Necromancia gospel: um ex-Universal volta do inferno para nos contar o destino de quem não obedece às ordens da instituição
- universalheresias
- 15 de ago. de 2024
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Que os cultos de libertação da Universal sempre foram seu carro-chefe, disso não há dúvidas. Que as “entrevistas” com os demônios manifestados atemorizam os espectadores e os induzem a participar de toda a ritualística da instituição a fim de “amarrar” a ação do diabo em suas vidas, disso também não há dúvidas. Que a IURD utiliza “tristemunhos” (como eles gostam de chamar) dos “ex” para aprisionar as pessoas lá dentro, apesar de eventuais discordâncias, por medo de irem para o inferno, isso também não é novidade. Contudo, trago-lhes uma inovação revolucionária nessa seara para ser discutida no presente artigo.
De início, preciso admitir que, durante as décadas em que fiz parte dessa instituição, eu já vi muita coisa, mas não vi tudo. Sempre há algo novo para nos surpreender, algo impensável até mesmo para os padrões “iurdianos”.
Assista ao vídeo a seguir, que foi exibido para alguns "servos" da Igreja Universal do Reino de Deus, contendo a gravação de uma “entrevista” a um demônio manifestado:
Adianto, desde logo, que esse vídeo é de dificílima localização na internet. Não está disponível nos portais oficiais da Universal. Ao que parece, trata-se de um daqueles vídeos que são exibidos internamente apenas aos “oficiais” da instituição, como eles gostam de nomear, especialmente aos obreiros nas “aulas” restritas que ocorrem aos domingos pela manhã, em que nada se ensina, além das cobranças de resultado e participação nas atividades da igreja, acompanhadas de algumas pequenas passagens bíblicas convenientemente escolhidas acerca de pecado e inferno se contrapondo ao serviço na igreja. Publicações em canais de denúncias e contas não oficiais da IURD são geralmente removidas mediante sagazes requisições de direitos autorias (curiosamente apenas quando lhes expõem as artimanhas maléficas).
Sobre o vídeo em si, que por certo alegarão se tratar de fake news e montagem, a leitura dos movimentos labiais do apresentador correspondem perfeitamente ao áudio. Na parte da entrevista com o homem “possuído”, em poucos momentos seu rosto aparece, nos quais é possível identificar que o áudio está um pouco desalinhado com o vídeo, mas a leitura labial também permite facilmente confirmar a veracidade do áudio.
Sobre o bispo “médium”, abstenho-me de citar seu nome, por força da ética, pois não se trata de um material disponível nos canais oficiais da IURD e seu rosto também não aparece no vídeo. Mas seu timbre de voz é inconfundível. Trata-se um bispo nordestino bastante conhecido por sua condução de “correntes” de libertação, seu jeito áspero e grosseiro de tratar as pessoas e seu testemunho de “ressureição” da sua filha por meio de “sacrifício” na Fogueira Santa de Israel.
Abaixo, segue a transcrição do áudio desse vídeo, caso a Universal consiga remover o conteúdo desse post em algum momento posteriormente (lembrando que o vídeo está hospedado no canal do Telegram do Davi Vieira, plataforma em que, por enquanto, a IURD ainda não consegue impedir a divulgação desse material).
APRESENTADOR: Olá! Deus abençoe todos vocês! Preste atenção: esse demônio manifestado trouxe a memória, a memória, de um ex-servo, de um voluntário, que fazia o trabalho, como eu faço, como você faz, mas que ele deixou a desejar. Ele não orava, não se envolvia com o trabalho, não ganhava mais almas... Esqueceu da alma dele. Porque quando você está cuidando da alma de alguém, você não esquece de onde você foi tirado. Quando você não cuida de ninguém, então a tendência é você também não cuidar de você. Você não se envolve mais com o trabalho, você não ganha ninguém. Hoje nós trouxemos a família dos presidiários, convidamos também os voluntários para estarem aqui lutando pela reconstrução da família. Quando nós cuidamos de uma alma, nós estamos, em outras palavras, cuidando de nós mesmos. Acompanhe! BISPO ENTREVISTADOR: Eu quero que você traga a consciência... Levanta a cabeça dele. Traga a consciência dele aqui agora. HOMEM POSSUÍDO: [risada diabólica] [grito de desespero] Meu Deus! [grito de desespero] BISPO ENTREVISTADOR: Presta atenção! HOMEM POSSUÍDO: [grito de desespero] Ai, meu Deus, eu tive tanta chance! Tanta! Mas eu rejeitei! [grito de desespero] BISPO ENTREVISTADOR: Pera (sic) aí, pastor. HOMEM POSSUÍDO: [grito de desespero] Eu rejeitei! Eu não quero ficar aqui não! Me tire daqui, meu Se... Eu não quero ficar aqui não, meu Senhor! Eu não quero! Me dá mais uma oportunidade! Eu não quero! Aqui é só fogo, fogo! Eu não tenho paz! Não tenho paz! Eu quero sair daqui! Eu quero sair daqui! BISPO ENTREVISTADOR: Qual o seu nome? HOMEM POSSUÍDO: [respiração ofegante de agonia] Gerson! Eu não quero ficar aqui! Eu não quero! BISPO ENTREVISTADOR: Lúcifer trouxe a consciência desse rapaz, que tá (sic) lá no inferno. HOMEM POSSUÍDO: Eu não quero! Eu não quero! Eu não quero ficar aqui! BISPO ENTREVISTADOR: Você foi o que? HOMEM POSSUÍDO: Eu não tenho paz! Eu não tenho paz! É noite e dia! Tormento! Fogo! Não me deixa! Sai! Se afasta de mim! Eu não quero ficar aqui! Eu não quero ficar aqui! Eu tenho que voltar pra (sic) avisar minha família! Ai, meu Deus, me dá uma chance! BISPO ENTREVISTADOR: É a consciência do rapaz, que tá (sic) lá no inferno. Você esteve aqui na te...? Levanta a cabeça. HOMEM POSSUÍDO: Estive, mas eu rejeitei! Eu já fiz a obra! Eu daria tudo pra (sic) sair desse inferno, mas eu não posso. A oportunidade foi dada! Eu quero sair daqui! Me ajuda!
Entrando diretamente no assunto: o que a Bíblia fala sobre a consulta aos mortos, isto é, necromancia? Vejamos a seguir.
Não recorram aos médiuns nem busquem a quem consulta espíritos, pois vocês serão contaminados por eles. Eu sou o SENHOR, o Deus de vocês. (Lv 19.31)
Voltarei o meu rosto contra quem consulta espíritos e contra quem procura médiuns para segui-los, prostituindo-se com eles. Eu o eliminarei do meio do seu povo. [...] Os homens ou mulheres que, entre vocês, forem médiuns ou consultarem os espíritos, terão que ser executados. Serão apedrejados, pois merecem a morte. (Lv 20.6,27)
Quando entrarem na terra que o SENHOR, o seu Deus, dá a vocês, não procurem imitar as coisas repugnantes que as nações de lá praticam. Não permitam que se ache alguém no meio de vocês que queime em sacrifício o seu filho ou a sua filha; que pratique adivinhação, ou se dedique à magia, ou faça presságios, ou pratique feitiçaria ou faça encantamentos; que seja médium, consulte os espíritos ou consulte os mortos. O SENHOR tem repugnância por quem pratica essas coisas, e é por causa dessas abominações que o SENHOR, o seu Deus, vai expulsar aquelas nações da presença de vocês. Permaneçam inculpáveis perante o SENHOR, o seu Deus. (Dt 18.9-13)
Quando o povo de Israel finalmente entrou na terra prometida, ela não estava vazia e ornamentada para que cada um apenas escolhesse o lugar de sua preferência e se estabelecesse ali. Havia muitos canaanitas naquela região com quem o povo de Israel teria contato e cujas práticas conheceria. Deus havia separado Israel para ser uma nação santa, que refletisse ao mundo a Sua glória e desse testemunho do Seu poder a todos os povos. Portanto, deu-lhes a Sua Lei, por intermédio do Seu servo Moisés, enquanto ainda peregrinavam no deserto após o êxodo do Egito.
Constantemente o povo era advertido a não imitar as práticas pagãs dos habitantes de Canaã. Curioso notar que os pecados dos pagãos estavam quase sempre ligados a uma mesma origem: idolatria. A imoralidade, as adivinhações, os sacrifícios humanos, dentre outros, costumava surgir da base idólatra em torno de que girava aquela sociedade. Israel, por sua vez, sendo constituída sob a Lei do único e verdadeiro Deus, santo, justo e fiel, deveria se contrapor a toda a pecaminosidade pagã.
Dentre as principais práticas pagãs condenadas, encontra-se justamente a consulta aos mortos, conforme as passagens supracitadas. Tamanha a gravidade desse pecado aos olhos do Senhor, que a punição cabida era a morte, tanto do médium quanto de quem o procurou.
Conclui-se, pois, que o que se apresenta nesse vídeo com tanta empolgação pelo apresentador e pelo bispo entrevistador é um pecado abominável aos olhos do Senhor! Esse bispo está tomando as vezes de um médium e quem abraça e aplaude essa feitiçaria insana, realizada, para piorar, em nome do Deus santíssimo, é tão participante dessa iniquidade quanto ele.
Quanto à veracidade da suposta manifestação da consciência do morto no corpo do homem “possuído”, leia-se as palavras de sabedoria que as Escrituras Sagradas nos apresentam:
[...] os mortos nada sabem; para eles não haverá mais recompensa, e já não se tem lembrança deles. Para eles o amor, o ódio e a inveja há muito desapareceram; nunca mais terão parte em nada do que acontece debaixo do sol. (Ec 9.5-6)
A Bíblia é enfática e dispensa maiores explicações. Após o óbito, não há comunicação de consciência do morto com nada do que ocorre na vida terrena. Os mortos nada sabem e não têm mais nenhuma relação com o que acontece no plano dos que ainda vivem. Não há nenhuma exceção para essa realidade.
Observe-se, ainda, o que o próprio Cristo ensinou por meio da parábola do rico e Lazáro:
Chegou o dia em que o mendigo morreu, e os anjos o levaram para junto de Abraão. O rico também morreu e foi sepultado. No Hades, onde estava sendo atormentado, ele olhou para cima e viu Abraão de longe, com Lázaro ao seu lado. Então, chamou-o: “Pai Abraão, tem misericórdia de mim e manda que Lázaro molhe a ponta do dedo na água e refresque a minha língua, porque estou sofrendo muito neste fogo”. Mas Abraão respondeu: “Filho, lembre-se de que durante a sua vida você recebeu coisas boas, enquanto que Lázaro recebeu coisas más. Agora, porém, ele está sendo consolado aqui e você está em sofrimento. E além disso, entre vocês e nós há um grande abismo, de forma que os que desejam passar do nosso lado para o seu, ou do seu lado para o nosso, não conseguem”. Ele responde: “Então eu te suplico, pai: manda Lázaro ir à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos. Deixa que ele os avise, a fim de que eles não venham também para este lugar de tormento”. Abraão respondeu: “Eles têm Moisés e os Profetas; que os ouçam”. “Não, pai Abraão”, disse ele, “mas se alguém dentre os mortos fosse até eles, eles se arrependeriam”. Abraão respondeu: “Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos”. (Lc 16.22-31)
A respeito da passagem acima, destaque-se primeiramente que se trata de uma parábola, isto é, uma história figurativa para ensinar uma lição real. Contudo, as parábolas de Jesus possuíam representações bastante eficazes e, além disso, nessa, em especial, há a menção ao nome do mendigo, Lázaro, o que faz muitos estudiosos da Bíblia creditarem a ela um alto nível de possibilidade de ser verídica, abordagem que não cabe à proposta do artigo e do próprio projeto como um todo (mas vale a observação).
Nessa passagem, vemos Abraão falando ao rico da impossibilidade de se ausentar do inferno. Vemos também ele recusando a possibilidade de um morto entrar em contato com os vivos para avisar sobre o inferno. Já no ritual macabro da Universal, Lúcifer é um garçom que pega a consciência do morto lá no inferno e leva até o corpo do homem “possuído” naquela reunião. Além disso, o bispo conversa com a suposta consciência do morto, instigando-o a dar testemunho da veracidade do inferno e do perigo de rejeitar as oportunidades que teve na instituição.
Podemos, ainda, analisar detidamente algumas falas da suposta consciência do morto e verificar como tudo não passa de engano e heresia. Quando ele diz que quer avisar a sua família e que lá é só tormento e fogo, claramente está se inspirando na própria parábola mencionada acima. Está tentando reproduzir exatamente o que o rico fala a Abraão no inferno. Em determinado momento, inclusive, ele afirma não ter paz, pois é atormentado noite e dia. Ora, desde quando há noite e dia no inferno, se a noite e o dia foram criados por Deus para a terra dos vivos? Chega a ser risível!
Outro ponto importante é que, no final do vídeo, quando o bispo “médium” pergunta se o morto já esteve aqui na terra (termo provável, uma vez que ele não concluiu a palavra) e manda ele levantar a cabeça, o homem “possuído”, que se mantém de olhos fechados durante toda a exibição, vacila, abrindo os olhos ao levantar a cabeça, e imediatamente fecha os olhos outra vez. Talvez umas aulinhas a mais de teatro rendessem uma atuação melhor...
Nesse ponto, esclareço que não sou cético para com possessões demoníacas. Pelo contrário, creio veementemente nelas, tal qual descrito na Palavra de Deus, e, particularmente, já tive experiências reais com isso. Contudo, quando se avalia criteriosamente, à luz das Escrituras, o que é apresentado nesse vídeo, verificamos ser impossível um morto aprisionado no inferno se comunicar com os vivos, conceder entrevista ao bispo “médium” e fazer propaganda contra os que desobedecem às ordens do sistema “iurdiano”. Unindo esse entendimento com as evidências na fala e no comportamento do homem “possuído”, vê-se claramente se tratar de atuação. Na melhor das hipóteses, se alguém quiser mesmo forçar uma crença na boa-fé do bispo “médium” e do “endemoninhado”, precisa afirmar que se trata de uma grande vitória do engano de Satanás sobre o “servo de Deus” ou então de sérios transtornos mentais do indivíduo “possuído”. Mas fica a reflexão: quem solicitou a entrevista com o morto e insistiu para que “Lúcifer” a trouxesse do inferno foi o “demônio” manifestado ou foi o bispo “médium”?
A Bíblia, além de condenar tal prática, apresenta exemplos reais de homens dentre o povo de Israel que consultaram os mortos e foram reprovados por isso.
Samuel já havia morrido, e todo o Israel o havia pranteado e sepultado em Ramá, sua cidade natal. Saul havia expulsado do país os médiuns e os que consultavam espíritos. Depois que os filisteus se reuniram, vieram e acamparam em Suném, enquanto Saul reunia todos os israelitas e acampava em Gilboa. Quando Saul viu o acampamento filisteu, teve medo; ficou apavorado. Ele consultou o SENHOR, mas este não lhe respondeu nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas. Então Saul disse aos seus auxiliares: “Procurem uma mulher que invoca espíritos, para que eu a consulte”. Eles disseram: “Existe uma em En-Dor”. Saul então se disfarçou, vestindo outras roupas, e foi à noite, com dois homens, até a casa da mulher. Ele disse a ela: “Invoque um espírito para mim, fazendo subir aquele cujo nome eu disser”. A mulher, porém, lhe disse: “Certamente você sabe o que Saul fez. Ele eliminou os médiuns e os que consultam os espíritos da terra de Israel. Por que você está preparando uma armadilha contra mim, que me levará à morte?” Saul jurou-lhe pelo SENHOR: “Juro pelo nome do SENHOR que você não será punida por isso”. “Quem devo fazer subir?”, perguntou a mulher. Ele respondeu: “Samuel”. Quando a mulher viu Samuel, gritou e disse a Saul: “Por que me enganaste? Tu mesmo és Saul!”. O rei lhe disse: “Não tenha medo. O que você está vendo?” A mulher respondeu: “Vejo um ser que sobe do chão”. Ele perguntou: “Qual a aparência dele?” E disse ela: “Um ancião que veste um manto está subindo”. Então Saul ficou sabendo que era Samuel, inclinou-se e prostou-se com o rosto em terra. Samuel perguntou a Saul: “Por que você me perturbou, fazendo-me subir?” Respondeu Saul: “Estou muito angustiado. Os filisteus estão me atacando, e Deus se afastou de mim. Ele já não responde nem por profetas, nem por sonhos; por isso te chamei para me dizeres o que fazer”. Disse Samuel: “Por que você me chamou, já que o SENHOR se afastou de você e se tornou seu inimigo? O SENHOR fez o que predisse por meu intermédio: rasgou de suas mãos o reino e o deu a seu próximo, a Davi. Porque você não obedeceu ao SENHOR nem executou a grande ira dele contra os amalequitas, ele faz isso a você hoje. O SENHOR entregará você e o povo de Israel nas mãos dos filisteus e amanhã você e seus filhos estarão comigo. O SENHOR também entregará o exército de Israel nas mãos dos filisteus”. Na mesma hora Saul caiu estendido no chão, aterrorizado pelas palavras de Samuel. Suas forças se esgotaram, pois ele tinha passado todo aquele dia e toda aquela noite sem comer. (1Sm 28.3-20)
Saul, que anteriormente havia expulsado toda sorte de feiticeiros, num momento de profundo desespero, em que Deus não lhe respondeu, pois já o havia rejeitado, resolveu procurar alguém que invocasse mortos, para que ele pudesse falar com o profeta Samuel, que já havia falecido, e talvez conseguisse alguma orientação para vencer os amalequitas e ter sua vida e reino preservados, embora Deus já houvesse levantado outro em seu lugar, a saber, Davi. Tal qual o bispo “médium” solicita ao “demônio” manifestado, Saul solicita à feiticeira que traga Samuel do mundo dos mortos para que ele possa conversar com o profeta.
Quando o espírito aparece, de fato Saul o reconhece como Samuel e o seu modo de falar é bastante semelhante ao do profeta. Portanto, não se poderia concluir que seja realmente possível o contato dos mortos com os vivos e que, portanto, talvez o falecido “Gerson” que conversou com o bispo “médium” seja algo real? No texto original em hebraico, quando questionada sobre o que ela via, a feiticeira responde algo como “Vejo deuses que sobem da terra”. O fato de ela ter visto mais de um espírito tem levado muitos teólogos a crerem que se trata de demônios enganadores, posto que o próprio apóstolo Paulo afirma que Satanás é capaz de se disfarçar de anjo de luz (2Co 11.14). Além disso, o suposto espírito de Samuel profetizou algo que não aconteceu exatamente conforme anunciado. Saul não foi entregue nas mãos dos filisteus, mas suicidou-se (1Sm 31.4), acabando nas mãos dos homens de Jabes Gileade (1Sm 31.11 -13). Também não foram todos os filhos dele que morreram, pois pelo menos três ficaram vivos: Is-Bosete (2Sm 2.8-10), Armoni e Mefibosete (2Sm 21.8). Ainda, fica difícil acreditar que Saul, que havia sido rejeitado por Deus, se juntaria a Samuel após a morte, se já vimos que as almas dos justos não compartilham do mesmo destino das almas dos injustos. Conforme está escrito, se uma profecia não se cumprir, esta não veio do SENHOR (Dt 18.20-22). Trata-se, portanto, de uma bela artimanha de um espírito enganador contra Saul, o que atraiu o juízo de Deus sobre ele:
Saul morreu dessa forma porque foi infiel ao SENHOR, não foi obediente à palavra do SENHOR e chegou a consultar uma médium em busca de orientação, em vez de consultar o SENHOR. Por isso o SENHOR o entregou à morte e deu o reino a Davi, filho de Jessé. (1Cr 10.13-14)
É importante notar a ênfase que o texto bíblico dá para o pecado de Saul de consultar os mortos. Esse ato está incluído no rol de infidelidade e desobediência ao Senhor, mas as Escrituras Sagradas destacam, com veemência, a gravidade dessa prática.
Outro exemplo bastante emblemático dessa prática é de um rei chamado Manassés:
Ele fez o que o SENHOR reprova, imitando as práticas detestáveis das nações que o SENHOR havia expulsado de diante dos israelitas. [...] Chegou a queimar seus filhos em sacrifício no vale de Ben-Hinom; praticou feitiçaria, adivinhação e magia, e recorreu a médiuns e aos que consultavam os espíritos. Fez o que o SENHOR reprova, provocando-o à ira. (2Cr 33.2,6)
Esse texto reforça que essa prática de mediunidade está intrinsecamente relacionada com a idolatria, com a qual os israelitas tiveram contato ao entrarem na terra prometida e, ao invés de repudiá-la, passaram a imitá-la, e destaca quão abominável isso é para o Senhor, a ponto de provocá-Lo à ira. Tal foi a atitude do bispo “médium” da IURD no vídeo. Tal é a atitude de quem também permanece compactuando com essa e tantas outras práticas místicas sem qualquer fundamento bíblico sério realizadas nas reuniões dessa instituição que se diz cristã.
A boa notícia, contudo, é que, diferentemente de Saul, Manassés se arrependeu, se humilhou diante do Senhor e achou graça aos Seus olhos.
Em sua angústia, ele buscou o favor do SENHOR, o seu Deus, e humilhou-se muito diante do Deus dos seus antepassados. Quando ele orou, o SENHOR o ouviu e atendeu o seu pedido e o trouxe de volta a Jerusalém e a seu reino. E assim Manassés reconheceu que o SENHOR é Deus. (2Cr 33.12-13)
Deus é rico em misericórdia, sempre pronto a perdoar os que se arrependem sinceramente. Mas aos duros de coração Ele resiste. A Palavra do Senhor é clara quanto à prática de consulta aos mortos e ela é o único aval para definir o que provém do Senhor e o que provém do engano de Satanás. Pode-se concluir, portanto, que alguém que consulta os mortos está no rol dos idólatras e feiticeiros, pois essa prática está intrinsecamente associada a filosofias religiosas demoníacas que sustentam haver métodos de trazer a consciência dos mortos ao contato com os vivos, tanto é que as penas são as mesmas, justamente por se tratar de “farinha do mesmo saco”, conforme o jargão popular. Nesse sentido, a doutrina cristã não relativizou tais práticas; pelo contrário, reafirmou a condenação dos que praticam tais coisas.
Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus. Assim foram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus. (1Co 6.9-11)
Eis que venho em breve! A minha recompensa está comigo, e eu retribuirei a cada um de acordo com o que fez. [...] Felizes os que lavam as suas vestes, e assim têm direito à árvore da vida e podem entrar na cidade pelas portas. Fora ficam os cães, os que praticam feitiçaria, os que cometem imoralidades sexuais, os assassinos, os idólatras e todos os que amam e praticam a mentira. Eu, Jesus, enviei o meu anjo para dar a vocês este testemunho concernente às igrejas. (Ap 22.12,14-16)
Sabe-se que são muitas as artimanhas que vários bispos e pastores da Universal utilizam para manter seu rebanho nas rédeas e tentar camuflar suas práticas místicas de bíblicas. Contudo, a cada análise dessas campanhas, continuamente vê-se que elas estão em completo desacordo com a Palavra de Deus. Então, para aprisionar o povo pelo medo, eles recorrem às palavras dos “demônios” manifestados e, nesse caso em específico, até do suposto espírito de um ex-Universal já falecido. Diante disso, finalizo apenas com as sábias palavras do profeta Isaías:
Quando disserem a vocês: “Procurem um médium ou alguém que consulte os espíritos e murmure encantamento, pois todos recorrem a seus deuses e aos mortos em favor dos vivos”, respondam: “À lei e aos mandamentos!” Se eles não falarem conforme esta palavra, vocês jamais verão a luz! (Is 8.19-20)
Nota: transcrições bíblicas extraídas da Bíblia Sagrada, Nova Versão Internacional ®, NVI ® Copyright © 1993, 2000, 2011 by Biblica, Inc., exceto aquelas cujas descrições indiquem versão diversa.


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