está girando apenas em torno do Templo, da arca e dos demais símbolos judaicos?
A IURD não divulga imagens do "altar" do Templo de Salomão que eles construíram. Contudo, há modelos 3D disponíveis em alguns canais da instituição e a esmagadora maioria dos fiéis sabe como ele é. Se alguém nunca tiver visitado o Templo ou ao menos visto como é o "altar", segue uma imagem divulgada pelo jornal O Globo quando da inauguração do monumento religioso:
Sim, há uma réplica da arca da aliança no "altar" do Templo de Salomão. O subconsciente dos fiéis, assim, associa automaticamente a imagem da arca à representação de Deus. Se você pensa que isso se dá apenas lá, por ser uma réplica do Templo, engana-se redondamente. Veja o "altar" da Catedral da Fé em Del Castilho, sede da Universal no RJ:
E não é só lá, mas em todos os templos da IURD. Veja, por exemplo, o "altar" da sede de Vila Isabel, no Rio de Janeiro:
Perceba que as cruzes permanentes que havia ao lado da frase "Jesus Cristo é o Senhor" nos "altares" já foi removida. Até a própria frase está sendo gradativamente substituída por outra, que sequer menciona o nome de Jesus, o único "nome dados aos homens pelo qual devamos ser salvos" (At 4.12). Não é possível haver santidade ao Senhor, senão por meio de Cristo (Jo 17.17-19; 1Co 1.2; 6.11; Ef 1.4; 1Ts 3.12-13; Hb 10.10).
Gostaria de mencionar, antes de finalizar, apenas uma situação que ocorreu na Igreja Primitiva relacionada a isso. Em sua primeira viagem missionária, Paulo plantou igrejas na região da Galácia. Após sua partida, falsos mestres começaram a tentar enganá-los, forçando a implementação de elementos do judaísmo dentro dessas igrejas. Essas heresias estavam se avolumando de maneira tal que começava a surgir ali uma verdadeira seita. O apóstolo, então, tomando ciência dessa perturbação no meio da Igreja de Cristo, envia uma carta aos gálatas, cujos principais trechos relacionado ao presente artigo transcrevo abaixo:
Admiro-me que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho, que na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou um anjo dos céus pregue um evangelho diferente daquele que pregamos a vocês, que seja amaldiçoado! Como já dissemos, agora repito: Se alguém anuncia a vocês um evangelho diferente daquele que já receberam, que seja amaldiçoado! [...] Vocês ouviram qual foi o meu procedimento no judaísmo, como perseguia com violência a igreja de Deus, procurando destruí-la. No judaísmo, eu superava a maioria dos judeus da minha idade, e era extremamente zeloso das tradições dos meus antepassados. [...] Quando vi que não estavam andando de acordo com a verdade do evangelho, declarei a Pedro, diante de todos: "Você é judeu, mas vive como gentio e não como judeu. Portanto, como pode obrigar gentios a viverem como judeus? Nós, judeus de nascimento e não gentios pecadores, sabemos que ninguém é justificado pela prática da Lei, mas mediante a fé em Jesus Cristo. Assim, nós também cremos em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pela prática da Lei, porque pela prática da Lei ninguém será justificado. Se, porém, procurando ser justificados em Cristo descobrimos que nós mesmos somos pecadores, será Cristo então ministro do pecado? De modo algum! Se reconstruo o que destruí, provo que sou transgressor. Pois, por meio da Lei eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus. Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim. Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça vem pela Lei, Cristo morreu inutilmente!" Ó gálatas insensatos! Quem os enfeitiçou? Não foi diante dos seus olhos que Jesus Cristo foi exposto como crucificado? Gostaria de saber apenas uma coisa: foi pela prática da Lei que vocês receberam o Espírito, ou pela fé naquilo que ouviram? Será que vocês são tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, querem agora se aperfeiçoar pelo esforço próprio? Será que foi inútil sofrerem tantas coisas? Se é que foi inútil! Aquele que dá o seu Espírito e opera milagres entre vocês realiza essas coisas pela prática da Lei ou pela fé com a qual receberam a palavra? Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão. Ouçam bem o que eu, Paulo, tenho a dizer: Caso se deixem circuncidar, Cristo de nada lhes servirá. De novo declaro a todo homem que se deixa circuncidar que ele está obrigado a cumprir toda a Lei. Vocês, que procuram ser justificados pela Lei, separaram-se de Cristo, caíram da graça. Pois é mediante o Espírito que nós aguardamos pela fé a justiça, que é a nossa esperança. Porque em Cristo Jesus nem circuncisão nem incircuncisão têm efeito algum, mas sim a fé que atua pelo amor. Vocês corriam bem. Quem os impediu de continuar obedecendo à verdade? Tal persuasão não provém daquele que os chama. "Um pouco de fermento leveda toda a massa". Estou convencido no Senhor de que vocês não pensarão de nenhum outro modo. Aquele que os perturba, seja quem for, sofrerá a condenação. Irmãos, se ainda estou pregando a circuncisão, por que continuo sendo perseguido? Nesse caso, o escândalo da cruz foi removido. [...] Os que desejam causar boa impressão exteriormente, tentando obrigá-los a se circuncidarem, agem desse modo apenas para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo. [...] Quanto a mim, que eu jamais me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio da qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo. De nada vale ser circuncidado ou não. O que importa é ser uma nova criação. (Gl 1.6-9,11-14; 2.14-21; 3.1-5; 5.1-11; 6.12,14-15)
Se o leitor for membro da Universal ainda, pode levantar uma objeção, dizendo que ninguém está pregando sobre circuncisão lá. Ocorre que, naquela época, era impensável mesclar o cristianismo com o judaísmo pacificamente, pois ambos eram paradoxais e os sistemas não eram desmembrados para se compor uma nova religião mista. A arca da aliança está inserida dentro de um complexo sistema religioso. Não há qualquer lógica em remover essa peça do "quebra-cabeças" a que pertence originalmente e tentar ressignificá-la para o cristianismo, sistema dentro do qual ela é absolutamente inútil, pois o seu significado já se cumpriu plenamente em Jesus Cristo. Ela era só uma figura anterior. Cristo é a realidade e a Nova Aliança já está presente.
O que a Universal tem construído ao longo de toda a sua existência é um complexo sistema de heresias, especialmente essa progressiva tendência judaizante, que é vendido aos seus membros como se fosse o evangelho. Anátema! Os líderes responsáveis por essa aberração serão condenados. Mas não perca de vista, querido leitor, que a condenação também virá sobre aqueles que estão caindo da graça de Cristo ao correrem para essas heresias judaizantes. Isto porque não creem na suficiência da fé em Cristo. Querem dinheiro, querem solução rápida para os seus problemas, querem determinar o que acontece ou não em suas vidas, querem satisfazer os desejos materialistas dos seus corações, e o evangelho de Cristo não lhes promete nada disso. Preferem, portanto, combiná-lo com essas heresias ao invés de tomarem a sua cruz, negarem a si mesmos e seguirem a Cristo (Mt 16.24-26; cf. Mc 8.34-36; Lc 9.23-25).
Finalizo com mais uma declaração direta do apóstolo Paulo, para que atinja a consciência de cada um de nós a respeito desse assunto e de outros semelhantes:
Todos nós que alcançamos a maturidade devemos ver as coisas dessa forma, e, se em algum aspecto, vocês pensam de modo diferente, isso também Deus esclarecerá. Tão somente vivamos de acordo com o que já alcançamos. Irmãos, sigam unidos o meu exemplo e observem os que vivem de acordo com o padrão que apresentamos a vocês. Pois, como já disse repetidas vezes, e agora repito com lágrimas, há muitos que vivem como inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o seu deus é o estômago, e eles têm orgulho do que é vergonhoso; só pensam nas coisas terrenas. A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. (Fp 3.15-20)
Nota: transcrições bíblicas extraídas da Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional ®, NVI ® Copyright © 1993, 2000, 2011 by Biblica, Inc., exceto aquelas cujas descrições indiquem versão diversa.
REFERÊNCIAS OFICIAIS DA UNIVERSAL:
1. Arca da Aliança retorna ao Templo de Salomão, publicado em 01/08/2018.
2. A verdade sobre Jeremias 3:16, publicado em 04/08/2018.
3. Entenda por que você deve ser a própria Arca da Aliança, publicado em 20/08/2018.
4. Participe da entrada triunfal da Arca da Aliança, publicado em 28/09/2023.
5. O que a Arca da Aliança tem a ver com sua vida financeira?, publicado em 29/09/2023.
6. Entrada triunfal da Arca da Aliança: saiba como foi, publicado em 03/10/2023.
7. A entrada da Arca da Aliança e a bênção determinada, publicado em 15/10/2023.
8. 10 anos do Templo de Salomão: relembre como foi o retorno da Arca da Aliança, publicado em 11/07/2024.






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